CB.Agro

Acordo entre Brasil e Coreia do Sul promete alavancar produção e pesquisa em agricultura

A responsável pelo Laboratório de Cultivo de Cogumelos, Loeni Ludke Falcão, disse que a cooperação científica entre Embrapa e Coreia do Sul pode ser benéfica para conhecimento em melhoramento genético e produção de variedades

 27/02/2026.  Loeni Ludke Falcao, analista da Embrapa fala sobre cultivo de cogumelos, é a entrevistada do CBAgro desta sexta-feira.  -  (crédito:  Ed Alves/CB/DA Press)
27/02/2026. Loeni Ludke Falcao, analista da Embrapa fala sobre cultivo de cogumelos, é a entrevistada do CBAgro desta sexta-feira. - (crédito: Ed Alves/CB/DA Press)

*Manuela Sá

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O acordo assinado, nesta semana, entre Brasil e Coreia do Sul, com foco em parceria científica e tecnológica nas áreas de agricultura, recursos naturais e desenvolvimento sustentável, foi um dos assuntos tratados pela analista da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e responsável pelo Laboratório de Cultivo de Cogumelos, Loeni Ludke Falcão, durante o programa CB.Agro — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília desta sexta-feira (27/2). Aos jornalistas Mariana Niederauer e Marcelo Agner, ela falou, também, sobre o curso para cultivo de cogumelos comestíveis e medicinais e a versatilidade desse fungo. Confira, a seguir, os principais pontos.

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A presidente da Embrapa assinou um acordo de cooperação científica com a Coreia do Sul nesta semana. Tem uma parte que envolve a nossa produção e pesquisa sobre cogumelos. Como esse acordo vai ajudar no nosso ambiente de pesquisa?

O acordo abrange um escopo muito maior que o cultivo de cogumelos, mas nós, do Laboratório de Cultivo de Cogumelos, buscamos essa colaboração com a Coreia, porque ela tem muito a nos oferecer em termos de experiência para melhoramento genético, produção de variedades que atendam tanto às especificidades da gastronomia quanto às voltadas para produtores. Além disso, eles têm muito a nos oferecer em termos de Smart Farm, o processo de automação do cultivo de cogumelos. Asiáticos culturalmente produzem e consomem cogumelos há milhares de anos. Então, é uma cultura que a gente pode aprender. Não buscamos apenas essa parceria técnica para pesquisa, mas também treinamento de pessoas.

Como vai funcionar o 55º curso de cultivo de cogumelos? 

A gente vai abrir as inscrições em breve, possivelmente, na segunda quinzena de março. É um curso intensivo, durante uma semana. A gente ensina a isolar o micélio, colocar na placa de petri, fazer o que chamamos de semente, que, na verdade, é o inóculo, para ser colocado na serragem, no capim, com a devida formulação. Também vamos mostrar como a gente induz o corpo de frutificação, como colhe e como embala. O curso tem aulas teóricas com diversos professores experientes, que são empresários, produtores de cogumelos e pessoas da Embrapa. É uma imersão de uma semana no mundo do cultivo de cogumelos.

É preciso ser formado em alguma área ou não? 

Não. A gente, normalmente, pede que a pessoa leia um pouco sobre o assunto, entenda o que é fungo. Mas a gente faz um nivelamento, traz as informações básicas para que qualquer pessoa de qualquer área possa acompanhar o curso.

O cogumelo pode ser usado até para vestimenta. Como funciona? 

É utilizada, especialmente, a espécie Ganoderma lucidum, mas não somente ela. É o chamado couro vegano. Então, o micélio é tratado, produzido de uma maneira específica e tratado, substituindo o couro animal. A gente tem várias marcas. É claro que o custo desses objetos feitos com esse couro ainda é alto, mas é uma possibilidade. E, inclusive, a gente tem muitas pessoas estudando no Brasil para desenvolver, para que a gente tenha acesso a esse tipo de material de forma mais barata. 

Como pesquisadores classificam, hoje, os chamados cogumelos alucinógenos? 

Os cogumelos psilocibinos, os que produzem essa molécula chamada psilocibina, que tem efeito alucinógeno nas pessoas, têm várias espécies. É possível encontrá-las em toda a América. No Brasil, é proibido vender qualquer coisa que contenha a psilocibina. Existem empresas que buscam a Embrapa para parceria na produção de medicamentos, especialmente voltados para ansiedade e depressão. Nós, da Embrapa, entraríamos na parte do cultivo. Ainda não fazemos isso, mas estamos sendo procurados e estudando a possibilidade de desenvolver esse tipo de projeto. A gente sai daquele modelo de uso informal, de qualquer jeito, para um uso controlado, orientado por médicos. Nós iríamos auxiliar com a parte do cultivo de produção de matéria-prima, caso decidíssemos participar desse projeto. 

A produção ficaria com a indústria farmacêutica?  

Isso. O que nós sabemos fazer é a parte de cultivo e de estudos. O cogumelo medicinal é uma fonte de moléculas que podem gerar soluções para a humanidade. A China utiliza cogumelos como base de formulações de fitoterápicas há milhares de anos. Eles sabem como fazer, têm tradição, conhecimento. Por isso, a gente está buscando essa parceria. Buscamos com a Coreia, estamos buscando agora com a China também a possibilidade de trabalhar com eles, já que eles são os grandes produtores de cogumelos do mundo, tanto comestível quanto medicinal. 

*Estagiária sob supervisão de Tharsila Prates 

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postado em 28/02/2026 04:00
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