
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) instaurou uma força-tarefa para investigar a série de ataques coordenados contra ônibus do transporte público da empresa Urbi ocorridos na noite da última quinta-feira, em diferentes regiões administrativas do Distrito Federal. A ofensiva resultou em 57 veículos danificados, deixou sete pessoas feridas e colocou em risco passageiros e trabalhadores de um serviço essencial.
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A medida, segundo a corporação, foi adotada desde as primeiras ocorrências, com a mobilização de equipes de diversas delegacias para identificar os responsáveis. De acordo com o porta-voz da PCDF, delegado Lúcio Valente, a resposta rápida busca dar celeridade às investigações diante da gravidade dos fatos. "Desde o primeiro momento, a Delegacia-Geral criou uma força-tarefa envolvendo diversas delegacias para que os autores sejam identificados e levados à Justiça", afirmou.
Os ataques ocorreram enquanto os ônibus estavam em operação, transportando passageiros. Vidros foram atingidos por pedras e bolinhas de gude, provocando estilhaços dentro dos veículos. Sete pessoas sofreram ferimentos leves. As ações foram registradas em ao menos seis regiões administrativas — Núcleo Bandeirante, Samambaia, Taguatinga, Recanto das Emas, Ceilândia — além da via Epia.
A principal linha de investigação aponta que os atos de vandalismo podem ter sido motivados por represália a demissões recentes de funcionários da empresa Urbi, dona dos veículos atingidos. Segundo o secretário de Transporte e Mobilidade, Zeno Gonçalves, a depredação dos ônibus foi uma ação articulada. De acordo com o titular da pasta, há indícios de envolvimento de um grupo dissidente da atual diretoria do sindicato da categoria, que teria incentivado ou organizado os ataques. O secretário informou que a empresa disponibilizou imagens das câmeras internas dos ônibus e dados de GPS com a localização exata das ocorrências.
Como medida preventiva, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) intensificou o policiamento no entorno das garagens da Urbi. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP/DF), o reforço ocorre principalmente nas unidades localizadas no Recanto das Emas e em Samambaia, locais de recolhimento dos veículos após as viagens.
Em nota, a Urbi afirmou que os ataques colocaram em risco a vida de passageiros, motoristas e demais pessoas, além de comprometerem diretamente a prestação do transporte público. A empresa explicou que acionou imediatamente as autoridades e que está colaborando integralmente com as investigações, fornecendo todas as informações necessárias para a apuração dos fatos. "Repudiamos qualquer forma de violência. A segurança de passageiros, trabalhadores e da comunidade é prioridade absoluta", destacou a empresa.
A PCDF reforça que a colaboração da população é fundamental para o avanço das investigações. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 197. "Caso alguém tenha qualquer informação que possa ajudar o trabalho da Polícia Civil do Distrito Federal, pode e deve denunciar", destacou Lúcio Valente. As investigações seguem em andamento, e novas diligências não estão descartadas. Até o fechamento desta edição, 10 ônibus que foram alvo dos ataques seguiam em manutenção.
Saiba Mais
Ana Carolina Alves
RepórterFormada em Jornalismo pela Universidade de Brasília, com interesse na cobertura de pautas de direitos humanos, justiça e questões sociais
Carlos Silva
RepórterFormado em Jornalismo na Universidade de Brasília (UnB). É repórter na editoria de Cidades do Correio Braziliense. Tem interesse em jornalismo de dados e temas ligados à segurança pública.

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