Saúde

Campanha de vacinação contra o sarampo segue até início de julho

A capital federal está com diversos pontos de vacinação da doença em todas as regiões. Ultimo balanço mostra que a maioria dos pacientes são adultos. No entanto, a enfermidade é mais grave em crianças

Pablo Giovanni*
postado em 05/05/2022 06:00
 (crédito: Pablo Giovanni/CB/DA Press)
(crédito: Pablo Giovanni/CB/DA Press)

Quando perdeu o certificado de erradicação do sarampo em 2019, o Brasil e as autoridades voltaram a demandar atenção no combate à doença no país, principalmente após dois anos da baixa cobertura vacinal, causada pelo período de pandemia da covid-19. Para incentivar a imunização de crianças entre 6 meses e 4 anos, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) antecipou, na última semana, a campanha em Brasília, que segue até 3 de julho. Atualmente, apenas crianças entre 6 meses e4 anos podem tomar o imunizante. Há postos de vacinação em todas as regiões do DF. Os locais são divulgados diariamente no site de Secretaria de Saúde do DF.

A nutricionista Thatiana Schiffler, 38 anos, garante que vai aproveitar a imunização para proteger o filho da doença. “O Bernardo, para completar a carteira vacinal, precisa tomar a vacina do sarampo. Ele sabe, mesmo com 4 anos, da importância de se imunizar, mesmo não gostando de injeção”, conta. “Tenho muito orgulho de não ter deixado nenhuma vacina passar e, por isso, estou, desde segunda, falando para ele que vamos nos vacinar para tomar a dose do sarampo na sexta. Quanto mais levarmos nossas crianças para se vacinar, mais o Brasil volta a erradicar essa doença”, avalia a moradora de Águas Claras.

Enfermeiro da unidade básica de saúde (UBS) 1 do Cruzeiro Novo, Ismael Santos ressalta que pessoas de outras regiões administrativas vão ao local por ser de fácil acesso e pelo rápido atendimento. “Muitos pais procuram a unidade, aqui, para levar os filhos na parte da manhã, sendo que, à tarde, é um pouquinho deserto. Sabemos da importância da imunização contra esse vírus, e os pais estão vindo em peso. Fico feliz por contribuir e ajudar em um serviço gratuito a comunidade”, afirma Ismael.

Dados

Após a invasão no site do Ministério da Saúde em dezembro passado, informações como a situação epidemiológica do sarampo no Distrito Federal em 2021 foram perdidos. A pasta nacional tenta recuperar os dados. No último levantamento da SES-DF, a maioria dos casos confirmados em 2019 e 2020 tem vínculo com os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Na capital do país,  a maioria dos casos confirmados são de adultos entre 20 e 29 anos, com 12 de 16 confirmações — cerca 75% do total. Em 2019, 273 notificações e 11 diagnósticos. No ano seguinte, houve 41 suspeitas, das quais cinco foram atestadas.

Para a infectologista Ana Helena Germoglio, pelo sarampo ser registrada com casos suspeitos em maior incidências em crianças de até 5 anos, os adultos, muitas vezes, não chegam a procurar pela vacina, mesmo sendo a maioria dos pacientes. Segundo a médica, para que haja um entendimento maior do avanço da doença no Distrito Federal, é necessário ter números atualizados para um controle epidemiológico e um direcionamento específico, principalmente por a enfermidade ter capacidade de matar se não receber o atendimento adequado. “O sarampo é uma doença infecciosa aguda, que acomete principalmente as crianças. Apesar de ser uma doença que, na maioria das vezes, evolui de forma benigna, pode levar complicações graves, como a alteração do sistema nervoso, respiratória. Qualquer doença, por mais leve que seja, que seja imunoprevenível com proteção por meio da vacina, compensa bem mais do que qualquer outro tratamento”, alerta.

Ana Helena Germoglio destaca que existem algumas restrições para tomar a vacina contra o sarampo. “A grande contraindicação é em gestantes e pacientes imunossuprimidos. Temos vários locais de vacinação, então, a população pode se imunizar. É uma vacina barata para o governo e que salva vidas”, explica a infectologista. Os principais sintomas são febre, acompanhada de tosse e/ou coriza e; conjuntivite, com a presença da mancha de Koplik, o que caracteriza a doença.

*Estagiário sob a supervisão de Guilherme Marinho

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