
O depoimento de Luiz Fernando Conceição Trindade à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) reforçou a gravidade do homicídio que vitimou André Vitor, 18 anos. Segundo os autos a que o Correio teve acesso, o acusado não apenas confessou participação direta no crime e na ocultação do cadáver, como também demonstrou frieza emocional e desprezo.
Na declaração, Luiz Fernando confirmou que ele e o comparsa mataram e enterraram o jovem. Questionado sobre arrependimento, afirmou não se lamentar pelo assassinato em si, manifestando pesar apenas pelas consequências do crime para a própria família e para os parentes de André. Ainda segundo o depoimento, o investigado declarou que, à época, acreditava estar cometendo um “crime perfeito” e afirmou que repetiria a conduta, o que, na avaliação da polícia, evidencia uma personalidade voltada à banalização da violência extrema.
Para os investigadores, a postura do acusado demonstra risco concreto de reiteração delitiva e reforça a necessidade da manutenção da prisão preventiva.
Desaparecimento
André Vitor estava desaparecido desde 4 de janeiro, quando saiu de casa, por volta das 16h, em uma motocicleta, após marcar um encontro pelas redes sociais. O corpo do jovem foi localizado na tarde dessa terça-feira (13/1), enterrado em uma cova rasa no lote de uma chácara em São Sebastião.
As investigações da 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião) apontam que o suposto encontro foi, na verdade, uma emboscada planejada por dois homens, ambos de 20 anos. Para atrair a vítima, a dupla utilizou um adolescente como isca, que se infiltrou nas redes sociais de André e marcou o encontro em uma casa na região conhecida como Baía dos Carroceiros.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
Segundo a polícia, o crime foi motivado por vingança. Os autores acreditavam que André havia furtado uma motocicleta pertencente a um deles.
De acordo com o delegado-adjunto da 30ª DP, Ronney Matsui, ao chegar ao local combinado, André foi rendido e atacado com golpes de faca. Durante a execução, um dos agressores feriu gravemente a própria mão ao escorregar para a lâmina, o que resultou no rompimento de um tendão.
O suspeito chegou a ser submetido a cirurgia no Hospital do Paranoá, onde alegou falsamente que o ferimento teria ocorrido ao cortar um coco.
Ainda conforme apurado, após o homicídio, um dos autores utilizou um carrinho de mão para transportar o corpo da vítima até uma área rural de difícil acesso, onde o jovem foi enterrado próximo a um córrego. A motocicleta de André foi levada para o estado de Goiás e trocada por outro veículo, numa tentativa de eliminar vestígios do crime.
A dupla foi presa e responderá por ocultação de cadáver, além de ser indiciada por homicídio qualificado.

Cidades DF
Cidades DF