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Início Cidades

O “Jurassic Park” escondido nas calçadas de uma cidade paulista, onde pegadas de dinossauros ficaram preservadas por milhões de anos

Por Maura Pereira
24/10/2026
Em Cidades, Turismo
O “Jurassic Park” escondido nas calçadas de uma cidade paulista, onde pegadas de dinossauros ficaram preservadas por milhões de anos

Araraquara mostra que a ciência pode estar onde menos se espera. / Imagem ilustrativa

Em muitos lugares do mundo, cientistas escavam desertos e montanhas atrás de fósseis. Em Araraquara, no interior de São Paulo, um dos achados mais importantes estava bem debaixo dos pés dos moradores. As lajes de arenito usadas nas calçadas da cidade, retiradas de pedreiras da região, guardam pegadas de dinossauros e de pequenos mamíferos que viveram em um antigo deserto. A descoberta levou a uma expedição científica incomum, feita no meio das ruas.

Por que há pegadas de dinossauro nas calçadas?

Por causa da pedra usada no calçamento. Segundo a página da Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (Sigep), mantida pelo Serviço Geológico do Brasil, as pedreiras da região de Araraquara exploram arenitos da Formação Botucatu, usados como material de construção, e essas rochas guardam pegadas fósseis de animais que viveram há milhões de anos.

A rocha é um antigo deserto. Segundo a Agência Fapesp, há cerca de 140 milhões de anos o interior do Brasil era coberto por um vasto deserto de dunas, maior que o Saara. O blog Colecionadores de Ossos, da Unicamp, explica que dinossauros e pequenos mamíferos caminhavam pela areia úmida em busca de água, e que essas marcas ficaram preservadas quando a areia virou rocha.

O "Jurassic Park" com mil pegadas de dinossauros fica em uma das cidades mais prósperas e ideal para viver no interior de São Paulo
Araraquara em foco nas notícias regionais com crescimento econômico e Facira em destaque. // Créditos: Wikipédia

Quem descobriu as pegadas nas calçadas?

O paleontólogo Giuseppe Leonardi. Segundo a Sigep, desde sua primeira visita, em 1976, Giuseppe Leonardi percebeu que a exposição mais importante de rochas da Formação Botucatu com pegadas fósseis não estava em nenhuma pedreira ou afloramento natural, mas sim nas calçadas de Araraquara.

Convencer a cidade não foi fácil. A Sigep registra que, depois de duas tentativas sem sucesso de convencer dois prefeitos seguidos sobre a importância científica das lajes, a Câmara Municipal autorizou, em 1983, uma rara expedição urbana para trocar 60 lajes com pegadas selecionadas por outras sem fósseis. Ao todo, mais de 200 lajes com pegadas foram levadas para o Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

Como as pegadas saíram das ruas e chegaram ao museu?

A história teve várias etapas. Estes são os principais marcos registrados pela Sigep.

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27/10/2026
1
1976 O paleontólogo Giuseppe Leonardi visita Araraquara e percebe que as melhores pegadas estão nas calçadas.
2
Duas recusas Leonardi tenta, sem sucesso, convencer dois prefeitos seguidos da importância científica das lajes.
3
1983 A Câmara Municipal autoriza uma expedição nas ruas para trocar 60 lajes com pegadas por outras sem fósseis.
4
Mais de 200 lajes Somando calçadas e pedreiras, mais de 200 lajes com pegadas são levadas para o Museu Nacional, no Rio.
5
1999 O local é descrito como sítio geológico e paleontológico do Brasil, com o nome de Jazigo Icnofossilífero do Ouro.

Que animais deixaram essas pegadas?

Dinossauros e mamíferos primitivos. Segundo a Sigep, as lajes de Araraquara guardam pegadas de pequenos dinossauros que andavam sobre duas patas e marcas atribuídas a mamíferos primitivos, como as pistas conhecidas pelo nome científico de Brasilichnium elusivum. Há registros tanto nas calçadas quanto nas pedreiras da região, como a Pedreira São Bento.

A cidade virou um museu a céu aberto. Mesmo depois da retirada de parte das lajes, ainda é possível encontrar pegadas em calçadas do centro, observando com atenção a superfície das pedras. Para o visitante, caminhar pela cidade de olhos no chão é uma forma inesperada de encontrar sinais da vida que existiu ali muito antes de qualquer ser humano.

A cidade apelidada de a “Morada do Sol” que combina um lindo pôr do sol e uma das melhores qualidades de vida do país
Araraquara encanta com cultura vibrante e eventos, inspire-se para descobrir o interior de SP. // Créditos: Wikipédia

Como é o clima de Araraquara ao longo do ano?

O verão é quente e chuvoso, e o inverno, seco. Janeiro concentra 266 mm de chuva em média, enquanto julho registra apenas 25 mm, e as máximas chegam a 30°C em setembro e outubro.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 20-29°C
Chuva: Muito alta
Calor e chuvas fortes à tarde.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 16-28°C
Chuva: Média
Chuva em queda e dias agradáveis.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 14-28°C
Chuva: Baixa
Tempo seco e manhãs frescas.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 18-30°C
Chuva: Média
Calor em alta e volta das chuvas.
💡 Dica do especialista: o inverno seco e ameno é a melhor época para caminhar pelo centro de Araraquara procurando pegadas nas calçadas. Prefira as horas de luz baixa, no início da manhã ou no fim da tarde, quando as sombras deixam as marcas mais visíveis.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Leia também: Fundada em 1929, esta fábrica do Espírito Santo transformou balas vendidas nas ruas em uma marca conhecida no Brasil inteiro.

Uma cidade que caminha sobre a pré-história

Araraquara mostra que a ciência pode estar onde menos se espera. As pedras que pavimentam suas calçadas vieram de um antigo deserto e guardam pegadas de dinossauros e de pequenos mamíferos, descobertas por um paleontólogo que precisou de uma autorização da Câmara para retirar lajes das ruas. Hoje, essa história faz da cidade um lugar onde o passado mais distante divide espaço com o dia a dia.

Você precisa caminhar pelo centro de Araraquara olhando para o chão, procurar as marcas nas lajes de arenito e imaginar os animais que passaram por ali há milhões de anos para entender por que essa cidade é tão especial para a paleontologia.

Tags: AraraquaraSão Paulo
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