A Escola de Música de Brasília deu início à 47ª edição do Curso Internacional de Verão de Brasília (Civebra). Com oferta de 50 cursos, entre aulas presenciais, nos turnos matutino e vespertino, e virtuais, durante a noite, os alunos desfrutam de cursos de instrumentos tradicionais, como piano, violino e trompete; aulas de guitarra focadas no jazz e blues, bateria, contrabaixo popular e percussão popular; e cursos de produção, como áudio e gravação e vídeo. As aulas ocorrem até 24 de janeiro.
O Civebra é realizado na Escola de Música de Brasília desde 1977. A intenção era trazer as técnicas mais recentes do ensino de música a Brasília, numa época em que a formação musical ficava concentrada no eixo Rio-São Paulo. Na primeira edição, participaram professores dos dois estados, e também estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos, França e Alemanha, fruto de parceiras com as embaixadas. O objetivo era que, no futuro, metade dos professores fossem de Brasília, e a outra metade de fora da cidade. "Hoje, 47 edições depois, o projeto foi muito mais que bem-sucedido. Podemos manter as características principais, que é do intercambio independente de qualquer coisa: nível, idade, sexo ou raça, com as pessoas se respeitando e apoiando" diz o diretor da EMB, Davson de Souza.
Para este ano, o Civebra busca expandir uma necessidade dos alunos: foco em produção. A EMB oferece cursos de áudio e gravação, vídeo e produção musical, e, nesta edição, criou também o curso de trilha sonora. Ao final, a turma de vídeo irá produzir um produto visual, que será acompanhado por uma música composta pelos alunos da turma de trilha sonora numa apresentação ao vivo na Escola.
Durante a duração do Civebra, a EMB promove shows diários e gratuitos no teatro principal da escola, às 19h30, e às 19h, no teatro de câmara da escola. "Algumas, nós já preparamos, mas, depois que o festival começa, elas vão acontecendo a partir da interação de professores e vai sendo marcada dia a dia", explica Souza. "A gente aconselha a comunidade a acessar o site da escola e acompanhar a agenda que vai sendo atualizada. Temos um palco externo, que é espontâneo e fica montado. Nos horários do almoço e entre 18h e 19h, professores e alunos têm acesso para fazer apresentações de última hora, que também são uma grande atração do festival."
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Nesta quarta-feira (14/1), a Escola promove o show Encontro de estrelas, com Rogério Caetano, professor do curso de violão de sete cordas; Larissa Umaytá, que ministra as aulas de percussão popular; e Dudu Oliveira, músico carioca que leciona as aulas de flauta, saxofone, improvisação no Civebra deste ano. A apresentação é gratuita e tem início às 19h30. Rogério Caetano explica que o repertório varia entre músicas autorais e clássicos da música brasileira. "E também coisas que gostamos de tocar, das nossas referências, como Altamiro Carrilho, Dino 7 Cordas e Jorginho do Pandeiro. Vai ser um show bem alto astral, com energia forte, do jeito que a música brasileira é, com muita improvisação e criatividade", afirma.
Musicistas de todos os cantos
Para o curso de verão, a EMB recebe alunos e professores de outros estados e até mesmo de fora do Brasil. É o caso do maestro cubano Joaquín Betancourt, que leciona o curso de big band, da violoncelista Carrie Mae Pierce, americana, e Bart Spanhove, flautista belga. Ian Sampaio, aluno de percussão erudita do Espírito Santo, veio a Brasília para ter aula com Rodrigo Foti, timpanista da Orquestra Sinfônica Brasileira e que lecionou no curso de verão da Escola de Música de Brasília anteriormente. "No Espírito Santo, não temos uma escola de música com essa estrutura. Espero que seja grandioso, que eu aprenda muito para, futuramente, entrar em alguma orquestra", diz.
De Natal (RN), Eduardo Taufic, professor do curso de piano popular, participa pela primeira vez neste ano e compartilha do mesmo sentimento de Sampaio. O músico explica que, apesar de não ser familiarizado com a estrutura da escola, conhece o Civebra desde a adolescência. "O Civebra sempre foi muito difundido no país inteiro, então, desde adolescente, ouço muito falar num curso de Brasília. Este festival é patrimônio para música da cidade e do Brasil", conta.
Vindo de São Paulo, Fernando Sanches é engenheiro de som vencedor do Grammy Latino em cinco ocasiões, professor de áudio e gravação e um dos fundadores do estúdio El Rocha, que participou da gravação e masterização de álbuns como O mundo dá voltas, do Baiana System, e Um mar para cada um, de Luedji Luna, no ano passado. Para o curso, o professor pretende ouvir as demandas dos alunos, muitos já alunos da EMB e que trabalham na área. "Vi que tem muita coisa acontecendo na cidade. Por exemplo, muitos alunos estão envolvidos com sonorização de teatro, uma coisa que, em São Paulo, é muito mais restrita. Deu para perceber que é um nível bem avançado, com uma bagagem teórica grande", afirma.
Um desses alunos é Geovanny Varela, músico e profissional da área de TI de 54 anos, que está em contato com a Escola de Música desde 1992 — na época, estudante de saxofone. Em 2019, voltou à EMB para estudar a flauta transversal e, agora no terceiro curso, áudio e gravação. "O curso de verão acrescenta muita coisa. Primeiro, os professores vêm de fora com experiências diversas — esse, por exemplo, tem Grammys, é campeão na parte de mixagem e masterização e trabalha com artistas nacionais de renome. Ele traz experiências da vivência dele e a tecnologia também, muita coisa que, às vezes, não temos muito acesso aqui em Brasília", diz.
Aluno já formado da Escola de Música de Brasília e professor na edição passada do curso de verão, o baixista Luís Porto comemora a participação do goiano Bororó Felipe, a quem descreve como uma "lenda viva". "Ele já tocou com Beth Carvalho, Moacir Santos, todo mundo", lembra. "Os professores que eles convidam são sempre muito bons. Eu fiz o de baixo todos os anos desde 2020, então, toda vez que chega uma pessoa diferente é uma coisa maravilhosa", conta.
Professora de guitarra popular, a carioca radicada em Brasília Marlene Lima participa do Civebra pela segunda vez, tendo lecionado aulas virtuais no ano passado. O foco são assuntos do jazz, blues e bossa nova. "Eu dou a explicação, coloco no quadro a parte teórica, e depois faço o pessoal tocar", diz sobre as aulas. "É para desinibir o pessoal, entender que o palco é o nosso lugar e também ganhar mais confiança no que faz. Muita gente faz as coisas já em casa, mas quando estão perto de pessoas diferentes, ficam meio tímidas. Então, aqui deu pra perceber que elas conseguiram desinibir", celebra a professora.
*Estagiária sob supervisão de Severino Francisco
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