
Por trás das portas de vidro de uma das lojas mais tradicionais de móveis em Taguatinga, pulsa uma história viva que se confunde com a própria trajetória da cidade. Quando José Luís Dias fala sobre a Móveis German, é impossível separar a memória afetiva do legado empresarial. Presidente da empresa fundada por seu pai, o espanhol Germán Dias, ele guarda com nitidez e emoção os passos que transformaram uma marcenaria improvisada em um símbolo de sucesso e identidade taguatinguense.
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"Meu pai veio da Espanha só com uma caixa de ferramentas e coragem. Ele acreditava em Brasília como o novo Eldorado", lembra José Luís. Era 1960 quando Germán chegou à capital brasileira. Em meio ao Cerrado vermelho e poeirento, ajudou a construir com as próprias mãos não só janelas e portas para os palácios de Brasília, mas também um sonho: a fundação da Móveis German, bem no coração de uma Taguatinga que começava a nascer.
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A cidade não era nada além de mato e barracos improvisados. A loja foi uma das primeiras da região, localizada até hoje na QI 5. "Eu nasci num barracão em frente à marcenaria, na QI 4", conta o empresário, rememorando com carinho uma infância simples. Ao longo das décadas, a loja sobreviveu às transformações urbanas, às crises econômicas e às mudanças no perfil de consumo. "Tivemos até um caminhão que meu pai dirigia até Santa Catarina para buscar toras de madeira. Era uma aventura de 15, 20 dias", relembra. "Toda a nossa raiz está aqui. Taguatinga é a nossa identidade. Foi aqui que nascemos, crescemos e resistimos".
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