SEGURANÇA DIGITAL

ECA Digital: entenda as novidades da lei de proteção de crianças e adolescentes

Nova lei responsabiliza plataformas, amplia controle das famílias e responde a um cenário de riscos reais no ambiente digital

Mariana Niederauer
Jéssica Andrade
postado em 18/03/2026 17:54 / atualizado em 22/03/2026 15:38
Proteção de crianças e de adolescentes no ambiente digital é o foco da legislação -  (crédito: Maurenilson Freire)
Proteção de crianças e de adolescentes no ambiente digital é o foco da legislação - (crédito: Maurenilson Freire)

A Lei do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) entrou em vigor nesta terça-feira (17/3) e marca uma mudança estrutural na forma como o Brasil protege crianças e adolescentes no ambiente on-line. Pela primeira vez, uma legislação brasileira estabelece regras específicas e punições aplicáveis às plataformas digitais, transferindo parte da responsabilidade pela segurança desse público para as empresas de tecnologia.

Criado há 35 anos, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) consolidou a proteção de direitos no mundo offline. Mas, nas últimas décadas, a infância e a adolescência passaram a se desenvolver também no ambiente digital, um espaço que, até então, não contava com uma regulação específica. 

Especialistas ouvidos pelo Correio consideram a nova lei “urgente e necessária”, embora reconheçam os desafios de implementação e de mudança de comportamento da sociedade. 

Para Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, o ECA Digital é fundamental porque reconhece que a proteção da infância precisa acompanhar as transformações da sociedade. “Hoje, crianças entram em contato com o ambiente digital cada vez mais cedo, inclusive na primeira infância, que é uma fase decisiva para o desenvolvimento”, afirma.

Patrícia Blanco, diretora-executiva do Instituto Palavra Aberta, resume a implantação do ECA Digital como “o primeiro dia do resto de nossas vidas”. “Uma lei não muda comportamentos de forma instantânea”, afirma.

Segundo Blanco, o principal avanço está na definição de responsabilidades. “O que o ECA Digital traz é uma noção clara da responsabilidade compartilhada, com responsabilizações muito importantes para as plataformas como redes sociais, jogos e sites de venda de produtos.” 

Além disso, ela destaca a inclusão de um ente fiscalizador, que será o papel exercido pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Na avaliação de Patrícia, determinar mecanismos de proteção de dados sensíveis de crianças e de adolescentes será essencial.

Patrícia Blanco, presidente executiva do Instituto Palavra Aberta, é a entrevistada do CB.Poder de hoje
Patrícia Blanco, presidente executiva do Instituto Palavra Aberta, é a entrevistada do CB.Poder de hoje (foto: Divulgação)

"O que o ECA Digital traz é uma noção clara da responsabilidade compartilhada, com responsabilizações muito importantes para as plataformas como redes sociais, jogos e sites de venda de produtos" Patrícia Blanco

Jogos, dopamina e o comportamento digital

O avanço do consumo digital entre crianças e adolescentes é sustentado por dados expressivos. Um levantamento com mais de 2,3 milhões de estudantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental aponta que os jogos online lideram a preferência nos momentos de lazer, sendo citados por mais da metade dos participantes em todos os estados brasileiros, chegando a 70% em algumas regiões.

“Quem explora qualquer atividade econômica precisa ser responsável pela forma como essa relação acontece. Isso já é um princípio consolidado em diversos setores. No ambiente digital, não pode ser diferente”, afirma Márcio Filho, presidente da Associação de Criadores de Jogos do Rio de Janeiro (ACJOGOS-RJ) e especialista em games e sociedade.

“Jogos on-line não são espaços neutros. Eles são estruturados, organizados e monetizados por empresas que definem regras, interações e formas de consumo. Ao criar e manter esses ambientes, as plataformas também assumem responsabilidade sobre o que acontece dentro deles”, acrescenta.

Márcio Filho, presidente da Associação de Criadores de Jogos do Rio de Janeiro
Márcio Filho, presidente da Associação de Criadores de Jogos do Rio de Janeiro (foto: ACJOGOS-RJ/Divulgação)

 

"Jogos on-line não são espaços neutros. Eles são estruturados, organizados e monetizados por empresas que definem regras, interações e formas de consumo. Ao criar e manter esses ambientes, as plataformas também assumem responsabilidade sobre o que acontece dentro deles" Márcio Filho

O comportamento não é aleatório. Estudos em neurociência indicam que plataformas digitais, especialmente jogos e vídeos curtos, são estruturadas para estimular circuitos de recompensa no cérebro, associados à liberação de dopamina.

Em crianças e adolescentes, cujo cérebro ainda está em desenvolvimento, esse padrão pode impactar a atenção, o controle de impulsos e a regulação emocional. Na primeira infância, fase marcada por alta plasticidade cerebral, os efeitos podem ser ainda mais significativos no desenvolvimento cognitivo e socioemocional.

