
O relógio marcava exatamente 10h quando o antigo Hotel Torre Palace, no Setor Hoteleiro Norte, começou a ruir. Em poucos segundos, o prédio, que já foi sinônimo de conforto e sofisticação em Brasília, transformou-se em escombros, encerrando um ciclo de mais de cinco décadas de história e 13 anos de abandono.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
A implosão ocorreu de forma precisa e controlada. Cerca de 165 quilos de explosivos, distribuídos em aproximadamente mil furos nos pilares, foram acionados após uma contagem regressiva que lembrou uma vinheta de televisão. O impacto foi rápido e cinematográfico, acompanhado por registros feitos por drones e profissionais em helicópteros, que captaram as últimas imagens da estrutura.
O empreendimento, fundado pelo libanês Jibran El-Hadj, enfrentou uma longa deterioração após o fechamento, marcada por disputas judiciais entre sete herdeiros. Localizado em área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o prédio se tornou, ao longo dos anos, um esqueleto urbano em meio à região central da capital.
Para garantir a segurança da operação, uma grande força-tarefa foi mobilizada. Detran, Defesa Civil, Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros atuaram de forma integrada. O Corpo de Bombeiros empregou 55 militares e seis viaturas, enquanto a Polícia Civil permaneceu nas imediações, com equipes da 5ª Delegacia de Polícia, para atendimento de eventuais ocorrências.
Alertas sonoros e mensagens por celular começaram a ser emitidos três minutos antes da implosão, enquanto uma área de isolamento com raio de até 300 metros foi mantida evacuada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). A Defesa Civil verificou, ainda pela manhã, a retirada de pessoas de hotéis próximos, como o Brasília Tower Hotel, Let’s Idea e Nobile Suites.
O trânsito na região passou por alterações significativas. Parte da via N1 foi bloqueada, assim como os acessos ao Setor Hoteleiro Norte pelas vias N1 e N2, interditadas desde o dia anterior. O fluxo pela W3 foi desviado para a N2, e estacionamentos próximos também foram interditados, já que havia previsão de que escombros atingissem áreas vizinhas.
Mesmo com as restrições, o evento atraiu moradores e curiosos, que se concentraram em pontos considerados seguros, especialmente em trechos próximos à Torre de TV, de onde era possível acompanhar a implosão com boa visibilidade.
A escrevente Clécia Freitas, de 49 anos, esteve no local para assistir ao momento histórico. “É uma coisa, assim, que, para mim, nunca tinha visto antes. Apesar de já terem ocorrido outras implosões aqui em Brasília, hoje, como é domingo, eu resolvi vir”, contou. Segundo ela, o prédio sempre chamou atenção pelas notícias envolvendo o abandono. “Eu sei que ele foi inaugurado em 1973 e que ficou abandonado por divergências na família. A gente acompanha um pouco essas informações.”
Para Clécia, a demolição também representa uma questão de segurança. “É importante para não ter pessoas morando dentro e para garantir a segurança. Aqui em Brasília tem crescido muito o problema com usuários de drogas e moradores de rua, e esses prédios abandonados acabam virando ponto disso”, avaliou.
Entre os espectadores estavam também a funcionária pública Isabel Rigotti, de 45 anos, acompanhada de Ayla Suyane, de 16 anos, e Ítalo Rigotti, também de 16 anos. Para Isabel, a curiosidade e o valor simbólico do prédio motivaram a presença da família. “É um prédio histórico, né? E aqui em Brasília uma explosão dessas acaba virando um atrativo. Todo mundo vem para ver.”
Ela também destacou a importância da implosão para a cidade. “A gente acompanhou a situação do prédio. Teve moradores de rua ali, ficou abandonado por muito tempo. Hoje é uma sucata no meio da cidade”, afirmou.
Com a queda do Torre Palace, Brasília se despede de uma de suas construções mais emblemáticas e abre espaço para um novo capítulo urbanístico na região central da capital.

Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF