Na tarde desta segunda-feira (2/2), ocorreu o segundo dia da 7ª edição da Festa das Águas, na Praça dos Orixás, às margens do Lago Paranoá, no Distrito Federal. A programação coincidiu com o Dia de Iemanjá, divindade das religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé, conhecida como a Rainha do Mar.
"O sentimento da festa das águas é de brasilidade, porque todo brasileiro já entrou no mar para se deliciar com o colo de Iêmanja, já foi numa cachoeira para se descarregar aos carinhos de Oshun. Então, festejar as águas é vital, necessário, cultural e é simplesmente para o nosso momento de união e de fé, para além das culturas tradicionais do terreiro, acho", disse Stefania Oliveira, presidente do Instituto Rosa dos Ventos e coordenadora da Praça das Águas.
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Combate ao preconceito
Entre barracas de comidas, artesanato e apresentações musicais, o evento contou com uma cerimônia de conscientização e reinstalação de imagens de orixás que haviam sido depredadas na Praça dos Orixás no fim de 2024. A deputada federal Érika Kokay (PT-DF) destacou a importância de políticas públicas voltadas aos povos de religiões de matriz africana.
“É preciso que haja um conjunto de políticas públicas para os povos tradicionais de matriz africana, porque ali se gera renda, se faz cultura e se constrói identidade. Além disso, há a cura do corpo e do espírito, que também deve fazer parte das políticas de saúde e de preservação ambiental, já que a água precisa estar limpa e a árvore em pé. Os orixás nos protegem”, afirmou a parlamentar.
Pai de santo há 35 anos e responsável por um terreiro em Taguatinga, Rogério de Ollá ressaltou o simbolismo de realizar o evento no Dia de Iemanjá, especialmente diante dos recentes episódios de intolerância religiosa. “Isso é muito importante, ainda mais porque nossa religião tem sofrido muitos ataques. Falamos aqui sobre o racismo religioso, inclusive sobre o depredamento da praça, com imagens dos orixás queimadas, quebradas e destruídas. É um episódio muito triste”, lamentou.
Apesar disso, Rogério reforçou o caráter de resistência e celebração da festividade. “Estamos nessa luta. Que Iemanjá nos abençoe para que possamos restaurar as imagens e o espaço, e para que a comunidade de matriz africana possa reverenciar seus orixás com mais alegria e amor, recebendo o público”, completou.
Celebração
A aposentada Verônica Gurgel Bezerra, de 59 anos, praticante da Umbanda há seis anos, participou do evento e destacou a relação da religião com sua trajetória de vida. Atualmente, ela desenvolve uma pesquisa fotográfica sobre religiões de matriz africana. “Na adolescência, eu frequentava terreiros. Hoje faço pesquisa fotográfica, mas existe o elemento da ancestralidade, que vem antes de mim”, explicou.
Esta foi a primeira vez que Verônica participou do festival no Distrito Federal, após ter ido a eventos semelhantes em Salvador. “Achei muito emocionante, porque a fé é universal. Em Brasília, esse espaço é muito sagrado. Vi o empenho das pessoas em mantê-lo, apesar de tanta intolerância religiosa. Aqui é um campo de resistência”, avaliou.
Também estreante no evento, o professor Geraldo Ramieri, de 44 anos, praticante da religião há um ano, afirmou que a Praça dos Orixás representa um espaço seguro. “Aqui podemos fazer nossas oferendas e praticar nossa fé sem preocupação. Existe o medo da intolerância quando se faz uma oferenda em outro local. Aqui, exercemos um direito que, infelizmente, nem sempre é respeitado”, disse.
Para ele, a Festa das Águas vai além da prática religiosa. “É uma oportunidade de encontro. Tem pessoas que não são da religião e vêm para se divertir. É um dia de alegria, de axé, de encontro de energias. Que seja um dia bonito para todo mundo”, concluiu.
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