“Não podemos esquecer que essa fase da vida é uma janela de oportunidades: cerca de 90% das conexões cerebrais são formadas até os 6 anos. Em nenhuma outra fase o desenvolvimento é tão intenso”, destaca Mariana Luz. 

Organismos internacionais como o Unicef e a Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertaram que o ambiente digital influencia diretamente o desenvolvimento, a saúde mental e o bem-estar de crianças e adolescentes.

Riscos que saíram do campo físico

O ambiente on-line também expõe crianças e adolescentes a riscos graves. Dados da SaferNet Brasil mostram que, apenas no primeiro semestre de 2025, foram registradas 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil, o equivalente a 64% de todas as notificações no período.

Além disso, fenômenos como os chamados “desafios perigosos” continuam sendo motivo de alerta. Levantamentos indicam que, nos últimos 10 anos, ao menos 56 crianças e adolescentes morreram em decorrência desse tipo de conteúdo viral.

“Hoje assistimos a uma escalada de situações graves no ambiente digital, como desafios perigosos e conteúdos que colocam em risco a vida de crianças e adolescentes”, afirma Márcio Filho.

Casos de cyberbullying, exposição a conteúdos violentos e incentivo a comportamentos autodestrutivos reforçam que a violência digital não é abstrata, ela produz impactos reais na saúde mental e no desenvolvimento.

O que muda com o ECA Digital

Diante desse cenário, o ECA Digital estabelece uma mudança de lógica: a proteção deixa de ser responsabilidade exclusiva das famílias e passa a ser compartilhada com as plataformas.

A legislação exige que empresas adotem medidas de proteção desde a concepção de seus produtos, incluindo design apropriado à idade, mecanismos mais rigorosos de verificação etária e remoção ágil de conteúdos nocivos.

Outro ponto importante é a restrição às chamadas caixas de recompensa, conhecidas como loot boxes, comuns em jogos como o Roblox. Esse mecanismo oferece itens aleatórios em troca de dinheiro real ou moedas virtuais, sem que o jogador saiba exatamente o que vai receber. 

A lógica se aproxima de jogos de azar, ao estimular repetidas tentativas baseadas na sorte (e não na habilidade do jogador). 

Os riscos são o consumo excessivo, especialmente entre crianças e adolescentes. A nova legislação busca limitar esse tipo de prática, ao reconhecer sua relação com padrões de engajamento compulsivo e monetização baseada na vulnerabilidade infantil.

A legislação também prevê que empresas que oferecem serviços digitais a crianças e adolescentes criem canais de apoio às vítimas e desenvolvam programas educativos.

Plataformas com mais de 1 milhão de usuários com menos de 16 anos deverão elaborar relatórios semestrais sobre o impacto de suas práticas na proteção de dados, que serão submetidos à ANPD.

Mariana Luz, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, explica que a nova lei atualiza o princípio da proteção integral para o ambiente digital e deixa mais claro o papel das empresas nesse processo. Segundo ela, o ECA Digital responde a uma lacuna histórica. “Nos últimos anos, surgiram riscos que não estavam suficientemente endereçados, como exposição a conteúdos inadequados, coleta indevida de dados, cyberbullying e práticas que estimulam o uso excessivo e compulsivo."

Débora Garofalo, professora da rede pública de ensino de São Paulo, idealizadora do Robótica com sucata e finalista do Global Teacher Prize 2019, o Nobel da Educação. Também foi reconhecida, este ano, professora mais influente do mundo
Débora Garofalo, professora da rede pública de ensino de São Paulo, idealizadora do Robótica com sucata e finalista do Global Teacher Prize 2019, o Nobel da Educação. Também foi reconhecida, este ano, professora mais influente do mundo (foto: Arquivo Pessoal)

"Minha percepção é que avançamos ao trazer o debate para o centro das políticas públicas, mas o desafio está longe de ser apenas normativo. O ECA Digital nos convoca a uma mudança cultural: famílias, escolas, plataformas e o próprio Estado precisam assumir um papel ativo na construção de ambientes digitais mais seguros, éticos e educativos." Débora Garofalo

 

Idade, acesso e o fim da autodeclaração

Entre as mudanças mais relevantes está a exigência de mecanismos mais eficazes de verificação de idade. A autodeclaração deixa de ser suficiente, e as plataformas passam a ter que adotar soluções capazes de identificar a faixa etária dos usuários.

Entre as medidas previstas está a criação de um “sinal de idade”, a ser compartilhado por lojas de aplicativos e sistemas operacionais, como Google Play e Apple Store, por meio de interfaces tecnológicas que informam a faixa etária do usuário sem expor dados pessoais sensíveis. 

