Fevereiro começa com alívio no bolso de milhares de brasilienses. Com a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), mais de 247,2 mil contribuintes do Distrito Federal passam a pagar menos — ou nada — de imposto a partir deste mês. A mudança beneficia trabalhadores que recebem até R$5 mil, totalmente isentos, e aqueles com renda mensal entre R$5 mil e R$7.350, que passam a contar com descontos progressivos.
Dados do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal (CETAD) indicam que 147,6 mil trabalhadores do DF, com renda de até R$5 mil mensais, deixarão de pagar o tributo a partir de fevereiro. Outros 99,6 mil contribuintes, com salários entre R$5 mil e R$7,35 mil, terão redução no valor descontado em folha. Parte desses trabalhadores já começou a perceber a diferença no contracheque ainda no mês de janeiro.
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Ainda segundo o CETAD, até o ano passado, cerca de 271,3 mil declarantes do DF já eram totalmente isentos do Imposto de Renda. Com as novas regras, esse número sobe para 418,9 mil contribuintes, o que representa uma injeção significativa de recursos na economia local, com impacto direto no consumo e no poder de compra das famílias.
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A ampliação da faixa de isenção foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 26 de novembro de 2025. A mudança beneficia trabalhadores de todas as 27 unidades da Federação e cerca de 15 milhões de brasileiros.
Além do impacto direto na renda dos trabalhadores, o governo federal destaca que a iniciativa contribui para a atualização da política de tributação sobre a renda, estimula o consumo e incentiva a formalização do trabalho, ao aliviar a carga tributária sobre salários mais baixos e médios.
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Para garantir o equilíbrio fiscal, a legislação prevê o aumento da tributação sobre altas rendas, a partir de R$600 mil anuais. A estimativa é que cerca de 140 mil contribuintes sejam alcançados pela medida, com cobrança gradual e alíquota máxima de até 10%. Quem já paga esse percentual ou mais não será impactado. Segundo o governo, a compensação evita perdas na arrecadação e não compromete os serviços públicos.
A lei também estabelece regras específicas sobre os tipos de rendimentos incluídos no cálculo. Ficam fora da conta, por exemplo, ganhos de capital, heranças, doações, rendimentos recebidos acumuladamente, aplicações isentas, poupança, aposentadorias por moléstia grave e indenizações. Caso a soma dos impostos pagos pela empresa e pelo contribuinte ultrapasse os limites definidos, o valor excedente será restituído na declaração anual.
Com reajustes realizados em 2023 e 2024, o governo afirma ter encerrado um ciclo de mais de seis anos de defasagem na tabela do Imposto de Renda. Entre 2023 e 2026, a expectativa é de que 20 milhões de brasileiros sejam totalmente isentos e outros 5 milhões tenham redução no imposto pago, somando 25 milhões de beneficiados desde o início da atual gestão.
A isenção para quem ganha até R$5 mil foi uma promessa de campanha do presidente Lula. O projeto chegou ao Congresso Nacional em março e foi aprovado por unanimidade na Câmara dos Deputados e no Senado Federal antes de ser sancionado.
