INVESTIGAÇÃO

Amib afirma que conduta de técnicos de enfermagem investigados é gravíssima

Associação de Medicina Intensiva Brasileira disse que os episódios ocorridos no DF não refletem o trabalho da enfermagem. Marcos Vinícius Silva, Amanda Rodrigues e Marcela Camilly Alves são investigados pela morte de três pacientes

Técnico de enfermagem presente em uma das reanimações -  (crédito: Reprodução/Câmeras de segurança)
Técnico de enfermagem presente em uma das reanimações - (crédito: Reprodução/Câmeras de segurança)

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), que representa os médicos intensivistas do país, divulgou uma nota na qual define como "condutas individuais gravíssimas" os crimes dos quais são suspeitos Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos; Amanda Rodrigues de Sousa, 28; e Marcela Camilly Alves da Silva, 22. O trio é investigado por provocar, intencionalmente, as mortes de três pacientes, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. 

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A Amib reforçou que UTIs são ambientes altamente regulados por protocolos assistenciais e que os episódios recentes ocorridos no Distrito Federal não refletem a prática cotidiana nessas unidades, tampouco o trabalho da enfermagem e das equipes multiprofissionais. Por fim, a associação disse que acompanha os desdobramentos do caso e manifestou solidariedade às famílias das vítimas — Marcos Moreira, 33; Miranilde Silva, 75; e João Clemente Pereira, 63. 

Confira a nota da Amib

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira ressalta à população a segurança e qualidade dos serviços de UTI Diante das recentes notícias de mortes de pacientes causadas por profissionais técnicos de enfermagem, em uma UTI em Taguatinga, no Distrito Federal, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) vem a público destacar os seguintes pontos:

1) Episódios dessa natureza configuram condutas individuais gravíssimas, incompatíveis com os princípios éticos, legais e técnicos que regem a assistência em saúde no país, e não refletem, em hipótese alguma, a prática cotidiana nas Unidades de Terapia Intensiva brasileiras, nem o trabalho da enfermagem e das equipes multiprofissionais;

2) As UTIs são ambientes altamente regulados por protocolos assistenciais rigorosos, possuem monitorização contínua e contam com atuação integrada de equipes multiprofissionais, contribuindo com a recuperação da saúde e a preservação da vida de milhares de pacientes, diariamente;

3) A entidade permanece atenta aos desdobramentos desse caso, que deve ser apurado pelas autoridades com o devido rigor, transparência e celeridade. A AMIB manifesta solidariedade às famílias e amigos das vítimas e reafirma seu compromisso inegociável com a segurança do paciente, a qualidade da assistência e a defesa de boas práticas em terapia intensiva, colocando-se à disposição da sociedade para contribuir tecnicamente com todas as iniciativas que fortaleçam a confiança, transparência e segurança nas UTIs brasileiras.”

São Paulo, 21 de janeiro de 2026

Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB)

O Conselho Regional de Enfermagem (Coren-DF) também se manifestou e iniciou uma apuração preliminar após a prisão dos técnicos de enfermagem. A gestão da entidade se reuniu, nessa quarta-feira (21/1), com o delegado à frente do caso, Wisllei Salomão, para pedir acesso aos autos do processo, que corre em sigilo.

"O Coren-DF está protocolando pedido formal de acesso aos autos, a fim de acompanhar os desdobramentos dentro dos limites legais", disse, em nota.

Conforme o que for apurado, a penalidade aos envolvidos pode ir de uma advertência até o cancelamento permanente do registro profissional.

O que diz o hospital

Nessa quarta, o Hospital Anchieta também divulgou uma nota de esclarecimento informando que as famílias das vítimas envolvidas no caso foram contatadas pessoalmente pela direção do hospital imediatamente após a autorização da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que foi oferecido apoio psicológico profissional e que se mantém à disposição das famílias.

Veja a nota do Hospital Anchieta: 

O Hospital Anchieta acompanha os desdobramentos do caso, e permanece atuando com a mesma transparência e ética com que pautou sua atuação desde o início.

Em razão disso, esclarece que as famílias das vítimas envolvidas no caso foram contatadas pessoalmente pela direção do hospital imediatamente após autorização da Polícia Civil do DF, com respeito, acolhimento e total transparência sobre os fatos. Foram chamados os familiares cadastrados no hospital, que receberam os esclarecimentos necessários, os quais ficaram de cientificar os demais familiares de acordo com sua livre escolha.

Neste contato, o hospital ofereceu apoio psicológico profissional, mantendo-se à disposição permanente das famílias, seguindo com este canal aberto para os familiares cadastrados.

Vale lembrar que o hospital identificou circunstâncias atípicas, investigou em menos de 20 dias e denunciou proativamente à PCDF, disponibilizando toda documentação às autoridades competentes, requerendo inquérito e medidas cautelares, colaborando integral e irrestritamente com as autoridades.

Reafirmamos respeito ao sigilo do paciente, LGPD e o segredo de justiça decretados no processo judicial que se encontra em curso. Solidarizamo-nos com as famílias e reiteramos: a segurança dos pacientes e a justiça são nossa prioridade permanente.

Brasília, 21 de janeiro de 2026

Hospital Anchieta S.A.

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postado em 22/01/2026 15:57
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