
Em meio a incertezas envolvendo a relação entre o BRB e o Banco Master, o deputado distrital Eduardo Pedrosa (União Brasil), presidente da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa (CLDF), defendeu cautela, responsabilidade fiscal e rebateu especulações, ontem, em entrevista ao CB. Poder — parceria entre o Correio e a TV Brasília. Aos jornalistas Ana Maria Campos e Ronayre Nunes, o distrital avaliou o cenário de segurança econômica e detalhou o papel da CLDF na fiscalização do caso, que repercute no tabuleiro político em ano eleitoral.
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Nos últimos dias, surgiram notícias de que a situação fiscal do DF talvez não esteja tão confortável quanto se imaginava. Como o senhor avalia esse cenário?
Quando o governo fala em controlar as contas, em regular gastos, está buscando ter responsabilidade com aquilo que ele pode fazer ao longo do ano. Sempre que entramos em um novo ano, como o atual, diante de um cenário de incerteza e insegurança nacional e local, naturalmente precisamos ter uma visão mais pessimista das coisas.
O Distrito Federal também é impactado pela incerteza em torno do Banco Master e pela relação que o BRB teve com a instituição. Caso seja necessário um aporte de recursos — fala-se em até R$ 4 bilhões —, o GDF teria condições de fazê-lo? De onde sairia esse dinheiro?
O GDF tem uma saúde financeira diferenciada em relação a outros estados do Brasil. Tem patrimônios de grande valor e ativos importantes. Mas tudo isso ainda está no campo da especulação. Enquanto ficar no campo especulativo, é difícil falar com precisão.
Caso esse aporte aconteça, pode afetar áreas essenciais, como saúde, educação e segurança?
O próprio governador deu uma declaração dizendo que não haverá redução nos orçamentos da saúde, da educação ou da segurança pública. Inclusive, houve reajustes consideráveis para as forças de segurança no último ano, mostrando o compromisso do governo com essa área. Mas é ruim trabalhar com hipóteses. É melhor trabalhar com aquilo que é real. Vamos aguardar os próximos meses, quando teremos informações corretas.
Como presidente da Comissão de Orçamento, de que forma o senhor avalia a atuação dos mecanismos de fiscalização desde o início da relação entre o BRB e o Banco Master até agora?
As especulações são muito perigosas. Desde o início, quando chegou à Câmara a necessidade de votar um novo presidente para o BRB, tentamos agir com a maior celeridade possível. Em um cenário de crise, com informações desencontradas, não podemos ter uma instituição como o BRB sem um presidente. Fizemos a análise do currículo, uma sabatina responsável, para colocar alguém que pudesse responder pela instituição. A ideia sempre foi garantir a credibilidade do banco.
A Câmara tem algum compromisso formal de acompanhamento desse caso?
Um dos compromissos assumidos pelo presidente do BRB conosco, na Comissão de Orçamento, é que em fevereiro ele fará uma primeira prestação de contas. Assim que sair o resultado da auditoria, seremos informados para poder atuar, contribuir, fiscalizar e, se necessário, buscar responsabilizações.
No ano passado, a CLDF aprovou a autorização para negociação envolvendo o Banco Master. Hoje, olhando para trás, houve falha nesse processo?
Existe uma narrativa equivocada de que a Câmara aprovou a compra de um banco pelo outro. A Câmara não tem essa prerrogativa. O que nós aprovamos foi uma autorização para negociação. A aquisição só poderia ocorrer após a aprovação do Banco Central do Brasil. Se o Banco Central negasse, o processo morreria. O que se discute, hoje, é a aquisição de títulos, algo que nunca passou pela Câmara.
Esse debate acontece em um ano eleitoral. Como o senhor avalia o impacto político desse caso?
É preciso separar o que é real do que tem fundo político. Existem adversários que usam todo tipo de ferramenta para chegar ao poder. Nosso papel é representar a população. Apoiamos o governo, quando acreditamos nas ações, e fiscalizamos quando é necessário. Acredito que o governo vai trazer informações para que possamos opinar com responsabilidade.
O cenário com Celina Leão candidata ao Palácio do Buriti e Ibaneis Rocha ao Senado está consolidado? O União Brasil aceita essa composição?
Acredito que sim. Claro que na política tudo pode mudar, mas existe uma construção coletiva muito sólida sob a liderança do governador. Tenho uma grande relação com ele e, se for candidato ao Senado, estarei apoiando e seguindo a orientação para apoiar a vice-governadora Celina Leão. Acredito que o DF precisa de continuidade para concluir o que já foi iniciado.

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