CB. DEBATE

'Criança não é mãe nem esposa e estuprador não é pai' diz Maria das Neves Filha

Para a presidenta da União Brasileira de Mulheres (UBM-DF), Maria das Neves, o Brasil e o mundo vivem uma grave crise que impera sobre a vida de meninas e mulheres

A presidenta da União Brasileira de Mulheres (UBM-DF), Maria das Neves Filha, em entrevista antes do “CB Debate — O Brasil pelas mulheres: proteção a todo tempo”, disse que o Brasil e o mundo têm uma grave crise que impera sobre a vida de meninas e mulheres.

“O machismo patriarcado é uma chaga social que precisa ser combatida. Criança não é mãe, estuprador não é pai e criança também não é esposa. Nós ocupamos as ruas do Brasil para dizer 'mulheres vivas'. Queremos o básico: dignidade e o direito de viver uma vida sem violência”, declarou.

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A presidenta falou que a UBM-DF é uma organização feminista que há quase 40 anos organiza a luta das mulheres em todo o Brasil por igualdade salarial, pelo direito ao voto e por mais participação na política.

“Neste momento, queremos convocar a sociedade brasileira a se mobilizar pelo fim do feminicídio, pelo fim da violência doméstica e por mais direitos para as meninas e mulheres no nosso país”, frisou.
A palestrante destacou que a UBM ocupa as ruas para barrar esse ciclo de violência, mas também para cobrar do Congresso Nacional que projetos de lei que prejudicam a vida de meninas e mulheres não avancem mais.

“Não queremos o PDL (Projeto de Decreto Legislativo) que defende estupradores e violadores de meninas e crianças do nosso país. Queremos avançar na revogação da Lei de Alienação Parental. Queremos a implementação da Lei de Igualdade Salarial. Queremos a ampla participação política das mulheres nos espaços de poder e o direito à saúde, garantindo um parto humanizado e o pré-natal; ou seja, são direitos e não violências”, afirmou.

Maria das Neves reforça que a UBM defende que as mulheres brasileiras tenham uma grande força-tarefa no Parlamento, no governo federal e nos governos, no caso aqui do Distrito Federal, para garantir, em conjunto com o Judiciário, que o que aconteceu no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (absolvição de acusado mantinha "casamento" com garota de 12 anos) não se repita.

“Essa é a luta histórica da União Brasileira de Mulheres: por igualdade de direitos e por uma vida sem violência. Uma vida sem violência é um direito de todas as mulheres.”

CB. Debate

Somente no último ano, o Brasil registrou 1.470 feminicídios. Para enfrentar essa realidade, o evento organizado pelo Correio Braziliense reúne grandes nomes como a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha, e a presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM-DF), Maria das Neves Filha. No encontro, também estarão presentes acadêmicos e juristas. O debate será dividido em dois painéis: o primeiro irá tratar da proteção à mulher durante a infância, enquanto o segundo irá abordar a proteção da mulher em diferentes instâncias e órgãos dos governos.

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