Podcast do Correio

Campanha visa garantir folia segura e com respeito

A coordenadora da campanha de segurança carnavalesca "Folia com Respeito", Letícia Helena, aponta os principais protocolos adotados para evitar os assédios nos bloquinhos

Letícia Helena, coordenadora da campanha
Letícia Helena, coordenadora da campanha "Folia com Respeito" - (crédito: Reprodução/CB/D.A Press)

Para curtir o carnaval sem preocupações é essencial garantir um espaço de segurança e acolhimento nos bloquinhos. É isso que a campanha "Folia com Respeito", criada por Letícia Helena, membro da Frente Ampla dos Blocos do DF, propõe, ao colocar o combate ao assédio e à violência como parte central da organização da festa.

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No Podcast do Correio, a coordenadora explicou aos jornalistas Mila Ferreira e José Carlos Vieira as iniciativas para promover a segurança nas festas carnavalescas e destacou a importância de transformar a folia em um ambiente acolhedor para todos os públicos.

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A campanha completa 10 anos e lançou sua carta de compromisso para o carnaval de 2026. "É um protocolo aberto para blocos, plataformas, organizadores e fazedores de carnaval aderirem e, dentro dele, eles aceitam uma série de iniciativas que tomamos para ter um carnaval mais acolhedor e seguro, que é o que almejamos", explica Letícia.  Segundo ela, o documento funciona como um guia de boas práticas que orienta desde a conduta das equipes até a forma de acolhimento do público.

A criação da campanha surgiu de um problema social de violência e vem, desde 2016, buscando alternativas para combater os assédios nos bloquinhos, que acometem principalmente as mulheres e o público LGBTQIAPN .

"Todos querem curtir, decidem que roupa vão usar, que maquiagem vão usar e chegam lá, na hora, sofrem uma violência, um assédio. Isso estraga o carnaval de todos, então, não queremos", ressalta. "Quando criamos essa festa magnífica e chamamos as pessoas para ir às ruas, é justamente para todo mundo curtir junto, celebrar, criar memórias felizes", acrescenta.

Letícia ressalta que a conduta dos organizadores é primordial para construir um ambiente acolhedor nos bloquinhos. "É importante que nenhum organizador, por exemplo, esteja respondendo por racismo, homofobia, LGBTfobia ou alguma questão relacionada à violência contra a mulher", destaca. Para a coordenadora, a postura de quem promove o evento influencia diretamente a experiência do público e estabelece os limites do que é tolerado na festa.

Os blocos que entram na campanha assumem o compromisso de realizar treinamento com as equipes para que saibam respeitar e receber o público diverso. Este ano a campanha agendou dois treinamentos em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional do Distrito Federal (OAB/DF) para os trabalhadores do carnaval. As formações abordam noções de direitos, protocolos de ação e estratégias de prevenção à violência.

Diálogo constante

Segundo a criadora da campanha, as formas de violência que ocorrem no carnaval são as mesmas que acontecem diariamente na sociedade, mas é um momento que ficam em evidência, potencializadas pela grande concentração de pessoas: "A mesma pessoa que assedia em um ônibus, é a pessoa que vai no carnaval com a intenção também de assediar mulheres".

"Na verdade, o carnaval é mais uma forma de educar que a gente tem", aponta Letícia, ao defender o uso da festa como espaço de conscientização coletiva. Para ela, ensino e comunicação é o que falta para combater a violência, e o diálogo deve ser cada vez mais constante para que o público aceite previamente as condutas de respeito nos ambientes festivos do carnaval. "Quando se afixa um cartaz informando que o assédio é proibido naquele local, inibe-se os assediadores presentes", reforça.

A coordenadora pontua que o carnaval é um momento de curtir, viver novas experiências, de beijar na boca, conhecer novas pessoas, mas com limites estabelecidos, baseados em consentimento. "É um ponto de encontro onde todos estão mais abertos.

Mas isso não significa que qualquer pessoa que esteja ali, independentemente da roupa que esteja vestindo, para sofrer uma violência. Tudo tem um limite muito claro e bem definido que temos que respeitar", conclui, reforçando que liberdade e responsabilidade precisam caminhar juntas para que a festa seja segura.

*Estagiária sob supervisão de Patrick Selvatti

 

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postado em 05/02/2026 06:00
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