Violência

Vídeo mostra agressões cometidas por policial civil do DF contra ex

Na madrugada deste domingo (28/11), a vítima foi golpeada por canivete e ficou ferido nas costas. A cena foi registrada pelo rapaz e servirá como prova das agressões

Darcianne Diogo
postado em 28/11/2021 21:33
 (crédito: Material cedido ao Correio)
(crédito: Material cedido ao Correio)

Vídeos colhidos pela defesa do homem esfaqueado pela policial civil do Distrito Federal servirão para comprovar as agressões sofridas pela vítima durante o período em que manteve relação com a acusada. O Correio revelou em primeira mão que Rafaela Motta, de 40 anos, voltou a ser presa, na madrugada deste domingo (28/11), depois de golpear o ex-companheiro com canivete e furar os pneus do carro dele.

A reportagem também teve acesso ao vídeo gravado pela própria vítima, onde ele mostra os ferimentos causados pela arma branca (veja a filmagem abaixo). O caso de agressão ocorreu perto da casa dele, no SOF Norte. O homem notou um movimento estranho nas redondezas do imóvel e chegou a registrar boletim de ocorrência. Pouco tempo depois, Rafaela teria furado os dois pneus do carro dele.

Em depoimento, o rapaz contou que foi atrás da mulher, quando acabou sendo atingido por ela com dois golpes de canivete nas costas e uma mordida no peito. Na filmagem, o homem mostra como as costas ficaram depois do ferimento. Ele precisou ser encaminhado ao hospital e levou pontos. Rafaela aparece sendo abordada e algemada pela Polícia Militar ao lado. Apesar disso, o caso não é tratado como tentativa de homicídio, mas sim como lesão corporal.

Um outro vídeo gravado pelo homem quando estava no relacionamento, mostra Rafaela o agredindo com vários tapas no rosto e chutes (veja abaixo). Na delegacia, Rafaela assinou um termo circunstanciado de ocorrência (TCO) e foi novamente liberada. Em defesa, ela alegou que passou ocasionalmente pela rua do ex, quando ele tentou correr atrás dela. Disse, ainda, que tentou fugir e, “assustada pegou o canivete na bolsa”, afirmando que o ex pulou sobre ela para imobilizá-la e acabou se lesionando. Questionada sobre ter furado os pneus do carro, a mulher afirmou que não tem envolvimento com o dano e acredita que o próprio ex fez isso para incriminá-la.

Em nota, a PCDF confirmou que a acusada pertence aos quadros da instituição e já responde a Processo Administrativo Disciplinar (PAD) na Comissão Permanente de Disciplina (CPD), a diversos procedimentos na Corregedoria Geral de Polícia (CGP). Informou, ainda, que a servidora está afastada das funções por licença médica. "Ela teve também suas armas recolhidas e a sua restrição será formalmente comunicada ao Juízo", frisou a corporação.


Ocorrências


Rafaella foi presa em 3 de agosto após invadir a Corregedoria da PCDF, no Departamento de Polícia Especializada (DPE), para tentar impedir o depoimento do ex-namorado. Três dias depois, ela teve a prisão preventiva decretada pela Justiça por falsidade ideológica e coação.

Ela chegou a ir para a PFDF, mas foi solta logo depois. Em 2018, a policial ameaçou um homem com quem namorava, segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A vítima relatou que conheceu a agente por meio de um aplicativo de relacionamento. Após desentendimentos entre o casal, o companheiro quis romper a relação, mas ela não aceitava o término e ligava insistentemente para ele.

Em 10 de março daquele ano, a agente esteve no endereço dele, onde ficou por várias horas e só saiu depois de a vítima aparecer e dizer que os dois poderiam se encontrar no dia seguinte. "Nos encontros seguintes e (após) contatos telefônicos, o ofendido insistiu em terminar o relacionamento com a imputada, mas ela não concordou, passou a procurá-lo e a ligar insistentemente para ele, inclusive em seu local de trabalho (Banco do Brasil), gerando-lhe desgastes e transtornos", diz um dos trechos do documento.


Em uma das ocasiões, a policial o ameaçou e disse que ele "estava mexendo com fogo, que faria vexame no trabalho dele para fazê-lo perder o emprego e, ainda, a fim de amedrontá-lo, insinuou que também faria mal aos familiares dele, dizendo que, se contasse alguma coisa, seria pior, que tudo voltaria em dobro para ele e sua família".


Ela foi condenada pela Justiça nesse processo e recebeu pena de restrição de direitos, podendo responder em liberdade. A reportagem tentou contato com a agente, mas não teve retorno até a última atualização deste texto. O espaço permanece disponível para manifestação.

 

 

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