
Precarizados, vandalizados e alguns nem existentes. Construídos para proteger passageiros do sol forte e das chuvas frequentes do Distrito Federal, os abrigos de ônibus nem sempre cumprem sua função. Passageiros reclamam de estruturas quebradas, o que torna a espera pelo transporte coletivo ainda mais penosa. A Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) reconhece os desafios enfrentados pela população, destaca ações de manutenção e substituição e anuncia a implantação de novos abrigos.
A estudante de fisioterapia da Universidade de Brasília (UnB), câmpus de Ceilândia, Larissa Silva, 28 anos, moradora de Samambaia, disse que a situação da paradas em frente à instituição é ruim, principalmente em dias chuvosos. "Havia uma proteção de vidro atrás, mas foi quebrada e fica molhando tudo. Já cheguei a pegar chuva aqui", relatou.
Moradora da Guariroba, a autônoma Thaís Souza, 33, utiliza a mesma parada todos os dias. Ela afirmou que a qualidade dos abrigos na região é bem precária. "É muito complicado devido ao deterioramento das paradas e ao vandalismo. E, nessa época de chuva, fica bem díficil para nós que somos usuários do transporte público." No local, o banco do abrigo ainda está solto, e há partes enferrujadas.
A empreendedora relatou que a falta de abrigo adequado afeta, principalmente, quem sai cedo para trabalhar. "Já passei muito perrengue com chuva de madrugada, que é o horário que a gente sai cedo e, infelizmente, a parada está mais cheia, por conta do horário de pico. A gente tem que ficar se espremendo e acaba se molhando", contou Thaís.
Na QNP 32, no P Sul, a recepcionista Beatriz Aparecida, 23, descreveu que os abrigos estão abandonados. "Está bem precário, a gente não tem estrutura. Como tem apenas essa placa, quando chove, a gente pega chuva, às vezes, tem que ficar do outro lado da parada por causa das árvores, para conseguir mais sombra e se proteger da chuva", disse.
Segundo ela, algumas estruturas estão seriamente comprometidas. "Tem umas que estão até partindo no meio, bem precárias", enfatizou. As consequências são sentidas no dia a dia. "Já cheguei no trabalho encharcada e suada também por causa do sol. Está muito difícil", reclamou.
A Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) explicou que locais onde não há paradas, como o ponto onde Beatriz utiliza, situado em frente a estabelecimentos comerciais, são áreas sem espaço físico disponível para a implantação de abrigo. "Em fevereiro de 2025, a Semob instalou uma placa para sinalizar a parada de ônibus e favorecer o embarque e desembarque de passageiros. Cabe esclarecer que o espaço necessário para um abrigo de concreto Tipo C é de, pelo menos, 3 metros, além da calçada", acrescentou.
Medidas
De acordo com a Semob, o Distrito Federal possui, atualmente, 7.146 pontos de parada de ônibus, entre eles 5.417 contam com abrigos de passageiros. Apenas em 2025, foram implantados 654 novos abrigos em paradas de 20 regiões administrativas, além da realização de 156 manutenções em 10 Regiões Administrativas.
A pasta ainda informou que, desde janeiro de 2019, o Governo do Distrito Federal construiu 1.613 abrigos, sendo 1.234 de concreto e 379 de metal e vidro. Ainda no ano passado, 110 abrigos usados, considerados mais desgastados, foram substituídos por estruturas novas.
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Segundo a secretaria, a região de Ceilândia é uma das mais afetadas por atos de vandalismo. No ano passado, 49 abrigos metálicos com fechamento em vidro danificados foram substituídos por modelos de concreto, considerados mais resistentes. Os demais passaram por manutenção corretiva realizada pela empresa concessionária.
A Semob informou ainda que 2 mil novos abrigos de concreto serão implantados em todo o DF a partir de janeiro de 2026 e que está em processo de licitação para ampliar os serviços de manutenção. Segundo a pasta, os modelos são padronizados, abrigo comum Tipo C e abrigo reduzido, e os locais de instalação, manutenção ou substituição são definidos por análise técnica e pelas solicitações feitas pelos usuários à Ouvidoria da Semob ou às administrações regionais.
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