Chega-se ao Jalapão por estradas de areia vermelha que se estendem por horas até o horizonte abrir em morros achatados. A região do leste do Tocantins reúne dunas altas, cachoeiras de água esverdeada e nascentes tão fortes que sustentam o corpo humano na superfície.
O parque estadual que ancora a região
O núcleo do turismo local é uma unidade de conservação de proteção integral. O Parque Estadual do Jalapão foi criado pela Lei Estadual nº 1.203, de 12 de janeiro de 2001, e concentra mais de 158 mil hectares no município de Mateiros, com limites nas divisas de Ponte Alta do Tocantins, São Félix do Tocantins e Novo Acordo.
Segundo o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), o parque forma um corredor ecológico com outras três unidades vizinhas: a Área de Proteção Ambiental do Jalapão, com 467 mil hectares, a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, com 716 mil hectares, e o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, com quase 730 mil hectares.
Esse conjunto abriga cerrado ralo, campos limpos, veredas de buriti e mananciais que alimentam três grandes bacias hidrográficas. O ingresso aos principais atrativos passa pelo controle do Naturatins.

O que fazer no Jalapão em uma semana?
Os pontos mais procurados ficam próximos entre si, mas as distâncias entre um e outro se resolvem em estrada de terra, quase sempre com veículo 4×4. Os itens abaixo estão entre os atrativos descritos pelo Naturatins.
- Dunas do Jalapão: cartão-postal da região, formadas por areia de quartzo alaranjada, mais fotografadas ao pôr do sol.
- Serra do Espírito Santo: trilha com vista aberta sobre a chapada, ponto de nascer do sol para os visitantes.
- Fervedouros: nascentes que jorram do lençol freático com pressão tão alta que impedem o banhista de afundar.
- Cachoeira da Velha: queda em ferradura no Rio Novo, a maior do parque, usada também como trecho de rafting.
- Cachoeira do Formiga: poço de água verde-esmeralda com fundo de areia branca, acessível por trilha curta.
- Pedra Furada: formação de arenito esculpida pelo vento na região da Serra do Espírito Santo.
- Comunidade Mumbuca: povoado quilombola onde se produz o artesanato tradicional de capim dourado.
Boa parte dos passeios exige guias credenciados e reserva antecipada. A visitação a alguns atrativos, como as dunas, tem horário definido pelo Naturatins.
O capim que virou joia com selo do INPI
A economia da região se ramifica na palha dourada colhida nos campos úmidos. O capim dourado (Syngonanthus nitens) tem hastes de brilho metálico que são costuradas com fio de buriti pelas artesãs locais.
O trabalho ganhou reconhecimento oficial. O artesanato do Jalapão recebeu Indicação de Procedência do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2011, sob registro IG 200902, e foi a primeira Indicação Geográfica concedida no país para um produto artesanal.
A área geográfica delimitada pelo INPI cobre oito municípios: Mateiros, São Félix do Tocantins, Ponte Alta do Tocantins, Novo Acordo, Santa Tereza do Tocantins, Lagoa do Tocantins, Lizarda e Rio Sono.
Como é o clima do Jalapão durante o ano?
O clima é tropical de savana, com estação chuvosa concentrada entre outubro e março. Fora dessa janela, as estradas de terra ficam mais firmes e o céu costuma abrir logo cedo.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo, cidade-base Mateiros. Condições podem variar.

Como chegar à região do Cerrado tocantinense?
A porta de entrada mais comum é Palmas, capital do estado, que recebe voos domésticos. De lá o percurso até Mateiros é feito em cerca de sete horas pela TO-247, com trechos pavimentados e trechos de terra.
Outras bases possíveis são Ponte Alta do Tocantins, mais próxima de quem vem do sul, e São Félix do Tocantins, no extremo leste. Dentro do parque, o transporte é feito por operadoras locais em veículos preparados.
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O deserto brasileiro que ninguém esperava
Poucos destinos no país reúnem dunas, cachoeiras, veredas e um artesanato que carrega selo federal na mesma paisagem. O silêncio do Cerrado ainda é a trilha sonora principal do lugar.
Você precisa passar alguns dias no Jalapão e ver o pôr do sol de cima das areias alaranjadas.