Além disso, dispositivos e serviços digitais deverão adotar, por padrão, configurações máximas de proteção de privacidade para contas de crianças e adolescentes. “A verificação de idade é parte fundamental da proteção e não significa, necessariamente, expor dados sensíveis. Já existem tecnologias capazes de validar a faixa etária sem armazenar informações pessoais de forma indevida”, afirma Márcio Filho.

Famílias seguem essenciais, mas não mais sozinhas

Apesar da responsabilização das plataformas, especialistas destacam que o papel das famílias continua sendo fundamental. Segundo Márcio Filho, a proteção efetiva depende de uma combinação entre acompanhamento, educação e responsabilidade compartilhada entre famílias, empresas e poder público. “O controle parental é uma ferramenta essencial, mas está longe de ser suficiente. Não existe solução isolada para um ambiente digital dinâmico e complexo”, afirma.

Para Mariana Luz, essa mediação é ainda mais importante na primeira infância. “Crianças pequenas não têm maturidade para lidar sozinhas com o ambiente digital. O acompanhamento ativo e o equilíbrio com experiências no mundo real são fundamentais para o desenvolvimento saudável”.

“Também é importante atenção à exposição da imagem das crianças, especialmente no fenômeno do ‘sharenting’, que pode trazer riscos à privacidade e à identidade no futuro”, afirma a CEO da FMCSV. 

A educadora Débora Garofalo - finalista do Global Teacher Prize, o Nobel da Educação, em 2019, e reconhecida, este ano, como professora mais influente do mundo - avalia que o ECA Digital representa mais do que uma atualização normativa. “A entrada em vigor do ECA Digital marca um ponto de inflexão necessário (e urgente) na forma como compreendemos a proteção de crianças e adolescentes em um mundo profundamente mediado pelas tecnologias. Não se trata apenas de atualizar uma legislação, mas de reconhecer que a infância e a juventude também acontecem no ambiente digital, com riscos, oportunidades e responsabilidades igualmente reais”, afirma.

Para ela, o desafio agora é mais amplo do que a própria lei. “O ECA Digital nos convoca a uma mudança cultural. Famílias, escolas, plataformas e o próprio Estado precisam assumir um papel ativo na construção de ambientes digitais mais seguros, éticos e educativos. Proteger não significa restringir o acesso, mas garantir condições para que crianças e jovens participem do mundo digital com autonomia, pensamento crítico e segurança”, destaca.

Desafio agora é sair do papel

O ECA Digital é considerado um avanço importante, mas sua efetividade dependerá da implementação prática das medidas e da capacidade de fiscalização. Patrícia Blanco conclui que os resultados do ECA Digital vão aparecer no curto, médio e longo prazos, e assim também devem ser monitorados. Para a efetividade, o tripé lei, educação e aplicação será fundamental.

“A efetividade dessa agenda depende da fiscalização e da capacidade de responsabilizar as plataformas, inclusive diante da resistência de grandes empresas de tecnologia”, afirma Márcio Filho. E a nova lesgilação tem potencial para ir além, como alerta Débora Garofalo: “O ECA Digital não é um ponto final, mas um chamado para que repensemos nossas práticas e nossa responsabilidade com as novas gerações”.

Mariana Luz.  CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, e presidente do Conselho do Instituto Escolhas
Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (foto: Divulgação )

Primeira infância como prioridade

A intereção de crianças e de adolescente no ambiente digital passou a tornar até o ambiente doméstico perigoso. O excesso de excesso de telas representa um risco real para o desenvolvimento infantil, por isso, a legislação é um marco para a proteção desse público. Confira a íntegra da entrevista com Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, especializada nessa fase do desenvolvimento.

Qual a importância dessa legislação para a primeira infância?

O ECA Digital é fundamental porque reconhece que a proteção da infância precisa acompanhar as transformações da sociedade. Em linhas gerais, ele reforça que direitos fundamentais, como proteção, privacidade e desenvolvimento saudável, precisam ser garantidos também nas redes, jogos e plataformas digitais. Hoje, crianças entram em contato com o ambiente digital cada vez mais cedo, inclusive na primeira infância, que é uma fase decisiva para o desenvolvimento físico, cognitivo e socioemocional de cada indivíduo. Nesse sentido, a legislação ganha relevância ao enfrentar riscos que antes não estavam previstos, como exposição excessiva a telas, coleta indevida de dados, contato com conteúdos inadequados e até situações de violência e exploração no ambiente digital. Ao estabelecer regras específicas para o ambiente on-line, o ECA Digital ajuda a garantir que esse contato aconteça de forma mais segura e adequada ao desenvolvimento infantil. Ele reforça que as crianças precisam de proteção especial também no digital, considerando sua maior vulnerabilidade e sua condição de pessoas em desenvolvimento.

