SAÚDE PÚBLICA

Saiba o impacto da retirada de vacinas do calendário de imunização nos EUA

Ao CB.Saúde, pediatra Andréa Jácomo, professora de medicina no Centro Universitário de Brasília (Ceub), destacou a importância da vacinação e falou sobre a situação do Brasil

Andrea Jácomo (E), pediatra e professora do Ceub, em entrevista ao CB.Saúde. Na bancada, Carmen Souza (C) e Sibele Negromonte
       -  (crédito:  Bruna Gaston CB/DA Press)
Andrea Jácomo (E), pediatra e professora do Ceub, em entrevista ao CB.Saúde. Na bancada, Carmen Souza (C) e Sibele Negromonte - (crédito: Bruna Gaston CB/DA Press)

Os impactos da recente medida adotada nos Estados Unidos (EUA) de excluir seis vacinas recomendadas para crianças no calendário de imunização foram tema do CB.Saúde — parceria entre Correio e TV Brasília — desta quinta-feira (8/1). As jornalistas Carmen Souza e Sibele Negromonte entrevistaram a pediatra Andréa Jácomo, professora de medicina no Centro Universitário de Brasília (Ceub). 

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O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) passou a classificar as vacinas entre aquelas que continuam sendo recomendadas, as indicadas apenas para grupos de risco e as que devem ser discutidas entre as famílias e os pediatras. As vacinas atingidas pela medida são contra hepatite A e B, gripe, meningococo, vírus sincicial respiratório e rotavírus.

Para Andréa Jácomo, além do impacto na saúde coletiva, a retirada desses imunizantes também gera custos elevados à população norte-americana.

“Como lá não existe o Sistema Único de Saúde (SUS), isso significa um custo direto para as famílias, que precisam decidir se vão pagar ou não pela imunização. Além disso, são vacinas caras, dentro de uma estratégia isolada do CDC”, explicou a especialista.

Segundo a pediatra, esse impacto financeiro está diretamente relacionado ao aumento de internações evitáveis. O rotavírus, por exemplo, retirado da lista, provoca entre 40 mil e 50 mil internações por ano nos EUA. “Muitas vezes, se pensa que é ‘apenas uma diarreia’, mas a diarreia e a desidratação estão entre as principais causas de morte em crianças menores de cinco anos”, alertou.

Ainda em relação ao rotavírus, a pediatra lembrou que o Brasil mudou de cenário em 2006, com a inclusão da vacina no calendário nacional. “Mesmo com uma única cepa disponível na rede pública, a vacinação reduziu de forma significativa as internações e as mortes por desidratação decorrentes da diarreia”, ressaltou.

Hepatite e sarampo

Andréa Jácomo destacou a importância da vacina contra a hepatite B, que previne a transmissão vertical da mãe para o bebê. “Após a introdução da vacina, houve uma redução de 89% dos casos, algo que não é alcançado com medicamentos. Situação semelhante ocorre com a bronquiolite, que teve redução de cerca de 50% dos casos após um ano de vacinação.”

A especialista reforçou a importância da vacinação para a população brasileira e fez uma comparação com o cenário norte-americano, alertando para os riscos de se relativizar a imunização.

“Não dá para copiar modelos estrangeiros. Se observarmos o sarampo, nos EUA foram registrados mais de dois mil casos e três mortes em uma única temporada. No Brasil, em 2018, houve mais de nove mil casos e 12 mortes apenas na região Norte, sobretudo em crianças não vacinadas. Nos EUA, 69% dos casos ocorreram em crianças e adolescentes, e 93% eram não vacinados. Estamos falando de vacinas seguras, que salvam vidas”, concluiu.

Assista à entrevista

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postado em 08/01/2026 16:19 / atualizado em 08/01/2026 21:38
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