Inclusão

Caminhada celebra o Dia Internacional da Síndrome de Down

Desde 2015, o Caminha Down é realizado sempre em um domingo próximo a data comemorativa, que ocorreu neste sábado (21/3)

Participantes do Caminha Down tiveram uma manhã de domingo repleta de atividades no Parque da Cidade -  (crédito:  Jailson Sena/CB/D.A Press)
Participantes do Caminha Down tiveram uma manhã de domingo repleta de atividades no Parque da Cidade - (crédito: Jailson Sena/CB/D.A Press)

Jailson Sena* especial para o Correio — A 9ª edição do Caminha Down marcou, neste domingo (22/3), no Parque da Cidade, o Dia Internacional da Síndrome de Down. Desde 2015, a iniciativa é realizada sempre em um domingo próximo a data comemorativa, que ocorreu neste sábado (21/3). A ideia do evento é a de ser inclusivo e festivo, sem deixar a reivindicação de direitos de lado. Além de muita música, teve caminhada, aula de yoga, desfile fashion inclusivo e oficinas.

A criadora e a coordenadora da caminhada, Melina Sales dos Santos, conta que a iniciativa surgiu após o nascimento da filha Zilah Reis, em 2013, que tem síndrome de down. Ela e o marido, Gabriel Reis, que é educador, passaram a participar de eventos sobre o tema, porém, eram desanimadores. "A gente viu que era uma coisa meio baixo astral, e a gente falou que tem que fazer uma coisa diferente. A militância precisa existir, mas é importante que as pessoas sejam felizes também, que possam aproveitar, porque senão eu vou sair da minha casa para ir para um evento triste", avalia Melina.

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"Então, a gente quis mostrar um lado positivo, um outro lado da diversidade, de que a gente pode ser feliz também, mesmo tendo as nossas questões. A gente realmente precisa de política pública, precisa de atenção, precisa ser visto, mas que a gente também possa comemorar a nossa existência", complementa. 

"A nossa intenção é que seja um evento para todos. Não só para a comunidade de Síndrome de Down, mas para a Brasília inteira. A gente quer tornar uma festa uma vez por ano, um domingo alegre e e mostrar as as potencialidades e os talentos das pessoas com Down", conta Gabriel. 

Para Melina, o recado e lição que ela e o marido estão deixando para a filha é de independência e personalidade própria para quando estiver na fase adulta. "Acho que o que é mais importante é que a gente está construindo nela um recado de afirmação da sua própria identidade. A minha esperança são essas próximas gerações que estão e virão — porque uma hora eu vou estar velhinha. Outras pessoas vão vir assumindo e, quem sabe, as próprias pessoas com síndrome de Down, com os apoios necessários, sejam as grandes provedoras e organizadoras desse evento por elas mesmas, que é o nosso maior sonho." 

Entre as atrações da festa, estava o DJ Dudu Atiê. O ritmo que predominou foi o funk. "É a primeira vez que toco (no evento) e escolhi um ritmo mais agitado" conta o DJ, que também tem a síndrome de Down. A mãe dele, Ana Lúcia Atiê, conta que o filho sempre gostou de música. "Um dia ele falou para mim que queria ser DJ. Fui atrás de uma escola e ele começou a fazer e foi muito, muito bem. Hoje, está deslanchando e recebe vários convites, tem tocado muito aí por aí."

O ator e influenciador Rapha Andrasy, de São Paulo, foi o convidado especial e não desanimou nem com a chuva que caiu pela manhã. "Eu peguei aqui essa chuva com muito orgulho para caminhada que diz não ao preconceito."

 

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postado em 22/03/2026 18:19
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