
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que o lazer é "um direito fundamental" e faz parte do desenvolvimento integral dos jovens de todo o Brasil. Inspirar o movimento corporal e atividades em grupo é uma das formas encontradas pelo Projeto Arca Cultural de cumprir um papel que não é restrito aos pais ou ao Estado, mas também à sociedade. Assim como seus participantes, o projeto alcança 2.700 crianças e adolescentes do Distrito Federal e do Entorno.
A iniciativa social, que nasceu em agosto de 2025, atua com foco em ações artísticas e pedagógicas para jovens de 16 instituições em diferentes regiões, contemplando Brasília e o Entorno. Nos últimos oito meses, ciclos de oficinas de musicalização, capoeira, hip-hop e danças recreativas fizeram parte do dia a dia de jovens de 6 aos 17 anos. Segundo Stefanie Chopard, produtora-executiva do projeto, inicialmente, as atividades eram levadas apenas às instituições de acolhimento do DF (lugares onde as crianças estão sob tutela do Estado, aguardando adoção) e, depois, ampliou o escopo de atuação para abranger também os centros de convivência.
"Criamos espaços seguros para a autoexpressão desses jovens, ampliando as habilidades delas de comunicação, e fortalecendo autoestima por meio de vivências que envolvem musicalidade, comunicação e autonomia artística", descreve Chopard.
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O Projeto Arca Cultural promove atividades no Instituto Mãos Solidárias, no Itapoã. Lá frequenta o projeto Arca Cultural, um trio de amigos que se uniu pelo interesse na mesma atividade: a capoeira. Maria Vitória de Souza, de 10 anos, já se acostumou à rotina entre a quadra, o terraço e as atividades que misturam movimento e cuidado. "Eu gosto de brincar, de correr", resume, com a simplicidade de quem encontra ali um espaço leve para ser criança.
Entre as atividades, a capoeira é a favorita da garota. "Foi a que eu achei mais legal", destaca escalando a dança como essencial para o bem-estar dela. Maria conta que se sente mais calma e até dorme melhor depois das atividades: "Sim", responde, direta, quando perguntada se a ansiedade diminui. Inspirada pela mãe, que trabalha com terapias, como massagem e auriculoterapia (técnica complementar que avalia a aurícula para diagnosticar e tratar disfunções físicas e emocionais), a garota tem planos para o futuro: quer seguir o mesmo caminho. "Terapeuta… igual a minha mãe", fala decidida a estudante da Escola Classe 01, no Paranoá.
Kaylon Henrique Duarte, de 11 anos, é parte do trio de amigos que crescem juntos dentro do instituto — e isso aparece no jeito descontraído, cheio de brincadeiras durante a entrevista. Ele frequenta o espaço de segunda a sexta e encontra ali um lugar de convivência e aprendizado. "É, todos os dias", conta com naturalidade. Fora dali, divide a rotina com a família — tem uma irmã mais nova, de cinco anos — e os estudos no Centro de Ensino Fundamental 03, no Paranoá.
Entre as atividades, Kaylon se divide entre o jiu-jitsu e a capoeira, que para ele, vão além da diversão. "A gente aprende muitas habilidades", explica, citando movimentos como o gingado e a meia-lua. O interesse também passa pela ideia de autodefesa: "Tem como se defender". Com um estilo próprio, já pintou o cabelo várias vezes, em cores diferentes e revela planos ambiciosos para o futuro, misturando humor e sinceridade: quer ser "ou advogado ou milionário".
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A terceira integrante do trio encontra na dança um espaço de descoberta. Com um pouco de timidez, Drielly Castro Silva, de 12 anos, frequenta o instituto todos os dias, desde o ano passado. Ela já experimentou diferentes atividades, como capoeira, balé e hip-hop. "Faz a gente se movimentar e sentir alegria", explica. Mesmo assim, admite que nem sempre é fácil se soltar: "Às vezes eu sinto vergonha", conta, especialmente ao dançar na frente de outras crianças.
Aluna do Centro de Ensino Fundamental Zilda Arns, no Itapoã, Drielly divide a rotina com a família, são quatro irmãos, entre eles uma irmã mais velha que também participa do projeto e a incentiva a continuar. Entre ensaios e coreografias que "aprendeu e desaprendeu", a relação com a dança segue em construção, mas já aponta caminhos: "Muito legal", resume sobre a experiência. Para o futuro, os planos não passam pelo palco: quer ser advogada.
Junto às atividades, a iniciativa ainda leva um kit de itens e decoração para personalizar as instituições com o espírito lúdico do projeto: desde pufes e tapetes até artes que ocupam paredes inteiras. Dando vida aos espaços, o artista plástico envolvido no projeto é Weuller Gregório, cuja o trabalho revela uma linguagem urbana, acessível e super conectada com o público-alvo.
Neste mês de março, o projeto está no final da sua primeira fase, e busca captação de recursos para uma "parte 2". De acordo com Stephanie Chopard, o intuito é mobilizar a sociedade para dar continuidade ao projeto. "Buscando novos parceiros e patrocinadores", descreve a produtora.
Chopard explica que a ideia é seguir com as ações e ampliar o impacto na vida das crianças e adolescentes atendidos. "A gente acredita muito na força de iniciativas continuadas para gerar um impacto realmente duradouro", reforça.
Atividades realizadas pelo projeto:
- Dinâmicas corporais e dança recreativa, como Time das Cores, Dança dos Elementos, Espelho, Batalha Coreográfica e Objetos Dançantes;
- Roda Teatral e Contação de Histórias
- Alongamento, relaxamento e consciência corporal, com foco em ritmo, tempo musical e coordenação;
- Rodas de conversa, promovendo diálogo, escuta, e reflexão social;
- Formação em Danças Urbanas e Cultura Hip Hop, com fundamentos técnicos
- Musicalização na capoeira, valorizando a cultura afro-brasileira;
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Atividades realizadas pelo projeto
- Dinâmicas corporais e dança recreativa, como Time das Cores, Dança dos Elementos, Espelho, Batalha Coreográfica e Objetos Dançantes;
- Roda Teatral e Contação de Histórias
- Alongamento, relaxamento e consciência corporal, com foco em ritmo, tempo musical e coordenação;
- Rodas de conversa, promovendo diálogo, escuta, e reflexão social;
- Formação em Danças Urbanas e Cultura Hip Hop, com fundamentos técnicos
- Musicalização na capoeira, valorizando a cultura afro-brasileira;

Educação básica
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