No próximo dia 3 de março, o Tribunal de Contas da União (TCU) prepara uma celebração pelos 400 anos das Missões Jesuíticas-Guarani, movimento histórico iniciado no século XVII que marcou a organização social, cultural e econômica da região sul da América do Sul. O evento está marcado para as 16h, no Instituto Serzedello Corrêa (ISC), localizado no Setor de Clubes Esportivos Sul, com entrada gratuita.
A iniciativa é do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), João Augusto Ribeiro Nardes, que também atua como embaixador da Rede Governança Brasil (RGB) e professor do Instituto Latino-Americano de Governança e Compliance Público (IGCP). Nas redes sociais, o ministro destacou o significado histórico das missões e convidou a população a participar da programação. “Estamos fazendo 400 anos dessa história. Dessa cultura. É um capítulo incrível da formação identitária do Brasil”, afirmou.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
Segundo ele, as reduções jesuíticas, organizadas por padres da Companhia de Jesus com os povos guaranis, representaram uma experiência de organização comunitária. "Na região que hoje abrange áreas do Rio Grande do Sul, Argentina, Paraguai e Uruguai, chegaram a existir 30 povos missioneiros."
Nardes relembrou ainda que o território, à época, estava sob disputa entre as coroas ibéricas, situação que mudou com o Tratado de Madrid, ao estabelecer novos limites entre Portugal e Espanha na América do Sul. "Naquele período, ainda não existia o Brasil como conhecemos. Havia uma disputa intensa sobre quem ficaria com aquele território", disse.
Entre os marcos desse período está o sítio arqueológico de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, reconhecido como Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco. Outras cidades citadas como herdeiras diretas dessa tradição incluem Santo Ângelo, São Borja, terra natal de Getúlio Vargas, São Luís Gonzaga e São João Batista.
Nardes também destacou a tradição missioneira à formação de Brasília, ressaltando a presença de centros de tradições gaúchas na capital e a influência de migrantes do Sul na construção da cidade. "O que queremos é compartilhar essa história e convidar a comunidade a conhecer um pouco mais dessa cultura."
- Leia também: Facções alcançam 17% dos internos do sistema socioeducativo; MP recomenda arma não letal
A programação em Brasília prevê exposição de fotografias e miniaturas históricas, palestras com especialistas, poesias e apresentações musicais com grupos regionais, além de um coquetel de confraternização.
