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Homem compra relógio de R$ 2.400 pela internet e descobre que produto era falsificado dez dias após a entrega

Por Daniely Cardoso
28/08/2026
Em Notícias
A diferença entre a negativa imposta a Felipe e a solução amparada pelas normas jurídicas não está na marca do produto, mas no cumprimento dos prazos legais de garantia.

A diferença entre a negativa imposta a Felipe e a solução amparada pelas normas jurídicas não está na marca do produto, mas no cumprimento dos prazos legais de garantia.

Ao adquirir um relógio falsificado em e-commerce por R$ 2.400, Felipe acreditava ter feito uma compra legítima. Dez dias após o recebimento, o relojoeiro confirmou a fraude e a falta de certificados. Ao pedir a devolução, o site negou o estorno pelo fim do prazo de sete dias. O caso é fictício, mas mostra como as regras do país barram essa prática abusiva.

Como começou a compra do relógio pela internet?

O planejamento de Felipe envolveu meses de economia para adquirir um acessório durável para o ambiente corporativo. A oferta visualizada em uma grande plataforma de comércio eletrônico parecia segura, com avaliações positivas de outros clientes e entrega rápida.

Confiando na credibilidade da intermediadora, ele efetuou o pagamento de R$ 2.400 no cartão de crédito. A expectativa era receber uma peça autêntica com estojo original, manuais de fábrica e certificado de garantia internacional.

A comercialização de itens falsificados é tratada como desconformidade grave nas relações comerciais brasileiras

Leia também: Mulher herda apartamento de praia avaliado em R$ 450 mil, anuncia para aluguel por temporada e condomínio exige retirada do anúncio por regra da convenção

O que aconteceu quando a falsificação foi descoberta?

A encomenda chegou dentro do cronograma, mas a ausência do cartão de autenticidade despertou dúvidas imediatas em Felipe. Ao levar o acessório a uma assistência técnica credenciada, o laudo pericial confirmou que o item se tratava de uma réplica sem procedência.

No décimo dia após a entrega, o comprador abriu um chamado na central de atendimento solicitando a devolução do dinheiro. A resposta foi uma recusa sumária de reembolso, sob o argumento de que o prazo de arrependimento de sete dias havia expirado.

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O que o Código de Defesa do Consumidor diz sobre produto falso?

A comercialização de itens falsificados é tratada como desconformidade grave nas relações comerciais brasileiras. O artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor determina que os fornecedores respondem solidariamente pelos vícios de qualidade que tornem os produtos impróprios para o consumo.

O artigo 26 da mesma legislação garante o prazo de 90 dias para reclamar de vício oculto em produtos duráveis. Essa contagem legal se inicia no momento exato em que o comprador constata a fraude técnica, e não na data de entrega do pacote.

Qual é a responsabilidade da plataforma de vendas pelo produto?

Muitas plataformas virtuais tentam se esquivar da responsabilidade alegando que apenas intermediam anúncios de lojistas parceiros. No entanto, o Judiciário brasileiro pacificou o entendimento de que a empresa que lucra com a transação integra a cadeia de fornecimento solidária.

Diante da comprovação pericial da cópia não autorizada, o consumidor tem o direito garantido de receber a restituição integral do valor pago com correção monetária, além de poder exigir a exclusão imediata do vendedor fraudulento do catálogo.

. A oferta visualizada em uma grande plataforma de comércio eletrônico parecia segura, com avaliações positivas de outros clientes e entrega rápida.

Por que a lei diferencia o arrependimento do vício oculto?

O prazo de sete dias foi concebido para compras remotas em que o consumidor desiste da compra por questões estéticas ou funcionais. A entrega de uma mercadoria falsificada viola a boa-fé objetiva disciplinada no Código Civil brasileiro em seu artigo 422.

As regras protetivas existem para impedir que a venda ilícita seja acobertada por regras operacionais curtas. A legislação impede que os comerciantes transfiram os riscos da ilicitude para quem pagou o preço de mercado esperando um produto original.

O que muda quando comparamos a resposta da loja com o caminho legal?

A diferença entre a negativa imposta a Felipe e a solução amparada pelas normas jurídicas não está na marca do produto, mas no cumprimento dos prazos legais de garantia.

A comparação entre a postura da loja e o procedimento exigido pela lei fica evidente na tabela:

EtapaO que a plataforma fezO que a lei exige
Recebimento Entrega da mercadoriaEntregou réplica sem certificaçãoExige produto autêntico com garantia
Prazo Contagem da reclamaçãoLimitou o direito a sete diasGarante noventa dias para vício oculto
Atendimento Suporte ao compradorNegou o estorno unilateralmenteDetermina restituição integral do valor
Responsabilidade Venda no marketplaceIsentou o portal de responsabilidadeAplica responsabilidade solidária à empresa

O que se aprende com a história de Felipe?

A história de Felipe é fictícia, mas a frustração ao pagar por um bem de valor elevado e receber uma imitação atinge consumidores com frequência. A busca por comodidade nas compras online não era o problema, e o erro esteve em aceitar a primeira recusa do suporte sem acionar as garantias legais.

Quem realmente quer resolver a compra de um produto falsificado precisa seguir esse roteiro: obter declaração por escrito de assistência técnica autorizada, formalizar o pedido de cancelamento anexando o laudo e registrar reclamação no Procon para exigir o estorno bancário. É mais trabalhoso do que uma devolução comum, mas é o procedimento que resguarda o patrimônio e combate fraudes comerciais.

Tags: consumidore-commerceFalsificaçãoProcon
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