CB Folia 2026

Foliões sentem gostinho de 'quero mais', de olho no carnaval de 2027

Último dia da festa em Brasília teve foliões de todas as idades, arrasando nas fantasias, curtindo música diversa e enchendo as ruas da capital. Alegria, descontração e vontade de pular mais carnaval deram o tom da folia

Brasília se despediu da folia, ontem, com o mesmo clima plural e alegre que marcou a festa em 2026. Famílias, grupos de amigos e pessoas de todas as idades voltaram às ruas para um adeus coletivo que misturou cansaço, euforia e expectativa para a próxima folia. Fantasias já amassadas, maquiagem borrada e glitter resistente deram o tom de um encerramento que foi menos sobre o fim e mais sobre as memórias construídas ao longo dos dias de festa.

Entre marchinhas e sucessos populares em ritmo carnavalesco, crianças correram fantasiadas, adultos resistiram à dispersão e muitos transformaram as últimas horas de festa em abraços demorados e fotos para guardar o momento. O tempo firme, sem as chuvas que costumam surpreender o período carnavalesco no Distrito Federal, ajudou a sustentar a folia a céu aberto até o último acorde, encerrando um carnaval que reafirmou a cidade como um espaço de celebração coletiva.

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Ao som do pop do Bloco B de Beyoncé, no Setor Carnavalesco Sul, os amigos Aline Fernandes, 31 anos, analista de dados do Guará, e André Erik, 31, analista de ouvidoria de Taguatinga, escolheram encerrar a folia com uma proposta diferente, atraídos também pela localização próxima ao metrô, que facilitou o acesso.

As fantasias foram resultado de um mês de preparação, com tudo organizado em planilha e compras feitas em diferentes lugares. "A minha ideia de hoje era ser um cogumelo. Personalizei com umas pérolas para ficar mais místico. A gente fez todas as nossas fantasias deste carnaval", contou Aline.

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O empenho incluiu até viagens estratégicas para garimpar materiais. "Estamos pensando há um mês nas nossas fantasias. Fomos no Taguacenter, e aproveitei uma viagem que fiz para São Paulo para passar na 25 de Março", relatou André, destacando que a preparação acabou se tornando uma das partes mais divertidas da folia. 

Vibração

Ao longo dos dias de festa, a dupla incorporou diversos temas e figuras, como aliens, fantasmas, cowboy e até mesmo um catavento.

No Entorno, aconteceu um carnaval mais gótico, um pouco diferente dos tradicionais. O Carna Rock, que aconteceu na Praça do Museu de Planaltina, chamou a atenção da artista Raiane Lima, 29. Moradora da região e frequentadora de várias edições, ela acompanha de perto o crescimento do evento, que nasceu de forma comunitária e, hoje, celebra a décima primeira edição, reunindo um público diverso ao som do rock e de outros estilos. Para Raiane, participar do bloco é também uma forma de valorizar a produção cultural local e encontrar um ambiente que dialoga com sua identidade artística e pessoal.

"O rock é uma base muito educativa e cultural na minha vida. É um estilo que encaixa perfeitamente com a cultura da cidade, além de servir como uma forma de desabafar e colocar para fora todos os sentimentos", afirma. Autista e pouco fã de grandes aglomerações, ela conta que costuma evitar carnavais muito cheios, mas encontrou no Carna Rock um espaço onde consegue circular com mais tranquilidade e ainda assim sentir-se parte da festa. 

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Já a professora de ensino médio Suellen Martins, 39 anos, apostou em uma fantasia cheia de significado para encerrar a folia. Vestida de arara, ela explicou que a escolha foi uma homenagem direta aos alunos. "Eu sou professora de biologia e resolvi fazer essa fantasia em homenagem aos meus alunos", explicou.

O figurino exigiu dedicação intensa e várias noites sem dormir. "As asas deram muito trabalho para fazer. Foi muito difícil, mas gratificante", disse, orgulhosa do resultado.

Foliã experiente, Suellen afirma que aguarda o Carnaval de Brasília o ano inteiro. "É sempre muito bom sair para a folia. Me sinto livre", afirmou. Enquanto se preparava para acompanhar o trio do tradicional Pacotão, ela destacou o carinho especial pelo bloco irreverente. "Sempre acompanho esse bloco. É uma tradição estar presente no Pacotão."

Turistas também marcaram presença no carnaval brasiliense. O francês Antoine da Cunha, 62 anos, mora em Orleans e curte a folia daqui há 18 anos, desde que conheceu e se casou com a brasiliense Marta da Cunha, 57. O casal vem à capital federal todo ano participar da festa carnavalesca. Além de curtir, eles fazem parte do grupo Concentra Mais Não Sai, que este ano, homenageia a cantora Preta Gil, que morreu no ano passado.

"Na Europa, não existe uma festa  desse porte, com essa alegria e agitação. Aqui tudo é maravilhoso, diferente, muita animação e carinho. Virei aproveitar essa festa até o fim da minha vida", frisa Antoine.

Já Marcelo Carvalho Araújo, 63, saiu de Teresina rumo a Brasília com um objetivo claro: rever as irmãs e aproveitar a energia do carnaval na capital. Frequentador assíduo do Galinho, anteontem, ele já participa da festa pela quarta vez e garante que não perde a oportunidade de cair no frevo.

Entre os foliões que ocuparam a área externa do Museu Nacional da República, estavam Ana Clara Matos, 25 anos, e Rafael da Silva, 22. Naturais de Goiânia (GO) e São Paulo (SP), respectivamente, os dois moram há cinco anos na Asa Norte e compartilham uma amizade movida a divas pop e produções autorais para o carnaval.

Melhores amigos, decidiram apostar na criatividade: ele surgiu caracterizado de Sol; ela, de Buraco Negro. As fantasias foram confeccionadas por eles com materiais recicláveis. Ana Clara utilizou um bambolê para dar estrutura e volume à composição, enquanto Rafael adaptou uma toalha plástica de mesa para criar a capa da sua fantasia. O contraste cósmico rendeu olhares e fotos ao longo da tarde.

Animados, seguiam para curtir o bloco As Leis de Gaga. "A gente ama diva pop. Então, não tinha outro destino hoje. Fizemos tudo à mão porque carnaval também é sobre criar e se jogar", afirmou Ana Clara, já de olho em 2027.

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