
Uma organização criminosa investigada pelo furto de 53 caminhonetes de alto padrão no Distrito Federal, ao longo de 2025, tinha como principal estratégia agir em estacionamentos públicos nas imediações de hospitais, onde monitorava as vítimas e aproveitava o tempo prolongado de permanência no local para cometer os crimes. A prática veio à tona durante as investigações da megaoperação conduzida pela Polícia Civil do DF (PCDF). Veja:
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Segundo a PCDF, os criminosos atuavam de forma planejada e estratégica. “As caminhonetes não eram escolhidas ao acaso: o grupo fazia um diagnóstico prévio do local, do horário e do veículo antes de agir. Em muitos casos, os suspeitos acompanhavam o momento em que o motorista estacionava e entrava em unidades hospitalares, cientes de que a vítima ficaria afastada do carro por um período considerável”, explicou o diretor da Divisão de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos I (DRFV I/Corpatri/PCDF), delegado Konrad Rocha.
Após os crimes, as caminhonetes eram levadas para outros estados, onde tinham dois destinos principais: o desmanche para venda ilegal de peças, comercializadas tanto em lojas físicas quanto em plataformas virtuais, ou o envio para regiões de fronteira, onde os veículos eram trocados por drogas que abasteciam o mercado ilegal brasileiro.
Embora parte dos integrantes se instalasse em regiões como Samambaia e Ceilândia, as ações ocorreram com maior concentração em áreas nobres e no Plano Piloto, que passou a registrar o maior número de ocorrências.
Segundo a PCDF, o grupo tinha atuação interestadual e era especializado no furto qualificado de caminhonetes, com foco em modelos como Toyota Hilux e SW4. Entre os alvos da operação estão três investigados apontados como responsáveis pela coordenação das ações e pela logística do esquema nos diferentes estados.
Das 110 ordens judiciais, foram 20 mandados de prisão preventiva, 23 de prisão temporária, 49 de busca e apreensão e 18 de sequestro cautelar de bens, incluindo imóveis, veículos, valores e ativos financeiros. O bloqueio patrimonial chegou a R$15,9 milhões, montante equivalente ao prejuízo causado pelos furtos.
Investigação
As apurações duraram 11 meses e indicaram a existência de uma estrutura criminosa organizada, com divisão de funções e atuação frequente. Após os furtos, as caminhonetes tinham dois destinos principais: desmanche para venda ilegal de peças, inclusive por plataformas digitais, ou envio para regiões de fronteira com a Bolívia e o Paraguai, onde os veículos eram trocados por drogas que abasteciam o mercado ilegal brasileiro.
A PCDF informou que já havia identificado esquemas semelhantes nos últimos anos. Em 2023, uma investigação resultou na prisão de seis pessoas envolvidas no furto de 22 caminhonetes em cinco meses. Em fevereiro de 2025, outra apuração levou à prisão de 33 integrantes de um grupo responsável pelo furto de 29 veículos no Distrito Federal e em Goiás.

Cidades DF
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