Uma moradora da Ilha do Príncipe Eduardo, no Canadá, perdeu 9.800 dólares depois de receber uma ligação de um golpista que se passou pelo departamento antifraude do TD Bank. O caso ganhou um novo capítulo após o banco negar o reembolso, enquanto a vítima afirma que pretende levar a disputa ao ombudsman bancário canadense.
Golpista disse que dinheiro precisava ser retirado por segurança
Binh Tran contou à CBC News que recebeu a ligação em uma manhã de março de 2026. O homem do outro lado da linha afirmou trabalhar na área de prevenção a fraudes do TD Bank e disse que ela precisaria colaborar com uma investigação.
Segundo o relato, o suspeito orientou Tran a permanecer ao telefone, entrar em uma agência e sacar o dinheiro. Depois, ela foi instruída a colocar os valores em uma máquina de bitcoin supostamente para realizar uma verificação. Ao concluir as operações, havia perdido um total de 9.800 dólares.
Número exibido parecia realmente pertencer ao banco
Um dos detalhes que ajudaram a convencer a vítima foi o telefone usado na ligação. Tran desconfiou da situação e pesquisou o número na internet, mas encontrou a mesma sequência associada ao banco, o que reforçou a aparência de ligação legítima. A coincidência, porém, não garante a origem da chamada: criminosos podem utilizar uma técnica conhecida como caller ID spoofing, que altera o número mostrado na tela do telefone.
Polícia canadense já alerta para falsificação do identificador de chamadas
A própria Polícia Montada Real do Canadá já publicou um alerta específico sobre esse tipo de fraude na Ilha do Príncipe Eduardo. Segundo a RCMP de Prince Edward Island, golpistas conseguem manipular o identificador de chamadas para exibir telefones pertencentes a organizações confiáveis, inclusive departamentos policiais.
Em um caso divulgado pela polícia em janeiro de 2025, criminosos chegaram a utilizar no identificador o número verdadeiro de uma unidade da RCMP e solicitaram pagamentos em bitcoin. A recomendação das autoridades é não confiar apenas no telefone exibido e, diante de uma ligação suspeita, desligar e retornar usando um contato obtido diretamente no site oficial da instituição.
- Desconfie de pedidos inesperados para sacar ou transferir dinheiro.
- Não envie bitcoin ou cartões-presente por orientação recebida em uma ligação.
- Não confie exclusivamente no número mostrado pelo identificador de chamadas.
- Encerre a ligação e procure o telefone oficial da empresa por conta própria.

TD Bank negou o reembolso dos 9.800 dólares
Tran passou cerca de seis meses tentando recuperar o dinheiro. Segundo a reportagem, ela foi informada em setembro de 2026 de que o TD Bank não faria o reembolso. Em declaração à CBC, a instituição disse ter analisado o caso e explicado à cliente os motivos de sua decisão, sem comentar publicamente todos os detalhes por se tratar de uma situação individual.
Um ponto central é um formulário assinado por Tran quando realizou o saque no caixa. O documento registrava que ela havia sido alertada de que fraudadores poderiam pedir a compra de bitcoin ou cartões-presente e declarava que a retirada estava sendo realizada por vontade própria, sem pressão ou coerção de terceiros.
O TD também afirma em sua página de prevenção contra fraudes que clientes devem desconfiar de contatos inesperados e de pedidos para movimentar dinheiro. O banco informa ainda que não solicita que consumidores participem de uma investigação secreta nem transfiram recursos para “proteger” uma conta.
Caso mostra por que pagamentos em criptomoedas preocupam autoridades
O uso de bitcoin torna situações como essa particularmente delicadas porque, depois que a vítima compra a criptomoeda e a envia para um endereço controlado pelo criminoso, a recuperação pode ser difícil. O problema não está no bitcoin em si, mas no uso de transações com criptoativos como mecanismo para retirar rapidamente o dinheiro do alcance das instituições financeiras tradicionais.
Autoridades canadenses vêm alertando para essa combinação de pressão psicológica, falsa identidade e pagamentos alternativos. O padrão costuma incluir um contato inesperado, uma suposta emergência ou investigação e uma orientação para que a vítima mantenha sigilo e urgência durante toda a operação.
O que acontece agora com a reclamação de Binh Tran
Tran afirmou que registrou uma ocorrência policial, embora não saiba em que estágio está a investigação. Depois da negativa do TD Bank, ela pretende contestar a decisão junto ao sistema independente de reclamações bancárias do Canadá. Desde novembro de 2024, o OBSI é o órgão externo responsável por analisar reclamações contra bancos regulados federalmente.
Segundo a Agência de Consumidores Financeiros do Canadá, o cliente pode recorrer ao OBSI quando recebe a resposta final do banco e continua insatisfeito ou quando passam mais de 56 dias corridos desde a apresentação da reclamação sem solução. A análise é gratuita e independente, e esse deverá ser o próximo caminho para Tran tentar reverter a negativa e recuperar o dinheiro perdido.




