
De dentro de um carro com teto solar, José Jailson de Sousa, 51 anos, gravou um vídeo em agradecimento a clientes e profissionais do setor imobiliário. Ao final da gravação, convidou quem sonha com a casa própria e ofereceu um leque de opções. “Trabalhamos com imóveis de baixo, médio e alto padrão, em áreas urbana e rural, em Brasília e no Entorno”, afirmou.
Jailson integra o grupo de empresários da imobiliária Itamaraká, sediada em Águas Lindas de Goiás (GO). Por trás da divulgação institucional e do paletó, no entanto, a polícia identifica uma série de crimes graves atribuídos ao corretor. O mais recente, nessa terça-feira (13/1), resultou na prisão dele por esbulho possessório, após ameaçar um homem de 50 anos e ordenar a invasão de um lote localizado no Itamaracá, na Quadra 9. O esbulho é um tipo de lesão possessória caracterizado pela perda da posse ou da propriedade de um determinado bem.
Assista ao vídeo:
O corretor é um “velho conhecido” da cidade e passou a integrar o quadro societário do escritório imobiliário em 12 de setembro de 2025, conforme registros da Receita Federal. A data coincide com a abertura formal da empresa. Nas redes sociais, porém, a narrativa é diferente: a imobiliária se apresenta como atuante há mais de 20 anos, “realizando sonhos”.
Sonho que virou pesadelo para um homem de 50 anos, morador de Águas Lindas, e proprietário de um terreno de 2.100 metros quadrados. A certidão no Registro de Imóveis de Águas Lindas comprova a compra da área pelo valor de R$ 5 mil. Na semana passada, ele foi ao terreno e pediu a um rapaz que passasse a máquina no lote. Retornou ao local nessa terça-feira e foi surpreendido.
Na versão contada à polícia, o comprador disse que encontrou máquinas limpando a propriedade, sem o seu consentimento. Com uma pistola em mãos, Jailson desceu de uma caminhonete Toro, afirmou a vítima, e ameaçou. “Você está querendo tomar meu lote, você pode vazar daqui. Isso tudo é nosso”, teria disparado o corretor.
Prisão
Acionada, a Polícia Militar foi ao terreno, conversou com o proprietário e saiu na busca por Jailson. Ele foi abordado ainda na região e, no porta-luvas, estava a pistola 9mm usada para a ameaça. Jailson prestou depoimento na delegacia na companhia de três advogados. Negou conhecer a vítima, tampouco tê-lo ameaçado. Quanto à arma, afirmou deter o registro de CAC e justificou estar indo a um clube de tiros.
Ao Correio, a delegada do caso, Lorenna Peres, afirmou que a vítima tem a escritura pública do lote e é proprietário legítimo. “O autor fazia a segurança da obra por meio de arma de fogo restrita, a qual não tem autorização para portar, e estava a bordo de uma Toro para garantir a invasão”, detalhou. De acordo com a investigadora, o caso não é isolado. “Essa é uma situação crônica e, infelizmente, muito comum em Águas Lindas. Temos muita venda ilegal de lotes, e os criminosos que fazem isso usam de intimidação para assegurar as invasões.”
Jailson foi autuado por porte ilegal de arma de fogo e esbulho possessório e passará por audiência de custódia. A reportagem entrou em contato com a defesa do corretor. Por nota, Geraldo Martins, um dos advogados que o representa, classificou Jailson como um “cidadão respeitável”, reconhecido por sua “conduta ilibada.”
Segundo o advogado, a arma encontrada tem registro válido. “Na ocasião, ele se deslocava para um estande de tiro, atividade lícita e devidamente autorizada pela legislação vigente”, defendeu. Acrescentou que os fatos serão plenamente esclarecidos no curso do processo, “no qual ficará demonstrada a inexistência de qualquer prática criminosa, razão pela qual a defesa confia no reconhecimento de sua inocência pelo Poder Judiciário”.
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