TRANSPORTE PÚBLICO

Reajuste das passagens do entorno entra em vigor e atinge 380 mil pessoas

Decisão foi aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); último aumento, de 2,9%, entrou em vigor em setembro do ano passado

O reajuste de 2,546% nas tarifas do transporte rodoviário interestadual semiurbano que atende a Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE-DF) começou a valer à zero hora deste domingo (22/2) e impacta diretamente cerca de 380 mil trabalhadores que se deslocam diariamente entre as cidades goianas e Brasília.

Na Rodoviária do Plano Piloto, passageiros demonstraram preocupação com o novo aumento em um intervalo inferior a cinco meses. A técnica de enfermagem, Zingra da Ferreira, 49 anos, moradora de Águas Lindas (GO), afirmou que considera o reajuste injusto diante das condições do serviço. “Eu acho um absurdo. Eles não oferecem um ônibus bom pra gente, mas sempre aumentam a passagem”, declarou. Para ela, o aumento não condiz com a qualidade do transporte oferecido. “Não vale a pena”, completou.

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Zingra também acredita que a mobilização dos usuários poderia pressionar por valores mais justos. “Se todo mundo reunisse, dá pra colocar o preço justo”, afirmou, ressaltando que trabalhadores que atuam como diaristas, por exemplo, enfrentam dificuldades adicionais, já que muitos empregadores não arcam com os custos do deslocamento.

Medida

A decisão foi aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) durante a 1026ª Reunião da Diretoria Colegiada, realizada na quinta-feira (12/2). O processo foi analisado como item extrapauta, sob relatoria do diretor Alex Azevedo. Com o reajuste, o aumento tarifário aplicado ao serviço passa de R$ 0,170241 para R$ 0,174576 por passageiro por quilômetro percorrido. O último aumento, de 2,9%, entrou em vigor em setembro do ano passado.

Leia também: Passageiros reclamam de aumento que começa domingo nas tarifas do Entorno

Segundo a ANTT, o reajuste é resultado de procedimento técnico previsto em norma e adotado de forma periódica, com o objetivo de assegurar a manutenção e a regularidade do serviço. A Agência destacou que, por se tratar de um sistema operado sem subsídio público, os custos de operação são integralmente financiados pelas tarifas pagas pelos usuários, o que faz com que variações nas despesas impactem diretamente o valor das passagens.

Impasse

Após a decisão da ANTT, a Secretaria do Entorno do Distrito Federal informou que está em tratativas, desde o ano passado, para a criação de um consórcio de mobilidade com participação do Governo do Distrito Federal (GDF), do Estado de Goiás e da União, para gerir o transporte público no Entorno. O protocolo de intenções, segundo a pasta, já foi aprovado pelo GDF e está em análise pelo governo goiano, dependendo ainda de aprovação legislativa nas duas unidades da Federação.

O Governo de Goiás declarou que o tema segue em discussão, mas afirmou que a proposta de consórcio foi barrada pela ANTT, o que impediria a participação do governo federal, apesar de a União ser responsável pela regulação do sistema. Em nota, o Executivo goiano sustentou que, sem a participação federal, os custos e responsabilidades acabam sendo transferidos de forma desproporcional aos governos locais.

Para o Estado, a solução passa por um modelo de gestão compartilhada entre União, Goiás e Distrito Federal, com possibilidade de subsídios tarifários e melhoria na qualidade do serviço, nos moldes do que já ocorre na Região Metropolitana de Goiânia, onde há cofinanciamento do transporte público.

Colaborou: João Pedro Zamora, estagiário sob supervisão de Davi Cruz

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