EXECUÇÃO

Caso Ana Rita: júri dos acusados de matar jovem por engano deve durar três dias

Julgamento dos seis acusados de assassinar Ana Rita Graziela Silva, em outubro de 2016, começou nesta terça-feira (19/10), no Tribunal do Júri do Núcleo Bandeirante. Alvo do grupo era a mãe da vítima

Correio Braziliense
postado em 20/10/2021 00:06 / atualizado em 20/10/2021 00:10
À época do caso, polícia divulgou imagem que indicava a semelhança entre a vítima e a mãe dela — alvo dos criminosos -  (crédito: Divulgação/PCDF)
À época do caso, polícia divulgou imagem que indicava a semelhança entre a vítima e a mãe dela — alvo dos criminosos - (crédito: Divulgação/PCDF)

Começou nesta terça-feira (19/10) — cinco anos após o crime — o julgamento dos seis acusados de matar Ana Rita Graziela Silva, assassinada por engano em 2016. Os réus alegaram que tinham intenção de matar a mãe da vítima, Gilvana Rodrigues Teles, mas confundiram a filha com ela. O julgamento ocorre no Tribunal do Júri do Núcleo Bandeirante e deve durar três dias.

No primeiro dia de julgamento, seis testemunhas foram ouvidas, durante mais de 11 horas de sessão. Nesta quarta-feira (20/10), o júri será retomado às 9h, com prosseguimento aos depoimentos das testemunhas, que respondem às perguntas dos integrantes do Ministério Público, assistente da acusação e advogados dos réus.

Após as testemunhas da acusação e da defesa serem ouvidas, nessa ordem, réus serão interrogados. Concluídos os debates, o juiz responsável pela sessão lê os itens formulados aos jurados, e o júri se reúne na sala secreta para deliberar sobre as questões e apresentar uma decisão. Em virtude da situação de pandemia e das medidas de segurança sanitária necessárias, o acesso à audiência ficou restrito às partes do processo, desde que maiores de 18 anos.

O caso

Tratado, inicialmente, como caso de latrocínio — roubo com morte —, o assassinato de Ana Rita ocorreu em 21 de outubro de 2016. A vítima tinha 21 anos e estava na serralheria da família, no Núcleo Bandeirante, quando foi vítima de um assalto. Os criminosos pediram o celular da vítima — que não tinha o aparelho, pois havia sido assaltada dias antes — e mataram-na com dois tiros na cabeça.

Posteriormente, a polícia descobriu que a ação envolveu um assassinato por encomenda, executado por integrantes de um grupo de extermínio que atuava no Distrito Federal e no Entorno. O alvo era a mãe de Ana Rita, Gilvana Teles. Os criminosos teriam sido contratados por um ex-companheiro dela, o empresário Yuri Germano Tavares de Brito, e receberam R$ 10 mil pela execução.

Planejamento e acusações

A denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) afirma que ele estava insatisfeito com a divisão patrimonial e teria dito ao amigo Jader Rodrigues Batista que pretendia contratar alguém para matar a ex-companheira. Em seguida, Jader teria apresentado Yuri a Cícero Nunes de Lima. Os três, segundo a acusação, teriam recrutado Jobias Rodrigues Batista e Lucas dos Santos Almeida para cometer o crime.

Yuri, Cícero, Lucas e Jobias teriam se reunido com Janilene Ferreira Lima e Jermaine da Silva Rocha para combinar os detalhes da execução. O pagamento seria feito após o assassinato, marcado para acontecer na serralheria da família.

Yuri entregou a foto da ex-companheira para Janilene e Jermaine, que, no dia do crime, ao verem uma mulher com fisionomia semelhante à de Gilvana, a Lucas. Este, por sua vez, entrou na loja, anunciou o assalto e atirou contra Ana Rita.

Yuri, Jobias, Janilene, Jermaine e Jader são julgados por homicídio qualificado. Jobias responde, também, por porte ilegal de arma. Já Lucas, autor dos disparos, é acusado por homicídio qualificado e roubo majorado — com uso de arma de fogo. Cícero também foi denunciado pela participação no crime. Em 2019, ele foi condenado a mais de 28 anos de prisão em regime fechado.

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