Erguida no coração do Tocantins a partir de um projeto pensado para criar uma nova capital, Palmas nasceu oficialmente no fim do século XX e rapidamente transformou a paisagem do cerrado. A cidade planejada combina grandes avenidas, áreas verdes e o enorme lago formado pelo represamento do Rio Tocantins, enquanto o clima quente faz parte da identidade local.
Como nasceu a última capital planejada do século XX?
A criação de Palmas está diretamente ligada ao nascimento do Tocantins pela Constituição Federal de 1988, que separou o norte de Goiás e transformou em estado uma região marcada por antigas reivindicações de autonomia. Em janeiro de 1989, Miracema do Tocantins assumiu provisoriamente a função de capital, enquanto o governo buscava uma área para instalar a sede definitiva.
A escolha recaiu sobre uma região rural localizada no centro geográfico do novo estado. Segundo a Secretaria de Comunicação do Governo do Tocantins, o então governador José Wilson Siqueira Campos lançou a pedra fundamental em 20 de maio de 1989. O território escolhido resultou do desmembramento de áreas de Porto Nacional e Taquaruçu do Porto, e, em 1º de janeiro de 1990, a estrutura administrativa foi transferida oficialmente de Miracema para Palmas.

Como o planejamento de Palmas mudou a paisagem urbana?
A estrutura de Palmas foi pensada desde o início para funcionar como uma capital planejada, seguindo referências que também aparecem no desenho de Brasília. Os arquitetos Luiz Fernando Cruvinel Teixeira e Walfredo Antunes de Oliveira Filho desenvolveram um traçado com grandes avenidas, quadras identificadas por siglas como ARSE e ARNO e um eixo monumental formado pela Avenida Theotônio Segurado.
A primeira grande avenida da nova capital começou a ser aberta justamente em 20 de maio de 1989, data da fundação, segundo a Prefeitura de Palmas. O projeto acompanhou o crescimento acelerado da cidade: de poucos milhares de pioneiros na década de 1990, Palmas passou a superar 328 mil habitantes, conforme a estimativa mais recente, figurando entre as capitais brasileiras que mais cresceram proporcionalmente nas últimas décadas.
De onde veio o nome da capital tocantinense?
O nome Palmas não surgiu por acaso e está ligado a uma antiga tentativa de separar o norte de Goiás. A Lei nº 62 de 1989 escolheu a denominação em referência à Comarca de São João da Palma, criada em 1809 na região onde o Rio Palma encontra o Rio Paranã, no sul do atual Tocantins.
A antiga comarca foi palco de um movimento separatista que buscava transformar o norte goiano em uma unidade administrativa independente. A proposta só se concretizaria 179 anos depois, com a criação do Tocantins pela Constituição de 1988. A antiga sede corresponde atualmente ao município de Paranã. Há ainda outra explicação associada ao nome, relacionada à grande quantidade de palmeiras nativas que existiam na região quando a construção da capital começou.
Como o lago do Tocantins transformou Palmas?
O cenário de Palmas mudou radicalmente entre 2001 e 2002, quando as águas do reservatório da Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães começaram a ocupar o vale do Rio Tocantins. Também conhecida como UHE Lajeado, a usina formou um lago com aproximadamente 630 km² de espelho d’água e cerca de 170 km de extensão, alcançando sete municípios além da capital.
A nova paisagem criou aproximadamente 54 km de orla urbana em Palmas e modificou a relação dos moradores com o rio. A antiga Praia da Graciosa, que aparecia de forma sazonal e era frequentada pelos primeiros habitantes, foi inundada e deu lugar a uma nova praia urbana artificial. Também surgiram as Praias do Prata, do Caju e das Arnos, além da Ilha Canela, formada pelo represamento e transformada em um dos pontos turísticos mais procurados da cidade.
Bem-vinda ao Clube das Quarentonas
Palmas é oficialmente uma das capitais mais quentes do Brasil. A média anual gira em torno de 27°C, mas os termômetros passam dos 40°C com frequência, sobretudo entre agosto e outubro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Segundo o Climatempo, Palmas integra o chamado Clube das Quarentonas ao lado de Cuiabá, Teresina e Rio de Janeiro, cidades que passam habitualmente dos 40°C. O recorde histórico no Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) foi de 41,9°C em 19 de setembro de 2013. Em setembro de 2017, a capital registrou 11 dias com temperatura igual ou superior a 40°C em apenas 23 dias medidos.

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Por que Palmas é a principal porta de entrada para o Jalapão?
A capital tocantinense ocupa uma posição privilegiada para quem pretende seguir rumo a um dos cenários naturais mais famosos do estado. No leste do Tocantins, o Jalapão reúne dunas alaranjadas, fervedouros de águas cristalinas e cachoeiras que atraem visitantes de diferentes partes do Brasil e do mundo.
Mas não é preciso seguir por tantas horas para encontrar natureza ao redor da capital. A Serra do Lajeado atravessa o município e concentra cachoeiras que podem ser alcançadas em menos de uma hora. A aproximadamente 30 km de Palmas, o distrito de Taquaruçu se destaca pela gastronomia e pela cultura regional, além de abrigar quedas d’água como Roncador e Escorrega Macaco. Já o Parque Estadual do Lajeado, próximo à área urbana, preserva trechos do cerrado e oferece trilhas guiadas e mirantes voltados para o Lago de Palmas.
Uma capital jovem que já tem paisagens para contar
Palmas construiu sua identidade em pouco mais de três décadas, período em que uma pedra fundamental marcou o nascimento da cidade, uma avenida abriu caminho pelo cerrado e o represamento do Rio Tocantins transformou completamente a paisagem.
Hoje, a capital reúne a memória dos primeiros pioneiros, praias fluviais, áreas de cerrado e acesso privilegiado às paisagens do Jalapão. Passar o fim da tarde na Praia da Graciosa e observar a Serra do Lajeado ao amanhecer são formas de perceber como uma cidade tão jovem conseguiu criar uma identidade própria no coração do Tocantins.




