A 290 km de Porto Alegre, no exato centro geográfico do Rio Grande do Sul, Santa Maria reúne 282 mil habitantes, três universidades e o solo com os dinossauros mais antigos do mundo já datados. A cidade combina a primeira federal do interior do país, uma vila operária belga do início do século XX e sítios paleontológicos do período Triássico.
A cidade que virou berço da interiorização do ensino superior
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi criada pela Lei 3.834-C, de 14 de dezembro de 1960, e instalada oficialmente em 18 de março de 1961, tornando-se a primeira universidade federal do país criada fora de uma capital. O feito colocou o Rio Grande do Sul como primeiro estado brasileiro a ter duas universidades federais.
O campus principal, no bairro Camobi, ocupa 1.863 hectares e oferece 89 cursos de graduação. Segundo dados da UFSM, a cidade concentra cerca de 30 mil estudantes universitários somando a federal, a Universidade Franciscana (UFN) e o Instituto Federal Farroupilha. O Hospital Universitário de Santa Maria é referência de alta complexidade para mais de 1,3 milhão de pessoas da região central.

Fósseis de 233 milhões de anos: o Geoparque Quarta Colônia da UNESCO
O subsolo de Santa Maria guarda um dos maiores acervos paleontológicos do país. A região central abriga sítios do período Triássico, anteriores aos grandes dinossauros do Jurássico, com fósseis de até 233 milhões de anos catalogados em 22 municípios que integram o circuito Paleorrota.
O Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA/UFSM) conduz escavações e pesquisas na área. A cidade é porta de entrada do Geoparque Quarta Colônia, reconhecido em 2023 pela UNESCO como Geoparque Mundial, um dos poucos do Brasil. A formação geológica de Santa Maria já foi apontada como uma das mais antigas do planeta a preservar dinossauros primitivos.
Vila Belga: um pedaço da Europa cravado no interior gaúcho
No centro urbano, um conjunto de casas coloridas se destaca do resto da cidade. A Vila Belga foi planejada em 1901 e inaugurada em 1907 para abrigar funcionários da Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil, empresa ferroviária de origem belga. As moradias foram projetadas nos mesmos moldes das casas operárias de Bélgica e França.
O conjunto é considerado o primeiro habitacional planejado do Rio Grande do Sul. Em 2014, a Mancha Ferroviária, que inclui a Vila Belga, a Gare da Estação e edificações adjacentes, foi tombada como patrimônio histórico nacional. Hoje, o bairro abriga antiquários, cafés e uma feira quinzenal chamada Brique da Vila Belga.

O que fazer em Santa Maria
A cidade concentra atrações urbanas, culturais e naturais em um raio curto. As distâncias entre os principais pontos são pequenas.
- Vila Belga: passeio pelas ruas de casas coloridas do início do século XX, com feira quinzenal e cafés.
- Campus da UFSM: 1.863 hectares em Camobi, com o Planetário e o Museu Educativo Gama D’Eça abertos ao público.
- Catedral Diocesana: marco arquitetônico do centro, com estilo eclético do início do século XX.
- Parque Itaimbé: principal área verde urbana, com feiras, eventos e caminhadas.
- Santuário da Medianeira: palco da maior romaria católica do Rio Grande do Sul, em novembro.
- Theatro Treze de Maio: casa de espetáculos tradicional no centro histórico.
- Circuito Paleorrota: sítios paleontológicos na região central, com o CAPPA/UFSM como referência para visitas técnicas.
- Distritos rurais e Quarta Colônia: propriedades coloniais com produção de queijos, embutidos e vinhos, além de balneários e cachoeiras em Silveira Martins e Vale Vêneto.
Como é o clima em Santa Maria durante o ano
A cidade tem clima subtropical com quatro estações bem definidas. O verão é quente e abafado no centro do estado, e o inverno traz geadas e ocasionais frios rigorosos com o vento Minuano.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar em Santa Maria
De Porto Alegre, o acesso é feito pela BR-290 e pela BR-158, com cerca de 290 km em 3h30 de carro. O Aeroporto Regional de Santa Maria recebe voos regionais, mas a maior parte dos visitantes desembarca no Aeroporto Salgado Filho, na capital gaúcha, e segue por terra.
A cidade é entroncamento rodoviário natural do centro do estado, com acesso rápido a Uruguaiana pela BR-287, Rio Grande pela BR-392 e à Serra Gaúcha por rodovias estaduais.
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A cidade universitária que também guarda dinossauros e casas belgas
Santa Maria reúne em poucos quilômetros a primeira federal do interior do país, um dos maiores centros paleontológicos do Brasil e um bairro europeu que resiste desde 1907. É uma combinação rara de ciência, história e tradição gaúcha que se explica caminhando.
Você precisa passar uma tarde na Vila Belga, subir ao campus da UFSM e entender por que o Coração do Rio Grande virou berço do ensino superior federal do interior brasileiro.




