
Caminhões com carga excedente que transitarem nas rodovias do Distrito Federal poderão, em breve, ser multados de forma automática, com o uso de balanças dinâmicas rodoviárias. O equipamento identifica o peso dos veículos em movimento. O assunto foi tratado pelo presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER-DF), Fauzi Nacfur Júnior, convidado do CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — dessa terça-feira (17/3). Aos jornalistas Adriana Bernardes e Ronayre Nunes, Júnior detalhou a implementação de balanças dinâmicas rodoviárias, que, em breve, irão multar de forma automática caminhões com excesso de peso, e citou as obras que serão entregues no DF nos próximos meses, como a conclusão de dois viadutos no Noroeste. Confira os principais trechos:
Como resolver a questão do excesso de peso em caminhões que circulam pelas rodovias do Distrito Federal?
A gente está instalando balanças de aferição de peso em praticamente todas as rodovias do DF e já estamos com 80% do projeto implantado. Então, os caminhoneiros não devem exceder a carga, estão sendo monitorados. O que é interessante é que, agora, são balanças dinâmicas que funcionam como um poste com pardal e afere o peso dinamicamente, com o veículo passando a 80km/h.
Isso é enviado diretamente ao sistema, e a multa já é emitida?
A multa ainda vai ser emitida, porque a gente está aguardando uma regulamentação do Senatran para podermos multar diretamente pela balança dinâmica. Atualmente, você faz a aferição com a dinâmica em velocidade e, se detectar um excesso de peso, tem que parar o cidadão logo à frente para realizar a pesagem estática, que é aquela balança física onde o caminhão sobe. Nem todas as rodovias distritais têm essa balança e, por isso, não conseguimos aferir essas infrações. Com esse novo sistema que está sendo instalado, já temos as aferições dinâmicas e estamos instalando ainda algumas balanças estáticas para podermos trabalhar. Mas, quando sair essa regulamentação, nosso problema estará resolvido: o caminhão não precisar nem parar para autuar o condutor, que só sentirá o impacto quando a multa chegar. Hoje, 80% das rodovias já dispõem dessa pesagem, mas no futuro todas terão essas balanças.
Como está o projeto de construção do anel viário em trecho da Epia com trânsito extremamente pesado?
O principal anel rodoviário em que estamos trabalhando hoje é o do eixo da BR-040, no Sul, vindo de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, que segue para o Norte, para a BR-020, na saída para Sobradinho e Planaltina. A maioria dos caminhões que passam hoje na Epia não quer entrar em Brasília. Ocorre que a única passagem pavimentada disponível é pela Epia. As alternativas são duas rodovias que ainda não são pavimentadas: a DF-100 e a DF-270, na região do PAD-DF. Embora o anel percorra toda essa área citada, inclusive atrás do Parque Nacional, o foco atual é este eixo sul-norte, pois são 50km de estradas não pavimentadas — 30km da DF-001 e 20km da DF-270. Quando pavimentarmos o trecho, o motorista poderá desviar em Luziânia e sair em Formosa, já na divisa com Goiás.
Quais são as obras a serem entregues nos próximos meses?
É importante, antes, lembrarmos o que já foi feito. Até este momento, foram investidos cerca de R$ 1,1 bilhão apenas no DER-DF. Além desse investimento já concluído, temos previsão de novas obras com grandes aportes. Um exemplo são duas frentes, sendo construídas no Noroeste. O Viaduto 1, que sai para a Água Mineral, acabou atrasando devido a problemas com a empresa contratada. Reconhecemos o atraso e pedimos desculpas ao cidadão, mas esperamos terminá-lo até o meio deste ano, com certeza. A boa notícia é que estamos lançando a obra do Viaduto 2 do Noroeste, perto do Setor Militar Urbano, na região da TCB e do SLU. Ali, onde há um grande gargalo com a saída das vias N7 e N9, estamos licitando um complexo de viadutos para resolver a situação. Além disso, sobre a malha cicloviária, passamos de pouco mais de 600km para 800km nos últimos dois anos.
Houve uma discussão recente sobre a redução da velocidade no Eixão. Como o senhor se posiciona em relação a isso?
Eu sou contrário à redução da velocidade no Eixão. Ele foi concebido por Oscar Niemeyer e Lucio Costa como um eixo de ligação para uma cidade onde toda a periferia vem para o centro de manhã e volta no final do dia, exigindo fluidez no trânsito. Precisamos conciliar a fluidez com a segurança viária. Não podemos ter vias a 200km/h para o motorista chegar rápido e matar pessoas. É necessário encontrar esse equilíbrio entre a velocidade e a segurança. Nossos estudos indicam que o Eixão funciona bem a 80km/h. Alguém pode questionar: 'Ah, Fauzi, mas morre gente atropelada lá'. O problema, porém, não é a velocidade. Como já dissemos antes, o carro que mata a 80km/h, também mata a 60km/h. Nesse caso, a redução não alteraria o resultado. O real problema do Eixão são as travessias de pedestres, que precisam ser seguras.
* Estagiário sob a supervisão de Tharsila Prates

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