Crime

Assassino da ex deixou bilhete para vítima antes de matá-la a tiros

Wesly Denny, que é CAC e tem registro de ocorrências de violência contra outras mulheres, deixou um recado na casa dele pedindo "perdão", antes de ceifar a vida da ex-companheira

 O assassino era CAC. Em sua casa, foram apreendidas pistolas e um fuzil
 -  (crédito:  Rede Sociais/Reprodução)
O assassino era CAC. Em sua casa, foram apreendidas pistolas e um fuzil - (crédito: Rede Sociais/Reprodução)
postado em 12/01/2024 22:24

O colecionador, atirador desportivo e caçador (CAC) preso por matar a ex-esposa, Taynara Kellen, 26 anos, no Gama, região administrativa do Distrito Federal, na quarta-feira (10/1), afirmou que assassinou a vítima por uma suposta traição. No entanto, o Correio apurou que na casa de Wesly Denny da Silva Melo, 29, foi encontrado um bilhete escrito pelo acusado, afirmando que “isto é só o começo de minha mudança para conseguir o seu perdão”.

De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o bilhete deixado por Wesly desmente a versão do acusado, de que Taynara o traía. As investigações também apontam que Wesly estava determinado a matar a ex, isso porque Taynara saiu três vezes do salão de beleza onde trabalhava ao lado da filha, de 5 anos. Nas três vezes, Wesly recuou por causa da criança. Mas, na quarta, após a vítima sair sozinha, o homem surpreendeu Taynara a tiros, ceifando a vida da ex-companheira.

Para a polícia, a situação corrobora que o acusado não desistiu da tentativa de assassinar a ex-esposa, esperando que a ex-esposa saísse sozinha do estabelecimento. Na audiência de custódia realizada nesta sexta-feira (12/1), o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) decidiu manter Wesly preso. 

Prisão

Pouco mais de 24 horas depois de matar a ex-mulher a tiros no Gama, Wesly foi preso em uma operação das Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e as militares do DF e de Goiás. O assassino estava escondido na casa de um amigo, em Santa Maria.

No mesmo dia da prisão, quinta-feira (11/1), investigadores da 14ª Delegacia de Polícia (Gama) apreenderam o carro e a arma usados para cometer o feminicídio. Temido até por familiares, Wesly tem um histórico violento, marcado por agressões, encarceramento, ameaças de morte e, agora, assassinato. O Correio ouviu pessoas próximas à família de Wesly, que relataram detalhes sobre o passado e a personalidade fria e calculista dele.

O primeiro feminicídio de 2024 vitimou Taynara Kellen, 26, mulher com quem Wesly conviveu por cerca de 10 anos e teve uma filha, de 5. O relacionamento do casal era conturbado, segundo amigos e familiares da jovem. Entre términos e reconciliações, Taynara enfrentava uma série de violências, desde a psicológica até a física. A jovem era constantemente agredida, mas relutava em registrar ocorrência na delegacia por medo. Dizia que o ex-sogro, pai de Wesley, um PM aposentado, o defenderia e que não resultaria em nada.

"Eu pedi para ele deixá-la em paz por várias vezes. Ela queria seguir a vida dela. Era uma pessoa trabalhadora, que sempre foi fiel a ele, mas ela nunca a respeitou", contou uma pessoa, a quem a reportagem chamará de Bruna*.

Amigos da vítima afirmam que o motorista de transporte por aplicativo mantinha um relacionamento extraconjugal e, por isso, Taynara resolveu colocar um ponto final na relação. Há uma semana, o casal estava separado, mas, inconformado, Wesly quis tirar a vida da ex. Foragido, a Polícia Civil, sob a coordenação do delegado William Ricardo, da 14ª DP, fez diligências ao longo do dia de ontem em endereços ligados ao investigado. Entre eles, um rancho de propriedade do irmão de Wesly, em Corumbá 4, em Goiás.

Após a coleta de informações, os policiais descobriram o paradeiro do motorista. Wesly foi preso na casa de um amigos, na QR 317 de Santa Maria. "Compartilhamos informações com a PM de Goiás e com a PCDF sobre o suposto esconderijo do autor. A PMGO tomou conhecimento, a partir de denúncias, que ele poderia estar em Santa Maria. Diante disso, conseguimos localizá-lo e prendê-lo", destacou o tenente Pedro Henrique, da PMDF.

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