Executivo

Moradores e comerciantes avaliam o fim das atividades da W3 do Lazer

Determinação foi publicada nessa quinta-feira (3/12) e revogou, também, texto que proibia atividades que gerassem aglomerações no Eixão

Renata Nagashima
Bernardo Guerra*
postado em 03/12/2021 06:00
Marilene abriu uma loja na W3 e queria realizar feiras no domingo -  (crédito:  Bernardo Guerra/Divulgação)
Marilene abriu uma loja na W3 e queria realizar feiras no domingo - (crédito: Bernardo Guerra/Divulgação)

O Governo do Distrito Federal (GDF) decidiu encerrar as atividades da W3 do Lazer a partir do próximo domingo. A determinação foi publicada no Diário Oficial do DF de ontem, após o Executivo local avaliar que o fechamento da via resultou em um impacto negativo no comércio da região. No texto, o governador Ibaneis Rocha (MDB) também revogou o decreto que proibia as atividades com aglomeração no Eixão do Lazer.

Inicialmente chamado de Viva W3, o projeto fechava a via aos domingos e feriados entre as quadras 503/703 e 512/912 Sul, funcionando exclusivamente para caminhadas, corridas, bicicletas e veículos não motorizados. Adotado pelos brasilienses como W3 do Lazer, o projeto foi lançado em junho de 2020, junto com a reabertura do Eixão do Lazer, que estava fechado desde março do mesmo ano devido às medidas adotadas no combate ao novo coronavírus. Quando a rodovia voltou a receber o público, ficaram proibidas atividades recreativas e esportivas que gerassem aglomerações.

O GDF justificou que a decisão de fechar a W3 foi tomada no período mais grave da pandemia para oferecer uma opção de passeio ao ar livre à comunidade, quando havia muitas restrições. Agora, com clubes, parques e outras opções de lazer em pleno funcionamento, o Executivo local não vê mais a necessidade de manter a medida. O governo investiu R$ 24,8 milhões em um pacote de obras na W3 Sul, que inclui estacionamentos, reforma de calçadas, paisagismo, sinalização, melhoria asfáltica, troca de iluminação por LED e colocação de novas lixeiras.

Morador da 709 Sul, o tatuador Samuel Florencio Maia, 39 anos, lamenta o fim da W3 do Lazer. "Todo domingo, eu frequentava, assim que começou, passei a levar meu filho para passear, brincar e andar de bicicleta", conta. Ele acredita que a mudança vai diminuir o bem-estar de quem vive na região. "Eu moro na beira da W3 e é barulho de carro toda hora e acidente também, então, domingo era muito tranquilo, era um momento de descanso e silêncio muito necessário para nós", acrescenta.

Luiza Bastos, 70 anos, mora na 709 Sul há 15 anos, de frente para a via W3, e vai sentir falta do espaço para fazer caminhada e passear com o cachorro. "Eu comecei a ir, andava sozinha e com o meu cachorro pela W3. Era muito bom." Dona Luiza diz que vai sentir falta da movimentação do público. "Em 15 anos, eu nunca vi tanta gente passeando e se divertindo na W3, deu vida para a cidade. Deveriam continuar", pede.

Comércio

Em novembro, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista), Edson de Castro, enviou ao governador Ibaneis Rocha um ofício pedindo o fim da interdição da via. Segundo Castro, o fechamento da W3 Sul trouxe "amargos prejuízos'' não só ao comércio imediatamente próximo, mas para estabelecimentos, como a supermercados, restaurantes, bares, lanchonetes e farmácias que funcionam nas quadras 100, 200 e 300.

De acordo com o sindicato, a queda no faturamento passou de 30% por mês depois de junho de 2020. "A W3 sempre foi um problema. Com a via interditada, ficamos com muito mais lojas fechadas, tanto por causa da pandemia quanto por causa dos domingos. Isso atinge muitos supermercados e comércios que os brasilienses não vão andando", argumenta.

No entanto, Maria Tereza Moulaz, 31 anos, proprietária do Mercado do Café, na 509 Sul, diz que a W3 do Lazer transformou os domingos e os feriados nos melhores dias de vendas. "Nós não abríamos nos domingos e nos feriados, justamente, porque a W3 era 'morta' nesses dias. Quando se iniciou a W3 do Lazer, passou a ter uma circulação maior de pedestres, de pessoas e de família, e nós começamos a abrir e foi um impacto extremamente positivo para o nosso negócio. A gente começou a ter uma visitação de uma maneira que a gente nunca imaginava", relata.

Revendedora da loja ColaBora, na 507 Sul, Marilene Pereira, 51 anos, abriu o estabelecimento há 15 dias, com expectativa de realizar feiras e eventos aos domingos e aos feriados na W3. "A loja vai permanecer aberta, mas viemos para cá justamente com o intuito de ter essas feiras, não temos certeza ainda. Foi uma quebra total de expectativas, a gente espera que ele (Ibaneis) volte atrás", afirma.

*Estagiário sob a supervisão de Guilherme Marinho

 

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