Por que foi preciso criar uma legislação complementar ao ECA? A quais riscos as crianças estavam expostas?

O ECA já estabelece princípios importantes, como proteção integral às crianças, mas foi criado em um contexto anterior à centralidade do ambiente digital na vida cotidiana. Nos últimos anos, surgiram novos riscos que não estavam suficientemente endereçados, como a exposição a conteúdos inadequados, a coleta e o uso indevido de dados pessoais, o cyberbullying e outras formas de violência digital, além de práticas de design que estimulam o uso excessivo e compulsivo e a publicidade direcionada às crianças. Além disso, muitas plataformas não se responsabilizavam pela presença de crianças em seus ambientes. A nova legislação surge justamente para preencher essa lacuna, trazendo regras mais claras e adaptadas à realidade atual.

Quais pontos exigem atenção, para pais, escolas e cuidadores, em relação à exposição das crianças ao ambiente digital?

O principal ponto é reconhecer que crianças pequenas não têm maturidade para lidar sozinhas com o ambiente digital, o que torna a mediação adulta indispensável. Isso envolve acompanhar o uso de telas, estabelecer limites de tempo e garantir que os conteúdos sejam adequados à idade, mas também implica uma postura mais ativa de diálogo e orientação. É importante que famílias e escolas conversem com as crianças sobre o que elas veem e fazem on-line, construindo gradualmente um repertório de uso mais consciente. Outro aspecto que exige atenção é a exposição da imagem das crianças, especialmente no contexto do sharenting - compartilhamento excessivo de fotos, vídeos e informações de filhos nas redes sociais por pais ou responsáveis -, já que o compartilhamento excessivo pode gerar riscos que vão desde o uso indevido de imagens até impactos futuros na privacidade e na identidade dessas crianças. Ao mesmo tempo, é essencial garantir um equilíbrio entre o uso do digital e as vivências no mundo real, especialmente na primeira infância.

Quão valioso é tomar esse cuidado na primeira infância?

Não podemos esquecer que essa fase da vida é a nossa maior janela de oportunidades - 90% das conexões cerebrais são formadas até os 6 anos. Em nenhuma outra fase esse desenvolvimento será tão intenso. No entanto, o desenvolvimento infantil está profundamente ligado às interações humanas, ao brincar, à exploração do ambiente e a fatores como saúde, nutrição, afeto, estímulos adequados, oportunidades de aprendizado e segurança. As evidências provam que crianças que vivenciam esse cuidado integral nos primeiros anos de vida tendem a apresentar melhores condições de saúde física e mental, maior capacidade de aprendizagem e mais oportunidades ao longo de sua trajetória.

Quais caminhos a nova legislação aponta para a proteção das crianças?

A nova legislação aponta para uma mudança importante de lógica ao estabelecer que a proteção das crianças no ambiente digital deve ser compartilhada entre as famílias, Estado e empresas. Nesse sentido, ela avança ao exigir que plataformas incorporem mecanismos de proteção desde a concepção de seus produtos, criando ambientes digitais mais seguros por padrão, com configurações de privacidade mais restritivas e menos estímulos ao uso compulsivo. Além disso, a lei amplia a responsabilização das empresas ao considerar o chamado “acesso provável”, o que impede que se eximam de responsabilidade quando há presença significativa de crianças em suas plataformas. Também reforça a necessidade de limitar práticas como a publicidade direcionada e a exploração comercial infantil, ao mesmo tempo em que destaca a importância da educação digital para fortalecer a capacidade de famílias e escolas de acompanhar essas transformações. No conjunto, a legislação sinaliza que proteger a infância hoje passa necessariamente por regular e qualificar o ambiente digital em que essas crianças estão inseridas.

  • REV-1210-CRIANCAS
    REV-1210-CRIANCAS Foto: Maurenilson Freire
  • Débora Garofalo, professora reconhecida como a mais influente do mundo, pondera que a lei traz um debate urgente e necessário
    Débora Garofalo, professora reconhecida como a mais influente do mundo, pondera que a lei traz um debate urgente e necessário Foto: Arquivo Pessoal
  • Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal
    Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal Foto: Divulgação
  • Patrícia Blanco, presidente executiva do Instituto Palavra Aberta, é a entrevistada do CB.Poder de hoje
    Patrícia Blanco, presidente executiva do Instituto Palavra Aberta, é a entrevistada do CB.Poder de hoje Foto: Divulgação
  • Márcio Filho, presidente da Associação de Criadores de Jogos do Rio de Janeiro
    Márcio Filho, presidente da Associação de Criadores de Jogos do Rio de Janeiro Foto: ACJOGOS-RJ/Divulgação
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