
Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, uma das técnicas de enfermagem investigadas por coautoria em três mortes no Hospital Anchieta, já passou por, ao menos, cinco hospitais privados do Distrito Federal, além de participar de processos seletivos para a rede pública de saúde. O principal suspeito, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, também se candidataram a vagas, mas foram eliminados.
Conforme informações de uma rede social, no período em que foi presa, Amanda trabalhava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para adultos de um hospital particular localizado em Taguatinga e na Asa Norte, onde atuou por nove meses. No Anchieta, ela passou pouco mais de um mês, tempo semelhante ao que Marcos trabalhou nesta mesma instituição.
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Nos demais hospitais — com unidades localizadas na Asa Sul, Asa Norte, Taguatinga Sul, Lago Sul, Águas Claras e Gama —, a suspeita tinha como funções a administração de medicações, o atendimento aos pacientes e serviços ligados à enfermagem cirúrgica. Segundos as informações da rede social, iniciou sua atuação em 2019.
Amanda também trabalhou Hospital da Criança de Brasília (HCB) em 2020 por oito dias e pediu desligamento. Em 2024, participou de outro processo seletivo, foi aprovada e trabalhou no HCB por quatro meses. Após o período de experiência, foi desligada. Em 2025, participou de outra seleção do Hospital e foi reprovada. Assim como ela, Marcela tentou ingressar na instituição como jovem aprendiz, em junho de 2022, e foi eliminada.
Já Marcos tentou uma vaga de técnico de enfermagem no Hospital de Base, por meio do processo seletivo do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF), em setembro de 2024. Porém, foi eliminado. O Iges confirmou ao Correio, em nota, que "os três técnicos de enfermagem suspeitos nunca tiveram nenhum vínculo empregatício com o Instituto".
O trio está preso e, agora, a investigação vai apurar se outras pessoas contribuíram para esses crimes e se ocorreram mortes com o mesmo perfil nos outros hospitais onde eles trabalharam.
O crime
O técnico é investigado por administrar medicamentos, em altas doses, em pessoas internadas na UTI do Anchieta para matá-las. Em um dos casos, não obtendo êxito no crime, aplicou desinfetante na veia de uma das vítimas, a professora Miranilde Pereira da Silva, 75. Marcela e Amanda são investigadas por negligência e coautoria.
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Nas redes sociais, Marcos se apresenta como um homem casado e frequentador da igreja Congregação Cristã Brasil. Segundo os investigadores, ele atuava há pelo menos cinco anos como técnico de enfermagem. Também estudante de fisioterapia, o rapaz começou a trabalhar na UTI neonatal de outra instituição particular após ser demitido diante das suspeitas da Comissão de Óbitos do Anchieta.
Conforme apontam as investigações, Amanda trabalhava em outro setor do hospital, mas era amiga de longa data de Marcos. No Instagram, ela se apresenta como mãe, cristã, intensivista e instrumentadora cirúrgica. Em um dos depoimentos, a suspeita confessou manter um relacionamento extraconjugal com o colega de trabalho. Marcela, nova na instituição, era supervisionada por Marcos.
Os três serão indiciados por homicídios dolosos qualificados por meio insidioso, visto que as vítimas não sabiam estar recebendo a substância, tampouco poderiam se defender, considerando que estavam acamadas. A pena varia de 12 a 30 anos. Enquanto o técnico vai responder pelos três crimes, Marcela e Amanda responderão por coautoria em apenas dois, pois não estavam presentes em uma das ocorrências.
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