Amigos e pessoas próximas à família de Rodrigo Castanheira, adolescente de 16 anos que morreu após ser brutalmente agredido na saída de uma festa em Vicente Pires, se reuniram na tarde deste sábado (7/2) para uma vigília de oração pela alma do jovem. O encontro ocorreu por volta das 17h30, na Capela Santa Paulina, no Guará 2, e reuniu cerca de 20 pessoas em um momento marcado por silêncio, fé e comoção.
A iniciativa partiu de Ana Helene Lima Rodrigues, de 22 anos, amiga de longa data de Isabela Castanheira, irmã de Rodrigo. Embora não tivesse convivência próxima com o adolescente, Ana explicou que a mobilização nasceu da dor compartilhada com a amiga e do sentimento de impotência diante da perda. “O convívio que eu tive com o Rodrigo foi pouco, mas a dor hoje é por saber quem ele era para a Isabela. Ele era irmão, era filho, era nosso amigo. E passou por uma situação que ninguém imagina passar”, afirmou.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
Segundo Ana Helene, a vigília havia sido inicialmente pensada como um ato de esperança, quando Rodrigo ainda estava internado na UTI. O objetivo era pedir por um milagre. Com a confirmação da morte do adolescente, o encontro ganhou um novo significado: o de amparo espiritual à família enlutada. “A gente estava preparando a vigília na esperança de que Deus operasse um milagre na vida do Rodrigo. Infelizmente, não conseguimos fazer antes da ida dele. Mas seguimos reunidos pela família”, disse.
Durante a cerimônia, os participantes rezaram em silêncio, fizeram orações coletivas e trocaram abraços. Muitos não eram amigos diretos de Rodrigo, mas se aproximaram para apoiar Ana Helene e, indiretamente, a família Castanheira. “São amigos que vieram me apoiar nesse momento. E é isso que a gente pode fazer agora: rezar e esperar que Deus dê força ao coração de cada um”, resumiu.
Ana contou que falou com Isabela poucas horas antes da vigília. Segundo ela, a irmã do adolescente está profundamente abalada. “Não tem como não estar. Conversei com ela hoje pela manhã, mas não quis entrar em detalhes. É o momento deles, de viverem o luto deles”, afirmou. Questionada sobre o estado da família, preferiu adotar um tom cauteloso e respeitoso, reforçando que qualquer exposição pública deve ser feita apenas quando os familiares se sentirem preparados.
O choque diante da morte de Rodrigo, segundo Ana Helene, ainda não foi assimilado por quem acompanhou o caso desde o início. Ela relatou que estava fora de Brasília quando soube da agressão, no dia 23 de janeiro. “Foi um momento de choque. Por conhecer a família, a história deles, quem era a Isa, quem era o Rodrigo, foi algo muito inesperado. Até agora não dá para acreditar”, disse. Para ela, a violência que vitimou o adolescente permanece difícil de compreender. “O Rodrigo era uma pessoa de paz, com muitos amigos. Como alguém assim passa por uma situação dessas? É muito inexplicável.”
Relembre o caso
Rodrigo Castanheira morreu após ser espancado pelo ex-piloto Pedro Arthur Turra Basseo, na saída de uma festa, na madrugada de 23 de janeiro, em Vicente Pires. A agressão teve início após um desentendimento considerado banal e foi registrada em vídeos feitos por outros jovens que estavam no local. As imagens mostram o adolescente sendo atingido com violência, inclusive quando já estava desacordado no chão.
Socorrido por amigos, Rodrigo foi levado ao Hospital Brasília, em Águas Claras, onde deu entrada em estado gravíssimo, com traumatismo craniano. Ele passou por cirurgia de emergência para drenagem de sangue no crânio, ficou em coma, entubado na UTI e chegou a sofrer uma parada cardíaca. Apesar dos esforços médicos e de uma mobilização intensa de familiares e amigos — que incluíram vigílias e pedidos de doação de sangue — o adolescente não resistiu.
Enquanto o processo tramita na Justiça, amigos e familiares de Rodrigo tentam lidar com a ausência deixada pela morte precoce. A vigília realizada no Guará 2 foi mais um gesto de despedida, mas também de resistência diante da violência. Entre orações e lágrimas, o nome de Rodrigo foi lembrado não apenas como vítima de um crime, mas como um jovem cuja vida foi interrompida cedo demais — e cuja memória agora permanece nas mãos de quem segue pedindo por justiça, acolhimento e paz.
