“Uma informação qualquer.” “Duas informações…?” É justamente aí que muita gente trava, porque o plural parece fugir da lógica comum: em vez de “qualqueres” ou “quaisqueres”, a forma correta é quaisquer, com a marca de plural aparecendo no meio da palavra.
O plural de qualquer nasce dentro da própria palavra
A explicação fica mais clara quando se observa a formação histórica de qualquer. A palavra resulta da união de “qual” com “quer”, forma ligada ao verbo querer: ao passar para o plural, “qual” transforma-se em “quais”, enquanto o segundo elemento permanece igual.
O resultado é quais + quer = quaisquer. O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa explica justamente que o plural ocorre no interior porque “qual” admite a forma “quais”, enquanto “quer”, originalmente uma forma verbal, não recebe a marca nominal de plural.

É por isso que quaisqueres não é a forma padrão
Quando alguém escreve “quaisqueres”, acaba colocando uma segunda marca de plural onde ela não é necessária. A palavra já está no plural quando aparece como quaisquer, portanto acrescentar “-es” no final não cria uma forma mais completa nem mais formal.
A Infopédia, da Porto Editora, registra a mesma regra: apenas o elemento “qual” varia. Assim, temos “qualquer problema” no singular e “quaisquer problemas” no plural, sem alteração no elemento final.
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A regra fica fácil quando aparece em frases comuns
A estranheza diminui quando a palavra é colocada em situações do cotidiano. Em todos os exemplos, basta observar se o substantivo ao qual ela se refere está no singular ou no plural para escolher entre qualquer e quaisquer.
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O erro costuma aparecer porque o ouvido espera que palavras terminadas em R formem o plural com “-es”, como ocorre em mulher/mulheres e lugar/lugares. “Qualquer”, porém, conserva sua formação histórica particular e cria uma exceção bastante conhecida na língua.
O elemento quer ainda guarda a memória do verbo querer
Hoje, quem diz “qualquer pessoa” normalmente não pensa em duas palavras separadas. Historicamente, porém, a estrutura conserva a presença de qual + quer, e essa origem ajuda a explicar por que a flexão não segue simplesmente o padrão de outras palavras terminadas em R.
Um material acadêmico sobre dúvidas frequentes da língua portuguesa também explica que “quer” corresponde à terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo querer. Como elementos de origem verbal normalmente não recebem a marca nominal de plural nesse tipo de estrutura, ele permanece intacto quando “qual” vira “quais”.

Outras palavras compostas também preservam verbos sem plural
O português tem outros casos em que uma forma verbal aparece dentro de uma palavra composta sem receber S. Em guarda-chuva, por exemplo, “guarda” está relacionado ao verbo guardar; em “abre-latas”, “abre” vem de abrir, mas nenhum dos dois passa a “guardas” ou “abres” apenas porque o composto está no plural.
A diferença é que “qualquer” chama mais atenção porque a marca de plural surge no primeiro elemento e fica visível dentro de uma palavra escrita sem hífen. O Ciberdúvidas observa que esse comportamento excepcional explica justamente a frequência de formas equivocadas como “qualqueres” e “quaisqueres”.
Uma regra histórica que ainda aparece na gramática de hoje
A maneira mais simples de não errar é abandonar a ideia de acrescentar “-es” ao final e lembrar da estrutura original. Se existe apenas um elemento, usa-se qualquer; se são dois ou mais, “qual” passa para “quais” e produz “quaisquer”.
Assim, “uma informação qualquer” vira “duas informações quaisquer”. A forma pode parecer estranha porque o português geralmente deixa a marca de plural no final das palavras, mas, nesse caso, séculos de história preservaram uma construção em que o plural continua aparecendo exatamente onde nasceu: no meio da palavra.




