Muitas paisagens que parecem obra exclusiva da natureza têm uma mãozinha da engenharia. Em Capitólio, no sudoeste de Minas Gerais, os paredões de pedra que mergulham em águas verdes e as cachoeiras que caem direto no lago só podem ser vistos de barco porque, há mais de seis décadas, uma usina hidrelétrica represou um grande rio e alagou vales inteiros. O resultado foi um lago tão grande que ganhou um apelido curioso para um estado sem litoral: mar de Minas.
Por que o Lago de Furnas é chamado de mar de Minas?
Pelo tamanho. Segundo o Centro da Memória da Eletricidade no Brasil, o reservatório formado pela Usina Hidrelétrica de Furnas cobre cerca de 1.440 km², alcança 34 municípios mineiros e tem volume total de cerca de 22,95 bilhões de metros cúbicos de água, o que o colocou entre os maiores reservatórios do Brasil.
Para quem chega, a sensação é de estar diante de um mar de água doce. O lago se espalha por vales, enseadas e braços que se estendem por diferentes cidades da região, e em muitos pontos a outra margem parece distante. Foi essa imensidão que rendeu o apelido, hoje usado no turismo de toda a região.

Como a usina de Furnas mudou a paisagem?
Represando o Rio Grande. De acordo com o Centro da Memória da Eletricidade, a usina foi a primeira grande obra da empresa Furnas Centrais Elétricas, criada em 1957. As obras começaram em 1958, e a barragem, com 127 metros de altura e 550 metros de extensão, formou o reservatório. A usina foi inaugurada em 1963 e se tornou, na época, a maior geradora de energia elétrica do país.
A obra respondeu a uma necessidade urgente. Segundo o Acervo Furnas, a usina foi considerada na época a maior hidrelétrica da América Latina, e sua localização entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro ajudou a evitar um colapso no fornecimento de energia na década de 1960. A paisagem que hoje atrai turistas nasceu, portanto, de um projeto pensado para abastecer o Sudeste.
Como os cânions de Capitólio se formaram?
Com rocha antiga e muita água. Segundo a Revista Sagarana, ao avançar sobre os paredões, o lago passou a ocupar a formação conhecida como Cânions de Furnas, uma grande fenda cercada por paredões de quartzito, rocha resistente formada principalmente por quartzo, com até 80 metros de altura em alguns pontos.
Esses vales profundos foram escavados pela água dos rios em escala de tempo geológica, muito antes de existir a usina. Com o lago, a água subiu e transformou os cânions em corredores navegáveis, permitindo que os visitantes cheguem de barco ao pé dos paredões e das cachoeiras.
O que fazer em Capitólio?
O roteiro gira em torno do lago e da natureza ao redor. Estes são alguns dos programas mais procurados.
Como aproveitar o passeio com mais segurança?
Escolhendo bem a época e quem conduz o passeio. O ideal é contratar operadores autorizados, usar colete salva-vidas durante a navegação e acompanhar a previsão do tempo antes de sair, porque chuvas fortes podem mudar as condições do lago e dos paredões em pouco tempo.
Também vale respeitar as áreas de restrição e as orientações das autoridades locais, que acompanham a visitação nos cânions. Planejar o passeio para os meses mais secos, entre maio e setembro, ajuda a garantir dias de céu limpo, águas mais tranquilas e melhores condições para aproveitar a paisagem.

Como é o clima de Capitólio ao longo do ano?
O verão é muito chuvoso, e o inverno, seco e ameno. Dezembro concentra 280 mm de chuva em média, enquanto julho registra apenas 11 mm, e as temperaturas ficam entre 13°C e 28°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma paisagem desenhada pela água e pela engenharia
Capitólio mostra como uma obra feita para gerar energia pode transformar uma região inteira. A usina de Furnas represou o Rio Grande, criou um lago de dimensões gigantes e tornou navegáveis os cânions de quartzito que antes ficavam escondidos entre vales. Hoje, o mar de Minas é um dos cenários mais procurados do estado, onde natureza e engenharia dividem o mesmo horizonte.
Você precisa navegar pelos cânions em um dia de céu limpo, parar diante de uma cachoeira que cai direto no lago e imaginar os vales que ficaram debaixo d’água para entender como nasceu o mar de Minas.




