Poucas cidades transformam um animal em símbolo oficial, com direito a lei e data no calendário. Em Cananéia, no litoral sul de São Paulo, o escolhido foi o boto-cinza, um pequeno golfinho que vive nos canais e baías da região e se aproxima dos barcos de turistas. Em 24 de outubro, a cidade comemora o Dia do Boto-Cinza, um bom pretexto para conhecer o estuário, a Ilha do Cardoso e o ritmo tranquilo de um dos destinos mais preservados do litoral paulista.
Por que o boto-cinza virou símbolo de Cananéia?
Por sua importância para a economia e a cultura local. Segundo a Prefeitura de Cananéia, desde 2021 uma lei municipal declara o boto-cinza patrimônio natural e símbolo do município e instituiu o 24 de outubro como o Dia do Boto-Cinza, espécie de grande importância socioeconômica e cultural para a região.
A data costuma ser celebrada com atividades abertas ao público. A Prefeitura registra que o Projeto Boto-Cinza, executado pelo Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC) em parceria com o município, promoveu em anos anteriores o evento Tem Boto na Praça, com oficinas para crianças, brincadeiras e apresentações artísticas. Para este ano, vale acompanhar os canais oficiais da cidade para conferir a programação.

Quantos botos vivem em Cananéia?
Cerca de 200, segundo estudos da região. Um diagnóstico técnico elaborado para a Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Sul, do Governo de São Paulo, aponta que o ambiente costeiro e estuarino de Cananéia concentra uma população de aproximadamente 200 botos-cinza, com ocorrência mais concentrada na Baía de Trapandé.
O mesmo documento descreve essa população como residente, ou seja, os animais usam principalmente o estuário ao longo do ano, embora também frequentem o mar aberto. A espécie é estudada há décadas por instituições sediadas na região, como o IPeC e o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), o que torna Cananéia um dos principais laboratórios a céu aberto para entender esses golfinhos.
Como observar os botos de forma responsável?
Seguindo as regras da cidade e as orientações dos guias. O diagnóstico do governo paulista informa que o turismo de observação de golfinhos em Cananéia foi regulamentado pela Lei Municipal nº 2.129/2011, que ordena as atividades realizadas com esse fim nos canais e baías da região.
Na prática, a melhor experiência é aquela em que os botos mantêm seu comportamento natural. Isso significa preferir passeios com operadores locais, evitar perseguir os animais com o barco, manter distância e reduzir a velocidade quando eles aparecem. O boto-cinza não costuma dar grandes saltos como outras espécies, mas surge com frequência perto das embarcações, o que permite boas observações sem interferir na rotina dos animais.
O que fazer em Cananéia?
A cidade funciona como base para explorar o estuário e as ilhas ao redor. Estes são alguns dos passeios mais procurados.

O que torna a Ilha do Cardoso especial?
A combinação de Mata Atlântica preservada e espécies únicas. O Parque Estadual da Ilha do Cardoso foi criado pelo Decreto Estadual nº 40.319, de 3 de julho de 1962. Segundo a Assembleia Legislativa de São Paulo, o parque tem cerca de 22.500 hectares, reúne todos os tipos de vegetação da Mata Atlântica costeira e tem dois núcleos com estrutura para visitantes, Perequê e Marujá.
A ilha guarda até um morador exclusivo. A Assembleia informa que o morcego Lasiurus ebenus, descoberto por pesquisadores em 1994, só foi registrado ali, e que o parque é um importante centro de pesquisas científicas. O acesso é feito por barco a partir de Cananéia, em uma travessia curta pelo estuário onde vivem os botos.
Como é o clima de Cananéia ao longo do ano?
A chuva aparece o ano inteiro, com pico no verão. Janeiro concentra 356 mm em média, enquanto agosto registra 73 mm, e julho tem mínima de 15°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
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Uma cidade que divide as águas com seus golfinhos
Cananéia fez do boto-cinza mais do que uma atração turística. A população de cerca de 200 golfinhos que vive no estuário virou símbolo oficial, ganhou um dia no calendário e é acompanhada por pesquisadores há décadas. Entre os canais, a Ilha do Cardoso e o centro histórico, a cidade oferece um roteiro em que a natureza dita o ritmo e os visitantes aprendem a observar sem atrapalhar.
Você precisa embarcar em um passeio pela Baía de Trapandé, esperar os botos surgirem ao lado do barco e depois atravessar até a Ilha do Cardoso para entender por que Cananéia escolheu um golfinho como símbolo.




