
Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, investigada no inquérito que apura a morte de três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, desconfia que o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, tenha tentado contra a vida dela enquanto esteve internada na unidade, após intercorrências de uma cirurgia bariátrica.
Segundo o advogado de defesa da técnica, Liomar Torres, Amanda passou por internações sucessivas entre 20 de novembro e 3 de dezembro de 2025. Nesse intervalo, recebeu alta, realizou exames e retornou à unidade. Em 3 de dezembro, Marcos teria aplicado uma substância na veia de Amanda, episódio que, segundo ela, provocou uma alteração cardíaca. “A enfermeira-chefe interveio na época”, afirmou o advogado.
Ainda de acordo com a defesa, após o ocorrido, a enfermeira-chefe do hospital teria reagido dizendo: “O Marcos precisa parar de fazer isso. Não aguento mais esse tipo de situação”. Dias depois, pediu demissão.
O relato foi feito por Amanda ao advogado durante atendimento na Penitenciária Feminina do Distrito Federal. Ao defensor, ela negou veementemente qualquer envolvimento nas mortes investigadas. Disse lembrar que integrou a equipe da UTI em 17 de novembro, data das mortes da professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75, e do servidor da Caesb João Clemente Pereira, 63.
“Ela afirma que nunca colaborou com ele. Em nenhum momento presenciou Marcos manipulando substâncias nas vítimas”, destacou Liomar Torres.
Amanda também relatou ter mantido um relacionamento extraconjugal com Marcos, mas afirmou desconhecer que ele era casado. Segundo ela, o técnico mentiu sobre diversos aspectos da própria vida: disse morar no Riacho Fundo — quando, na verdade, reside em Águas Lindas (GO) —, afirmou cursar fisioterapia e declarou já ter trabalhado no Hospital de Base. Nenhuma das informações se confirmou.
“Ela o descreve como um homem habilidoso, envolvente e de aparência bem-sucedida, mas com forte poder de manipulação”, concluiu o advogado.

Cidades DF
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