CB.DEBATE

Damares fala da dificuldade de legislar em um país com grande diversidade

No CB.Debate, a senadora Damares Alves revelou que ainda existem culturas que incentivam a violência contra as mulheres

Damares comenta que que o projeto feito por ela elimina todas as atenuantes para à condenação do agressor -  (crédito: Ed Alves)
Damares comenta que que o projeto feito por ela elimina todas as atenuantes para à condenação do agressor - (crédito: Ed Alves)

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), em discurso no “CB Debate - O Brasil pelas mulheres: proteção a todo tempo”, disse que o tempo para quem está na luta pela proteção das mulheres é muito importante. “A cada minuto temos uma mulher sendo machucada. Nós temos o registro do estupro, mas não tem o registro oficial da violência psicológica e física, pois nós temos, infelizmente no Brasil, a subnotificação”, frisou.

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A parlamentar destacou a importância do CB Debate de reunir mulheres de espectros políticos, religiões e pensamentos diferentes, mas quando se encontram no Correio têm uma única causa, a proteção das mulheres. 

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Damares ressaltou que as mulheres brasileiras são muito diversas e, por isso, é difícil aprovar política pública unânime no país, por causa das diferenças culturais, regionais. “No Brasil, há legislação que estabelece que o homem não pode encostar em uma mulher dentro do ônibus, pois é assédio e importunação sexual, mas a gente fecha os olhos para aldeias indígenas que têm o estupro coletivo como manifestação cultural. Cultura que dói, não é cultura.”

A senadora expõe outras manifestações culturais como a da população cigana, onde as mulheres são escolhidas para ser esposas ainda meninas.

“A mulher ribeirinha sofre a maior adversidade que vocês podem imaginar. Regiões ribeirinhas do país têm o incesto como prática cultural. Tem maior violência contra uma mulher do que se deitar com seu próprio pai em nome de uma manutenção de cultura?”, indagou.

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Damares cita como exemplo as imigrantes venezuelanas, de origem indígena, que segundo a parlamentar, estão no limbo no Brasil, pois não sabe se elas devem ser cuidadas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) ou pelo departamento de imigração.

De acordo com a senadora, outro grupo de mulheres que não é alcançado pela políticas públicas é o de mães atípicas, elas, que estão se suicidando e estão em desespero. “É uma nação diversa, de múltiplas mulheres e todas elas, em seu contexto, são vítimas de violência o tempo todo. Violência, às vezes, em nome de cultura. Adianta eu pensar em construir leis para um país que vai alcançar somente um grupo de mulheres?”

De acordo com a parlamentar, a Lei Maria da Penha é considerada a melhor lei do mundo para a proteção da mulher, mas é o quinto país que mais mata mulheres no mundo.

“O Ministério da Mulher é incrível, temos programas incríveis, temos uma rede de proteção incrível. Porém seria hipocrisia dizer que a gente está avançando, nós estamos tentando, eu reconheço os esforços dos governos locais, mas com o que está acontecendo, nós vamos ter que parar e perguntar aonde estamos errando”, afirmou.

Damares externou uma preocupação sobre a idade da vítima e do agressor que está cada vez mais jovem. “Hoje, nós temos vítimas de feminicídio com 15 anos de idade e agressores com 16 anos, e isso está nos incomodando muito no Senado Federal. Entre todas as preocupações, a idade é o que mais se destaca”, declarou. A senadora ainda reforça que a Lei Maria da Penha tem que ir para as escolas.

Debate

Próximo do Dia Internacional das Mulheres, comemorado em 8 de março, o Correio promove, nesta quinta-feira (26/2), o CB.Debate "O Brasil pelas mulheres: proteção a todo tempo”. O evento está sendo transmitido ao vivo pelo canal do YouTube e, ao final de cada painel, o público on-line e presencial poderá fazer perguntas aos painelistas.

A iniciativa ganha relevância diante de um Brasil que, apenas no último ano, registrou 1.470 feminicídios. O encontro é aberto à participação do público, que poderá enviar perguntas presencialmente ou por meio do YouTube do Correio, contribuindo para a construção de caminhos efetivos de acolhimento e proteção às vítimas de violência no DF.

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CY
postado em 26/02/2026 12:00
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