Em 20 de maio de 1989, uma pedra fundamental foi lançada no meio do cerrado tocantinense e deu início à construção da última capital planejada do Brasil no século XX. Trinta e seis anos depois, Palmas, capital do Tocantins, já ultrapassou os 328 mil habitantes, ganhou um lago artificial maior que muitos municípios e entrou no seleto Clube das Quarentonas, apelido dado às cidades brasileiras que passam frequentemente dos 40°C.
O estado que nasceu na Constituição de 1988
Palmas é filha direta da Constituição Federal de 1988. A nova carta magna criou o estado do Tocantins a partir do desmembramento do norte de Goiás, atendendo a um movimento separatista antigo que já datava do início do século XIX. Em janeiro de 1989, Miracema do Tocantins foi definida como capital provisória, enquanto se decidia o local da futura capital definitiva.
A escolha caiu sobre uma área rural no centro geográfico do novo estado. Segundo a Secretaria de Comunicação do Governo do Tocantins, o então governador José Wilson Siqueira Campos lançou a pedra fundamental em um sábado ensolarado de maio de 1989. O território saiu do desmembramento de Porto Nacional e Taquaruçu do Porto. Em 1º de janeiro de 1990, a sede administrativa foi oficialmente transferida de Miracema para Palmas.

Um projeto urbanístico inspirado em Brasília
O traçado da nova capital foi desenhado pelos arquitetos Luiz Fernando Cruvinel Teixeira e Walfredo Antunes de Oliveira Filho, com forte inspiração em Brasília. Palmas tem avenidas largas em xadrez, quadras numeradas por siglas (ARSE, ARNO) e um eixo monumental que corta a cidade de norte a sul, a Avenida Theotônio Segurado.
Segundo a Prefeitura de Palmas, a primeira avenida aberta foi justamente a Theotônio Segurado, ainda em 20 de maio de 1989. A cidade cresceu em ritmo acelerado. Se em 1990 tinha poucos milhares de pioneiros vindos de todo o Brasil, hoje já ultrapassa os 328 mil habitantes segundo estimativa mais recente. O crescimento populacional colocou Palmas entre as capitais brasileiras que mais aumentaram de tamanho proporcionalmente nas últimas décadas.
O nome que homenageia um movimento separatista de 1809
Poucos moradores sabem que Palmas leva o nome de um lugar que já não existe mais no mapa. A Lei nº 62 de 1989 batizou a nova capital em homenagem à Comarca de São João da Palma, instalada em 1809 na barra do Rio Palma com o Rio Paranã, no sul do atual Tocantins.
Aquela comarca sediou o primeiro movimento separatista da região, uma tentativa antiga de emancipar o norte de Goiás e criar uma nova unidade administrativa. A ideia só se concretizaria 179 anos depois, com a Constituição de 1988. A antiga sede virou o atual município de Paranã. Outra explicação para o nome está na grande quantidade de palmeiras nativas que cobriam a região quando começou a construção da capital.
Um lago artificial de 170 km transformou a cidade
A grande virada paisagística de Palmas veio em 2001 e 2002, com o enchimento do reservatório da Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães, também conhecida como UHE Lajeado. O represamento do Rio Tocantins criou um lago com aproximadamente 630 km² de espelho d’água e 170 km de extensão, banhando sete municípios além da capital.
Em Palmas, são 54 km de orla urbana, o que colocou a capital tocantinense entre as cidades com maior faixa de orla fluvial contínua do país. A formação do lago também alterou geografia e cotidiano. A antiga Praia da Graciosa, sazonal e frequentada pelos primeiros moradores, foi inundada e ressurgiu como praia urbana artificial. Surgiram ainda as Praias do Prata, do Caju e das Arnos, todas com infraestrutura permanente, e a Ilha Canela, formada pelo alagamento do rio, hoje um dos pontos mais visitados da cidade.
Bem-vinda ao Clube das Quarentonas
Palmas é oficialmente uma das capitais mais quentes do Brasil. A média anual gira em torno de 27°C, mas os termômetros passam dos 40°C com frequência, sobretudo entre agosto e outubro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Segundo o Climatempo, Palmas integra o chamado Clube das Quarentonas ao lado de Cuiabá, Teresina e Rio de Janeiro, cidades que passam habitualmente dos 40°C. O recorde histórico no Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) foi de 41,9°C em 19 de setembro de 2013. Em setembro de 2017, a capital registrou 11 dias com temperatura igual ou superior a 40°C em apenas 23 dias medidos.

Portal do Jalapão a poucos km da capital
A localização estratégica fez de Palmas a base para explorar um dos destinos naturais mais espetaculares do Brasil. O Jalapão, no leste tocantinense, tem dunas alaranjadas, fervedouros de água cristalina e cachoeiras que atraem viajantes do mundo todo.
A cidade também é cercada por atrativos mais próximos. A Serra do Lajeado corta o município e guarda cachoeiras a menos de uma hora do centro. O distrito de Taquaruçu, a 30 km da capital, é um dos principais polos gastronômicos e culturais da região, com cachoeiras como a do Roncador e Escorrega Macaco. A poucos minutos do centro, o Parque Estadual do Lajeado preserva o cerrado nativo com trilhas guiadas e mirantes para o Lago de Palmas.
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Vá conhecer Palmas
Poucas capitais brasileiras conseguem contar a própria história em pouco mais de três décadas, com pedra fundamental, primeira avenida aberta e enchimento de um lago artificial que redesenhou o mapa. Palmas segue no ritmo dos pioneiros que chegaram de todo o país para inventar uma cidade no meio do cerrado.
Você precisa passar um fim de tarde na Praia da Graciosa e subir a Serra do Lajeado ao amanhecer para entender por que a caçula das capitais brasileiras já virou obsessão de quem procura o Jalapão e o coração do Tocantins.

