
O carnaval de 2026 contou com um efetivo de 8,5 mil policiais e apostou em inovações como a "Sala Lilás", de prevenção e combate à violência de gênero. Segundo a comandante-geral da PMDF, coronel Ana Paula Habka, as ocorrências diminuíram ou foram de pequeno porte. Em entrevista ao CB.Poder — uma parceria entre o Correio e a TV Brasília, a comandante fez um balanço positivo da folia, detalhou o cronograma de reposição da tropa — com previsão de novo concurso para 2027 — e comentou sobre a atuação policial em episódios recentes de confronto envolvendo um parlamentar e organizadores de blocos. Confira os principais trechos da conversa:
Houve importunações contra mulheres neste carnaval?
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Percebemos que, com a Sala Lilás, uma inovação itinerante da Polícia Militar, que estava na Rodoviária do Plano Piloto e em blocos de maior público, tivemos poucos atendimentos, porque isso foi uma ação de prevenção. O nosso planejamento é focado, em primeiro lugar, na prevenção e, depois, na proteção. É importante para que a mulher se sinta acolhida. Algumas não chegaram a ter problemas com importunação sexual, nem assédio. Mas, mesmo assim, procuraram saber como funcionava. Pegavam um informativo que distribuímos para saber como lidar. Pretendemos manter essa Sala Lilás em grandes eventos que acontecem em Brasília. Futebol, shows e o aniversário da capital federal. Pretendemos sempre inovar e ver o que precisamos melhorar.
Qual foi o efetivo policial na folia deste ano?
Aumentamos um pouco mais o efetivo em 2026. O carnaval de Brasília, graças à segurança também, tem se ampliado. As pessoas estão ficando em Brasília, tivemos a presença de muitos turistas. Aqui, contamos, em média, com 2 mil policiais por dia. No domingo, contudo, tivemos um pico maior. Vamos totalizar cerca de 8.500 policiais, fora o policiamento de área, que se manteve. Conseguimos controlar bem todas as cidades, regiões e folias de carnaval.
Teremos mais chamamentos no futuro ou um novo concurso?
Isso é um ponto importante a ser ressaltado. Este é o terceiro ano que estamos terminando o carnaval em muita paz. Tivemos o sucesso total em termos de ocorrência, que diminuíram ou foram de pequeno porte, graças ao nosso policiamento e ao aumento do nosso efetivo, que foi uma sensibilidade do Governo do Distrito Federal e do governador Ibaneis Rocha (MDB). Conseguimos incluir 1.200 policiais ano passado e, em 2026, já estamos na academia de formação com mais 1.200 policiais. Isso é muito importante, dar regularidade ao concurso e as entradas, porque a tropa vai aposentando, e muitos vão saindo. Temos que manter esse número porque Brasília está em grande crescimento. A ideia é: temos 800 candidatos do concurso anterior, vamos até fazer uma prorrogação, para garantir o aproveitamento desses 800. E já há perspectiva de abertura de um novo concurso para 2027. Isso faz um grande diferencial, porque precisamos de uma polícia de presença.
Qual o quadro de servidores, hoje, na corporação?
Vamos fazer uma turma com esses 800. Depois, a abertura do concurso. Geralmente, fazemos um estudo, e chamamos, provavelmente, cerca de 5 mil, para que fiquemos durante três anos aproveitando esses policiais, de forma que não precisemos fazer concursos todos os anos. É uma forma, também, de aproveitar com o cadastro reserva. Hoje, a corporação tem um déficit. A previsão de efetivo é de 18.600 policiais. Agora, temos, em média, 11.300 policiais. Ainda temos um déficit, mas já foi pior. Ano passado, estávamos com 10 mil e existiu essa sabedoria do governador Ibaneis em autorizar o chamamento desses policiais.
Duas organizadoras de bloco foram detidas. Um policial jogou spray de pimenta em um deputado. Como a polícia está avaliando este caso em específico?
O porta-voz da Polícia Militar já se pronunciou, corroboro com todas as informações passadas por ele. Como comandante-geral, não posso me pronunciar em relação ao que vai, exatamente, ser feito. Será realizada uma apuração, no entanto, interferências em relação à autoridade do policial militar não podem acontecer. O policial estava em uma ocorrência legítima, onde duas pessoas foram presas e uma outra tentou interferir, sendo, também, presa. Porque enfrentou e também não queria permitir que a polícia trabalhasse normalmente. O deputado teve uma interferência junto dessa ocorrência legítima da Polícia Militar. A apuração será feita naquilo que, realmente, foi encaminhado. O gás de pimenta é uma forma de afastar. Utilizamos ele para inibir uma arma letal. O policial tem um espaço muito curto de ação, dependendo do que vai acontecer, ele tem que se prevenir. Isso precisa ser reconhecido e, se houver alguma responsabilização durante o trato da ocorrência, temos uma corregedoria para isso e será apurado.

Cidades DF
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