CRÔNICA DA CIDADE

Autoajuda não me ajuda: fugir da culpa e respeitar meu ritmo é o caminho que escolhi

A todo o tempo, somos bombardeados por informações, reflexões e dados que nos jogam na cara o quanto estamos cuidando mal da nossa saúde e dedicando pouco tempo às coisas que "realmente importam"

Ao fazer a meditação na ioga, o cérebro trabalha mais lentamente, reduzindo a agitação que costuma causar instabilidade emocional e que enfraquece o sistema imunológico. Portanto, a ioga é vista como importante instrumento de defesa do organismo. -  (crédito: Imagem de Anil sharma por Pixabay)
Ao fazer a meditação na ioga, o cérebro trabalha mais lentamente, reduzindo a agitação que costuma causar instabilidade emocional e que enfraquece o sistema imunológico. Portanto, a ioga é vista como importante instrumento de defesa do organismo. - (crédito: Imagem de Anil sharma por Pixabay)

Não sou adepta da autoajuda. Os livros e conteúdos com dicas do que fazer para se sentir melhor ou "em paz com a vida e o que ela me traz" geralmente ficam fora da minha lista de leituras. O motivo é simples: sinto que a pressão de seguir os conselhos dos renomados autores me deixa mais tensa e culpada por não colocá-los em prática ou não me esforçar o suficiente para alcançar dias melhores.

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O que me impulsiona e me encanta, por outro lado, é ler histórias e relatos reais de profissionais e de mulheres que passam pelos mesmos desafios diários de conciliar amigos, família, trabalho e descanso e saber que, na maior parte das vezes, o que ajuda mesmo é aprender a respeitar o próprio ritmo e diminuir as cobranças.

A todo o tempo, somos bombardeados por informações, reflexões e dados que nos jogam na cara o quanto estamos cuidando mal da nossa saúde e dedicando pouco tempo às coisas que "realmente importam". E aí o ciclo, que deveria ser virtuoso, transforma-se numa espiral de ruídos e de desespero que nos leva a duvidar da nossa capacidade de ser feliz e de cuidar de quem amamos.

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Talvez eu esteja aqui fazendo um pouco do que renego nas primeiras linhas. Mas reforço que minha intenção é simplesmente compartilhar uma sensação que assombra. Também não se trata de uma crítica a quem lê ou escreve obras de autoajuda, cada um tem a sua praia e se prepara para encarar o mundo com as melhores armas que lhe são oferecidas. 

Para alguns, é a música calma e desacelerada; para outros, a batida forte do rock em volumes que comprometem até a saúde auditiva. Tem gente que busca energia na água gelada das cachoeiras e há quem prefira o calor dos saunas ou a água morna de um banho demorado. Alguns encontram conforto na adrenalina, e um tanto considerável de pessoas só quer mesmo momentos de ócio prolongados como feriados que emendam no fim de semana.

Acontece que meu discurso pode ser bonito nestas linhas escritas aos primeiros dias de 2026, mas representa também uma bela desculpa para a procrastinação. De vez em quando, preciso me apegar ao "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima". Afinal, entrar no modo 'despreocupado' por muito tempo oferece o risco da estagnação. Neste janeiro chuvoso da minha Brasília, prometo tratar com carinho as prioridades e encontrar o equilíbrio ideal entre sprints e desaceleração. E você, qual meta vai perseguir no ano novo?

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postado em 11/01/2026 16:17 / atualizado em 11/01/2026 16:20
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