Investigação

'A gente tem Deus, mas eles têm muitos recursos', diz irmã de Rodrigo Castanheira

Isabela Fleury afirma que teme que o poder aquisitivo dos suspeitos interfira no caso; pai diz que não consegue falar em perdão ainda e cobra justiça

A família de Rodrigo Castanheira voltou a se pronunciar nesta quinta-feira (27/2) sobre o andamento das investigações do caso. Rodrigo morreu em 7 de fevereiro, após ser brutalmente agredido por Pedro Arthur Turra Basso na saída de uma festa em Vicente Pires, no dia 23 de janeiro.

Em entrevista exclusiva ao Correio, a irmã do jovem, Isabela Fleury, afirmou que teme que o poder econômico dos envolvidos possa impactar no desfecho. “A gente tem plena consciência do poder aquisitivo dos suspeitos. É uma luta de Davi e Golias. Eles são Golias e a gente é Davi. Eles têm muitos recursos. A gente tem Deus, e eles têm recursos. E esse é o nosso medo”, declarou.

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

Segundo Isabela, a família teme falhas no sistema de Justiça ao lidar com pessoas de alto poder aquisitivo e reforça que espera tratamento igualitário no processo.

Leia também: "Ele estudou anos com meu filho, eu nunca iria imaginar", diz pai de Rodrigo Castanheira

O pai de Rodrigo, Ricardo Castanheira, também afirmou acreditar que o episódio poderia ter sido evitado. “Não foi a primeira vez que Pedro Turra agrediu alguém. E, se não tivesse acontecido o que aconteceu, talvez não seria a última”, disse.

Questionado sobre a possibilidade de perdão, Ricardo afirmou que ainda não consegue sequer pensar no assunto. “Eu não sei, sinceramente, eu não penso nisso. Não sei o que eu falaria para ele”, declarou.

Abalado, o pai relembrou a diferença física entre o filho e o acusado. “Meu filho tinha 1,71m, pesava 62 quilos. Turra tem cerca de 1,90m. Não existe comparação”, afirmou.

Ele também contou que evita ver imagens do suspeito. “Eu vi uma vez a foto dele no jornal, quando eu estava no hospital. Se ele passar aqui, acho que eu nem reconheço, porque eu não consigo ver nada.”

Segundo Ricardo, o sofrimento da família ainda é intenso. “A gente só vai conseguir viver o luto quando a justiça for feita.”

Mais Lidas