Um dono de casa pagou R$ 21 mil pela troca do telhado e teve uma surpresa ao encontrar suas telhas antigas anunciadas para venda na internet. Na história fictícia de Marcelo, o prestador de serviço retirou o material durante a reforma, mas a negociação não previa que ele poderia ficar com as peças.
Reforma de R$ 21 mil termina com descoberta inesperada
Marcelo havia contratado um profissional para substituir o telhado de sua residência, depois de enfrentar problemas com infiltrações durante os períodos de chuva. O serviço incluía a retirada das telhas antigas, a instalação da nova cobertura e a limpeza do local, tudo pelo valor combinado de R$ 21 mil.
Durante a obra, o proprietário acompanhou a retirada das peças e percebeu que parte delas ainda estava em boas condições. Como o profissional se encarregou de transportar o material, Marcelo acreditou que as telhas seriam destinadas ao descarte adequado, sem imaginar que elas poderiam ter valor de revenda.

Telhas antigas aparecem em anúncio publicado na internet
Alguns dias depois da conclusão do serviço, Marcelo pesquisava materiais de construção usados quando encontrou um anúncio que chamou sua atenção. As fotografias mostravam telhas semelhantes às retiradas de sua casa, organizadas em lotes e oferecidas por um vendedor que ele reconheceu como o prestador responsável pela reforma.
Ao comparar as imagens com fotografias feitas durante a obra, Marcelo identificou características que o fizeram suspeitar de que se tratava do mesmo material. Ele procurou o profissional para pedir esclarecimentos e questionou por que as telhas haviam sido colocadas à venda sem uma autorização expressa, já que o contrato não estabelecia a transferência de propriedade das peças retiradas.
O prestador pode vender materiais retirados de uma reforma?
A resposta depende do que foi combinado entre as partes. Contratar a retirada e o transporte de materiais não significa, automaticamente, autorizar sua comercialização. O artigo 422 do Código Civil determina que os contratantes devem observar os princípios de probidade e boa-fé tanto na formação quanto na execução do contrato.
Além disso, o artigo 6º, inciso III, do Código de Defesa do Consumidor assegura o direito à informação adequada e clara sobre produtos e serviços. Se o profissional pretendia ficar com materiais que ainda possuíam valor econômico, essa condição deveria ter sido esclarecida na negociação, especialmente quando pudesse influenciar o preço ou a decisão do contratante.

Quem tem direito ao dinheiro obtido com a venda das telhas?
Se as telhas continuavam pertencendo ao dono do imóvel e não houve acordo autorizando sua venda, o prestador pode ser obrigado a devolver os materiais ou responder pelo valor correspondente, conforme as circunstâncias. O artigo 884 do Código Civil estabelece a obrigação de restituir o benefício obtido por enriquecimento sem justa causa, observados os requisitos legais.
Mas existe uma diferença entre retirar entulho e receber materiais como parte do pagamento. Quando o contrato prevê que telhas, portas, janelas ou estruturas usadas ficarão com o profissional, a destinação pode ser legítima. No caso de Marcelo, a principal questão seria comprovar o que foi efetivamente combinado, inclusive por mensagens, orçamento, recibos e testemunhas.
Como evitar conflitos durante a retirada de materiais de construção
Antes de iniciar uma reforma, o proprietário deve solicitar um orçamento por escrito que detalhe não apenas os serviços e os valores, mas também o destino dos materiais removidos. É recomendável especificar se as peças serão devolvidas, descartadas, doadas ou entregues ao contratado, evitando que uma simples retirada seja interpretada como autorização para revenda.
A história de Marcelo é inteiramente fictícia e foi criada apenas para ilustrar uma situação que pode surgir em reformas residenciais. Os personagens, a contratação de R$ 21 mil e a descoberta do anúncio fazem parte dessa simulação, sem referência a um caso real comprovado. O contexto serve exclusivamente para explicar cuidados contratuais e possíveis direitos do consumidor, cuja aplicação depende das provas e das circunstâncias de cada situação.




