Até o fim dos anos 1970, Ouro Branco, em Minas Gerais, era uma pequena cidade de passado colonial, com ruas estreitas, casario antigo e uma igreja barroca do século XVIII. Então chegou uma grande obra industrial: uma usina siderúrgica estatal. Para abrigar milhares de trabalhadores, a cidade ganhou um plano urbano moderno, com bairros inteiros desenhados do zero. O resultado é uma paisagem rara, em que a vila do ciclo do ouro convive com uma cidade planejada para o aço.
Como era Ouro Branco antes da siderúrgica?
Pequena e rural. Segundo o projeto Histórias de Ouro Branco, do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), até o fim da década de 1970 viviam na cidade cerca de 4 mil pessoas, a maioria em áreas rurais. A cidade, com casario centenário e a Matriz de Santo Antônio, de 1779, havia se emancipado de Ouro Preto em 1956.
Tudo mudou com a escolha do local para a usina. O mesmo projeto registra que Ouro Branco foi escolhida para sediar a construção da Usina Presidente Arthur Bernardes, da antiga Açominas, a partir de 1976. Segundo uma dissertação da PUC Minas, a empresa foi implantada no território em 1976 e inaugurada em 1985, depois de quase uma década de obras.

Como a nova cidade foi planejada?
Com zonas e bairros desenhados do zero. Segundo um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o plano urbano desenvolvido pela Fundação João Pinheiro dividiu a cidade em zonas funcionais: urbana, industrial, agrícola e de preservação. Na zona urbana, os novos bairros foram distribuídos entre os funcionários de acordo com o cargo ocupado na usina.
A ambição era enorme. Um resumo de pesquisa do IFMG registra que a cidade planejada deveria atender cerca de 60 mil habitantes, e que se estimava que a população de Ouro Branco chegaria a 180 mil habitantes em 20 anos. O mesmo estudo cita bairros como Primeiro de Maio, Metalúrgicos, Siderurgia, Pioneiros e Inconfidentes, cujos nomes lembram o mundo do trabalho e a história de Minas.
Como a cidade se transformou?
A virada de Ouro Branco aconteceu em menos de uma década. Estes são os principais marcos, segundo as fontes consultadas.
O plano foi concluído?
Só em parte. Segundo o estudo da UFMG, durante a construção a usina sofreu cortes de orçamento por causa das crises econômicas do país, e a cidade acabou se consolidando apenas com a primeira fase do planejamento habitacional previsto no projeto inicial. Por isso, Ouro Branco não chegou perto dos 180 mil habitantes imaginados.
Ainda assim, a cidade cresceu muito. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ouro Branco tem hoje cerca de 40 mil habitantes, dez vezes mais do que no fim dos anos 1970. Para o visitante, a cidade oferece um contraste curioso: de um lado, o centro histórico com a igreja barroca; do outro, bairros planejados com traçado moderno, criados para receber o aço.
Como é o clima de Ouro Branco?
Ameno, por causa da altitude. Segundo o Climatempo, janeiro é um dos meses mais chuvosos, com cerca de 264 mm de chuva em média, enquanto julho registra apenas 12 mm, com mínima de 11°C. O inverno é seco e fresco, e o verão concentra as chuvas.
A melhor época para caminhar pelo centro histórico e pelos bairros planejados é o inverno, com céu limpo e temperaturas agradáveis durante o dia. Leve agasalho para as noites e manhãs, que costumam ser frias na região serrana.

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Duas cidades em uma
Ouro Branco mostra como uma decisão industrial pode redesenhar uma cidade inteira em poucos anos. A pequena vila do ciclo do ouro, com 4 mil moradores, ganhou nos anos 1970 um plano urbano pensado para até 180 mil pessoas e bairros inteiros para os trabalhadores de uma siderúrgica. O projeto não foi concluído, mas deixou uma cidade dupla, onde o passado colonial e o planejamento moderno convivem lado a lado.
Você precisa caminhar do centro histórico de Ouro Branco até os bairros planejados para os trabalhadores da usina para entender como uma vila colonial virou, em poucos anos, uma cidade do aço.




