Poucas cidades mudaram tanto de perfil ao longo de um século. Campina Grande, no agreste da Paraíba, cresceu como entreposto de tropeiros, virou um dos grandes centros de comércio de algodão no início do século XX e, décadas depois, passou a ser lembrada pela produção de software e pelas pesquisas de sua universidade. Do fardo de algodão ao código de computador, a trajetória ajuda a entender a força de uma das maiores cidades do interior nordestino.
Por que Campina Grande cresceu no meio do agreste?
Pela posição entre o litoral e o sertão. Segundo a Prefeitura de Campina Grande, a cidade se espalha por um platô a quase 600 metros de altitude, na Serra da Borborema, e essa localização foi decisiva para seu crescimento como ponto de ligação entre o litoral e o sertão, entreposto comercial e pouso de tropeiros com suas mercadorias.
A vocação de comércio veio antes da indústria. Um estudo publicado na revista da Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica mostra que a cidade começou como uma feira de gado e, com o tempo, transformou-se em centro comercial, base que preparou o terreno para o ciclo do algodão.

Por que a cidade foi chamada de Liverpool brasileira?
Pelo comércio de algodão. O mesmo estudo registra que Campina Grande se transformou no segundo maior centro exportador de algodão do mundo, e que essa cultura promoveu uma verdadeira revolução no município. A comparação com Liverpool, na Inglaterra, que concentrava o comércio mundial do produto, deu à cidade o apelido de Liverpool brasileira.
A ferrovia foi decisiva. Segundo a Revista Continente, o trem chegou em 1907, ligando Campina Grande ao porto do Recife, essencial para a exportação do algodão, e marcou o início da modernização da cidade. O estudo de história econômica registra que o declínio do algodão, a partir da década de 1940, abriu espaço para as atividades industriais.
Como Campina Grande virou referência em tecnologia?
Com a universidade e as empresas de software. Segundo a Prefeitura, em abril de 2001 a revista americana Newsweek citou Campina Grande como uma das nove cidades do mundo que representavam uma nova vertente de centro de tecnologia, e em 2003 a cidade voltou a ser chamada de Vale do Silício brasileiro.
Por trás disso estão instituições locais. A Prefeitura registra que a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba foi responsável pela origem de mais de 60 empresas de tecnologia, e que a cidade reunia dezenas de empresas produtoras de software, com profissionais de formação superior e especializada. A universidade federal da cidade é peça central nesse ambiente de pesquisa e inovação.
O que visitar em Campina Grande?
O roteiro passa pela memória do algodão e pela cidade de hoje. Estes são alguns destaques.
O que une o algodão e a tecnologia?
A vocação para o comércio e a inovação. A Prefeitura cita, entre as pesquisas que reforçaram a fama tecnológica da cidade, os estudos sobre o melhoramento genético do algodão colorido natural, que nasce com fibras em tons de marrom e verde, dispensando parte do tingimento. É uma forma curiosa de ligar o passado e o presente da cidade.
Para o visitante, essa trajetória está na paisagem urbana. O museu instalado na antiga estação lembra o ciclo do algodão, enquanto os prédios da universidade e do parque tecnológico mostram a cidade que se reinventou a partir do conhecimento. Campina Grande é, ao mesmo tempo, guardiã de uma história comercial e laboratório de novas ideias.
Como é o clima de Campina Grande ao longo do ano?
O clima é quente, com pouca chuva e noites mais frescas. Abril registra 66 mm de chuva em média, enquanto novembro tem apenas 14 mm, e agosto tem mínima de 18°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma cidade que trocou o fardo pelo código
Campina Grande mostra como uma cidade do interior pode se reinventar sem perder a vocação de origem. O entreposto de tropeiros virou centro mundial do comércio de algodão, ganhou o apelido de Liverpool brasileira com a chegada do trem e, décadas depois, passou a ser lembrada como Vale do Silício do Nordeste. Entre museus, açudes e laboratórios, a cidade convida a conhecer as várias fases de sua história.
Você precisa visitar o Museu do Algodão, caminhar ao redor do Açude Velho e conhecer o ambiente universitário da cidade para entender como Campina Grande passou do algodão à tecnologia.




