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CEO da Livre de Assédio alerta para a responsabilidade do setor privado

Ana Addobbati ressalta a importância de treinamentos que possam transformar o ambiente de trabalho e de consumo, como bares e restaurantes

Ana Addobbati - CEO da Organização Livre de Assédio -  (crédito: ED ALVES/CB/D.A Press)
Ana Addobbati - CEO da Organização Livre de Assédio - (crédito: ED ALVES/CB/D.A Press)

A CEO da organização Livre de Assédio, Ana Addobbati, inicia sua reflexão, no segundo painel do CB Debate, relembrando sua trajetória como jornalista em Recife, época em que a cidade registrava índices alarmantes de violência. Essa experiência a motivou a fundar a Livre de Assédio em 2017, com a convicção de que o enfrentamento ao problema exigia o engajamento direto da iniciativa privada.

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"O meu entendimento era que, para eu conseguir endereçar um tema tão complexo, eu tinha que ter a iniciativa privada junto", explica. Ela questionou a lógica de que a segurança da mulher seria uma responsabilidade exclusiva do Estado, notando que estabelecimentos comerciais já protegiam o patrimônio com rigor, mas falhavam no acolhimento de vítimas: "Uma carteira vale mais do que meu corpo? Se eu for assediada, eu não posso pedir ajuda?", questiona.

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Ana apresentou dados práticos sobre como a segurança e o treinamento transformam o ambiente de trabalho e de consumo. Ao relatar um protocolo aplicado em um hotel de Brasília, Addobbati revela que a capacitação reduziu o turnover (rotatividade de funcionários) de 24% para 8%. Para ela, o ambiente de trabalho é um espaço privilegiado de educação e mudança cultural.

"Como é que a gente compartilha uma visão de sociedade que não tolera? E como a gente sabe agir? Quem acionar e como acolher com dignidade? A gente vai transformando cultura", afirma, destacando que o treinamento permite dialogar com homens sobre cidadania e responsabilidade coletiva em locais como bares, restaurantes e grandes eventos.

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Por fim, a CEO alerta para os riscos do desinvestimento em pautas de diversidade e proteção à mulher, comparando a rede de apoio a uma represa que protege a sociedade de um "tsunami" de violência. "Na hora em que as empresas privadas retiram o investimento, esse tecido fica mais frágil e aí o tsunami vem e leva a gente, como enxurrada", adverte. Ela ainda acrescenta que a eficácia das leis e das políticas públicas depende de um esforço contínuo de integração, onde cada setor — Judiciário, Executivo e empresas — saiba o seu papel para evitar que o combate ao feminicídio sofra retrocessos financeiros ou institucionais.

Busca por mudanças

O debate “Pela proteção das mulheres: um compromisso de todos” acontece hoje, a partir das 9h, no auditório do Correio Braziliense, no SIG, com transmissão ao vivo pelas redes sociais. A programação conta com dois painéis centrais: o primeiro, "Do discurso à ação", focado em políticas públicas com a presença de representantes do Ministério das Mulheres e do TJDFT; e o segundo, "O papel da sociedade", que abordará prevenção e engajamento coletivo com líderes comunitários e especialistas.

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A iniciativa ganha relevância diante de um Brasil que, apenas no último ano, registrou 1.470 feminicídios. O encontro é aberto à participação do público, que poderá enviar perguntas presencialmente ou por meio do YouTube do Correio, contribuindo para a construção de caminhos efetivos de acolhimento e proteção às vítimas de violência no DF.

Onde pedir ajuda:

» Ligue 190: Polícia Militar (PMDF)

» Ligue 197: Polícia Civil (PCDF)

» Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres). Por esse canal, também podem ser feitas denúncias de forma anônima, 24 horas por dia, todos os dias.

Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam):

» Deam 1: EQS 204/205, Asa Sul (atende todo o DF, exceto Ceilândia)

» Deam 2: St. M QNM 2, Ceilândia (atende Ceilândia)

» Ouvidoria das Mulheres (Conselho Nacional do Ministério Público): para encaminhamento de denúncias diretamente ao Ministério Público.
WhatsApp: (61) 9366-9229
Telefones: (61) 3315-9467 / 3315-9468

» Ouvidoria Nacional da Mulher (Conselho Nacional de Justiça): para questões e denúncias sobre o andamento de processos judiciais.
Telefone: (61) 2326-4615

Assista ao vivo:

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postado em 27/01/2026 14:06 / atualizado em 27/01/2026 15:13
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