O Ginkgo biloba é uma planta usada principalmente em suplementos e fitoterápicos voltados à memória, cognição e circulação. Alguns estudos apontam possíveis benefícios em situações específicas, especialmente em pessoas com demência leve, mas a evidência científica não confirma que o ginkgo melhore a memória de qualquer pessoa ou previna doenças neurológicas.
Ginkgo biloba pode ajudar em alguns sintomas da demência
Uma revisão da Cochrane publicada em 2026 avaliou 82 estudos envolvendo mais de 10 mil participantes com diferentes tipos de comprometimento cognitivo. Entre pessoas com demência diagnosticada, o Ginkgo biloba apresentou possíveis benefícios pequenos a moderados após seis meses em aspectos como cognição, condição clínica geral e capacidade de realizar atividades diárias.
Os resultados, porém, variaram bastante entre os estudos, o que reduz a certeza sobre o tamanho real do benefício. A revisão da Cochrane considera que ainda existem limitações importantes e poucos dados sobre tratamentos que ultrapassem seis meses.

Melhora da memória em pessoas saudáveis não está comprovada
Um dos usos mais populares do Ginkgo biloba é tentar melhorar a memória e concentração. Apesar dessa fama, não existem evidências conclusivas de que tomar suplementos da planta aumente o desempenho cognitivo de adultos saudáveis ou de pessoas que apenas percebem pequenos esquecimentos no cotidiano.
O Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa dos Estados Unidos informa que as pesquisas sobre melhora cognitiva em indivíduos saudáveis são incertas e muitas apresentam qualidade limitada. Em pessoas com comprometimento cognitivo leve, a revisão mais recente da Cochrane também encontrou pouca ou nenhuma melhora relevante em comparação com placebo.
Ginkgo não demonstrou prevenir Alzheimer ou outras demências
Tomar Ginkgo biloba para evitar Alzheimer é uma estratégia que não encontra respaldo nos principais estudos disponíveis. Uma grande pesquisa acompanhou mais de 3 mil pessoas com 75 anos ou mais durante uma mediana de aproximadamente seis anos e não encontrou redução na ocorrência de demência entre quem recebeu extrato de ginkgo.
Por isso, os possíveis benefícios observados em alguns pacientes que já apresentam demência não devem ser confundidos com prevenção da doença. O ginkgo também não demonstrou capacidade comprovada de impedir ou retardar de forma consistente a progressão do Alzheimer e não deve substituir os tratamentos prescritos por médicos.
Efeitos sobre a circulação têm evidência mais limitada
O Ginkgo biloba também é tradicionalmente associado à circulação sanguínea. A Agência Europeia de Medicamentos reconhece o uso tradicional de preparações específicas da folha para aliviar sensação de peso nas pernas e mãos ou pés frios relacionados a problemas circulatórios leves, desde que doenças mais graves tenham sido descartadas.
A Agência Europeia de Medicamentos ressalta, porém, que os estudos clínicos nessa área são limitados e que essa indicação se apoia principalmente no longo histórico de utilização. Sintomas persistentes, dor, inchaço, mudança de cor da pele ou problemas súbitos de circulação precisam de avaliação médica, em vez de tratamento apenas com fitoterápicos. Separamos esse vídeo do canal da Angela Xavier falando mais sobre os benefícios desse alimento:
Ansiedade, vertigem e zumbido também são estudados
Existem estudos investigando Ginkgo biloba para condições como ansiedade e vertigem, além de seu possível uso durante a recuperação de pacientes após acidente vascular cerebral. Alguns trabalhos sugerem benefícios, mas a quantidade e a qualidade das evidências ainda são insuficientes para considerar esses efeitos definitivamente comprovados.
No caso do zumbido no ouvido, uma das indicações frequentemente associadas ao suplemento, os dados são menos favoráveis. O NCCIH afirma que as pesquisas disponíveis não mostram benefício consistente do ginkgo para tratar zumbido, assim como não demonstram eficácia comprovada para hipertensão ou prevenção de doenças cardíacas.
Ginkgo biloba pode causar efeitos adversos e interações
Extratos padronizados das folhas geralmente são bem tolerados por adultos quando usados nas quantidades estudadas, mas podem provocar dor de cabeça, tontura e desconfortos gastrointestinais. A Agência Europeia de Medicamentos também registra relatos de sangramentos, incluindo episódios no nariz, olhos, trato gastrointestinal e outras regiões do organismo.
Um cuidado especial envolve pessoas que utilizam anticoagulantes, como a varfarina, porque o ginkgo pode aumentar o risco de sangramento e interagir com outros medicamentos. O uso durante a gravidez pode ser inseguro, principalmente próximo ao parto, enquanto não existem informações suficientes para assegurar seu uso durante a amamentação.
Como usar Ginkgo biloba com mais segurança
Os estudos que investigam efeitos medicinais normalmente utilizam extratos padronizados das folhas, o que não significa que qualquer chá, cápsula ou preparação caseira produza os mesmos resultados. As sementes frescas de ginkgo são tóxicas quando ingeridas, e também existem relatos de efeitos graves associados ao consumo de sementes e partes brutas da planta.
Quem pretende usar Ginkgo biloba para memória, demência, circulação ou outra condição deve verificar a composição do produto e conversar com um profissional de saúde, principalmente quando já utiliza medicamentos. Os dados atuais indicam que os possíveis benefícios são específicos e limitados, portanto o suplemento não deve substituir diagnóstico, acompanhamento médico nem tratamentos com eficácia comprovada.




